Tecnologia Ambiental

14 de outubro de 2011

Remediação de Solos – Reocupação urbana revela “esqueletos” deixados pela indústria nacional

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    química e derivados, remediação de solos

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    nos de industrialização e ocupação urbana desordenadas, dos quais boa parte deles sob o total descaso com o meio ambiente, escondem até onde é possível uma infinidade de “esqueletos” nos subterrâneos das grandes cidades. Basta o tempo, as retroescavadeiras ou algum sinal mais grave vindo do solo, que pode ser uma perigosa névoa de gás metano gerada por um antigo lixão ou uma água de poço contaminada com solventes clorados, e o pior se revela em toda sua face tenebrosa. Não faltam exemplos na atualidade e a região metropolitana de São Paulo, nesse quesito, pode ser considerada referência mundial. Principalmente em virtude do intenso boom imobiliário verificado nos últimos anos, que faz construtoras correrem atrás de antigas áreas industriais, a maioria delas contaminadas, para dar vazão à sua sede de expansão.

    A capital paulista (e por extensão todo o estado), pode-se afirmar com convicção, tem quase todos os tipos de contaminação em seu subsolo, que demandam da mesma forma quase todos os tipos de intervenções, tanto no aspecto tecnológico como no de estruturação institucional para resolvê-los. Basta lembrar do último grande caso, em superexposição na mídia, o do Shopping Center Norte, em São Paulo, construído há 30 anos em cima de uma cava de mineração recheada por lixo e cuja geração e vazamento de gás metano provocou a interdição do local, anulada em seguida em virtude da instalação emergencial de um sistema de drenagem do gás.

    Mas há muitos outros casos, com a mesma ou com maior gravidade, longe de soluções, em outras regiões de São Paulo, consideradas oficialmente como de alta criticidade pelo órgão de controle ambiental paulista, a Cetesb. E nessas regiões, ao contrário do caso do shopping na zona norte construído à beira do ainda decrépito Rio Tietê, há também o agravante de terem sido vítimas do descaso da indústria, cujos subprodutos são mais persistentes e tóxicos. Embora normalmente eles não representem perigo de explosão, a exposição a esses contaminantes não só inutiliza o solo e a água da região como pode e deve ter provocado uma série de doenças graves nas populações locais.

    A Cetesb elegeu dez áreas críticas, dentre as 3.675 áreas catalogadas em sua lista de áreas contaminadas anualmente atualizada. As principais e ligadas a contaminações industriais são: o Aterro Mantovani, em Santo Antônio de Posse-SP, um antigo bota-fora com mais de 300 mil toneladas de resíduos perigosos; o bairro de Jurubatuba, na zona sul da capital paulista, onde por mais de quatro décadas 15 indústrias identificadas poluíram o solo, atingindo o aquífero profundo da região; a região industrial do bairro de Vila Carioca, no distrito do Ipiranga; e a Indústrias Reunidas Matarazzo, em São Caetano do Sul, o mais antigo complexo químico do país, contaminado com várias substâncias tóxicas perigosas. As demais áreas críticas são casos semelhantes ao Center Norte: conjuntos habitacionais construídos sobre antigos lixões, como as Cohabs nos bairros da Vila Nova Cachoeirinha e Heliópolis, e o assentamento irregular do Jardim das Oliveiras, em São Bernardo do Campo, surgido em cima de um antigo bota-fora de resíduos industriais.

    Falta de informação sistêmica – Em comum, essas regiões críticas ainda carecem de um mapeamento completo e as contaminações são tratadas pela Cetesb individualmente, por empresas, sem uma perspectiva sistêmica muito necessária para promover um processo de descontaminação em tão grande escala. De forma geral, há apenas a certeza de que toda a região é degradada. Mas não se sabe como agir para debelar a imensa contaminação subterrânea, por ausência de estudos aprofundados que poderiam orientar uma remediação em conjunto entre todos os poluidores. Apenas quando a Cetesb exige uma remediação ou quando há um projeto de ocupação de determinada área dentro da região crítica, o projeto acaba sendo levado a cabo no sítio contaminado.

    química e derivados, remediação in situ,

    Gráfico 1: Aplicação de tecnologias de remediação in situ – Clique para ampliar

    A complexidade desses problemas, é consenso entre os especialistas, demanda soluções complexas, com modelamento hidrogeológico de toda a região, para mapear as plumas de contaminação que extrapolam os terrenos das fábricas e atingem várias outras áreas ocupadas. Isso porque, sem a compreensão regional, uma ação isolada pode aumentar o problema da contaminação do solo e dos aquíferos. Por exemplo: ao se remediar uma área com compostos mais densos que a água (chamados pelos técnicos como DNAPLs, dense non-aqueous phase liquids) – que muitas vezes precisam ser extraídos ou remediados com técnicas especiais nas maiores profundidades que alcançaram após entrar no subsolo –, a ação pode induzir uma migração de compostos mais leves que a água (LNAPLs, light non-aqueous phase liquids), presentes em áreas vizinhas, para maiores profundidades. Ou seja: a remediação em uma área pode piorar a situação de outra.

    A Cetesb tem consciência disso. Tanto é assim que tem divulgado estar em entendimento com o Instituto de Geociências da USP e a Universidade de Waterloo, do Canadá, para fazer um levantamento da região de Jurubatuba e assim poder propor medidas de intervenção regionais. “Apenas com esse estudo poderemos determinar o que cada uma das empresas rastreadas como poluidoras precisarão fazer para combater a contaminação que atingiu o aquífero cristalino [o mais profundo] na região. Até lá só é possível exigir algo dentro do terreno da indústria”, afirmou Rodrigo Cunha, o gerente do setor de gestão de recursos para investigação e remediação de áreas contaminadas da Cetesb.


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