Tecnologia Ambiental

15 de outubro de 2011

Remediação de Solos – Empresas de remediação crescem para atender o boom imobiliário

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    pesar do muito ainda a ser feito, é consenso que o Brasil caminha para melhorias no campo da remediação de áreas contaminadas. O aperfeiçoamento no arcabouço legal, dentro do qual a iniciativa da lei paulista pode ter papel desencadeador para o resto do país, é um bom indicativo, mas felizmente também não é o único. Hoje há uma oferta bastante grande de empresas e consultorias especializadas em projetos e obras de remediação, de capital nacional e estrangeiro, aumentando as alternativas para as empresas com passivos em solos e águas subterrâneas.

    Há uma indicação também de que o setor hoje já não se limita apenas a produzir diagnósticos, como era corrente dizer anos atrás. Sobretudo por causa do boom imobiliário e da consequente busca por remediar e ocupar áreas contaminadas para novos usos, a impressão é de que várias obras de fato começam a ser feitas. Embora os projetos sejam normalmente resguardados por contratos de confidencialidade, visto que poucos responsáveis legais têm a coragem de assumir um erro passado e a inteligência de divulgar à sociedade que estão reparando o dano, muitas empresas de remediação afirmam estar realmente colocando a mão na massa (com luvas especiais, é claro).

    química e derivados, aecom, oxidação química, Sander Eskes

    Eskes: primeiros projetos com oxidação química em São Paulo

    A empresa de origem norte-americana Aecom, por exemplo, no Brasil há 12 anos nessa área, por meio da controlada ENSR, é uma das que afirmam estar com muitos projetos sob sua coordenação. Segundo seu diretor técnico, Sander Eskes, além de ter remediado mais de mil postos de combustível por todo o Brasil, por intermédio de um contrato corporativo com uma grande distribuidora, a Aecom já contabiliza alguns projetos na indústria, com emprego de tecnologias até então inéditas, a maioria deles ainda em andamento.

    De acordo com Eskes, em 2004 a Aecom realizou o primeiro grande projeto de oxidação química in situ de solos e águas subterrâneas contaminadas com solventes clorados (cloroetenos), com uso de permanganato de potássio, na região metropolitana de São Paulo e sob acompanhamento da Cetesb. “É uma reação redox (redução e oxidação), instantânea e fácil”, disse o diretor. O permanganato de potássio, importado normalmente da China, vem sólido e a dissolução dele é feita de 1% a 3%, na hora da injeção, quando é distribuído no solo por pressão hidráulica. “Ele age tanto na zona saturada (com água), como na insaturada”, disse.

    Além de oxidar os contaminantes, o permanganato de potássio também age contra as matérias orgânicas e metais reduzidos. “Mas isso não tem impacto no tipo de solo em que injetamos, um sítio industrial que não será utilizado para agricultura”, explicou Eskes. Além disso, as injeções são feitas a partir de quatro metros de profundidade no solo. “Em todo caso, depois da remediação, a população microbiana do solo volta ao normal depois de um ano ou mais, o que comprovamos com o monitoramento”, complementou.

    Outro caso, em 2006, fez pela primeira vez a empresa injetar óleo vegetal solubilizado para biodegradação anaeróbica de compostos orgânicos. O óleo serve como fonte de carbono, para criar condições anaeróbicas e assim as bactérias degradarem organoclorados. Importado, o óleo é uma melhor alternativa a uma outra fonte de carbono que começou a ser usada há alguns anos por empresas de remediação no Brasil, o melaço de cana. “O problema do melaço é que ele pode gerar metano”, disse.

    Apesar de ressaltar o crescimento do uso de oxidantes químicos (além do permanganato de potássio, o peróxido de hidrogênio com catalisador férrico Fenton e o perssulfato de sódio) e de agentes para biorremediação anaeróbica, Eskes faz questão de ressaltar que todos os casos precisam ser engenheirados. “Não existe bombril para remediação, ou seja, uma solução que serve para todas as contaminações. Uma investigação detalhada e a necessidade de ocupação do solo é que vão orientar a melhor tecnologia a ser empregada”, disse.

    química e derivados, Susanne Loebmann, ERM, MIP

    Susanne: tecnologia para investigar em alta resolução

    Melhor investigar – Até mesmo no aspecto da investigação, também há a necessidade de busca por melhores tecnologias. Outra empresa da área, a ERM, envolvida em vários projetos de remediação no Brasil, está desenvolvendo fornecedor para passar a contar com sistema de investigação em alta resolução. De acordo com a gerente da ERM, Susanne Loebmann, o sistema é uma sonda especial chamada membrane interface probe (MIP), que perfura o solo, medindo a condutividade e identificando o contaminante por difração a profundidades de até 20 metros. A parceira da ERM no projeto é a alemã Fugro.

    Para Susanne, contar com boa tecnologia para investigação é fundamental. “A fase de diagnóstico é a mais importante”, disse. Apesar disso, a empresa também faz testes piloto de uma tecnologia chamada ART (art in well), que realiza a remediação dentro do poço perfurado, com um raio de influência ampliado. “O sistema promove um turbilhamento com o agente remediador e recircula por stripping a água contaminada para tratamento na superfície”, explicou.


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