Tecnologia Ambiental

15 de abril de 2012

Remediação de Solos – Empresa nacional inova com tecnologias In-Situ

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    ma solução para remediação de solos e águas subterrâneas começa a ganhar força no Brasil com a atuação da empresa Tratch-Mundi, do grupo Ecotech, de Valinhos-SP. Já uma realidade em países desenvolvidos, mas ainda dando seus primeiros passos no Brasil, a empresa está difundindo, com sucesso, o chamado processo oxidativo avançado (POA) para remediações in-situ de áreas contaminadas.

    O pulo do gato da empresa é contar com uma licença tecnológica – o sistema Fentox – originária do laboratório de química ambiental da Unicamp, coordenado pelo professor Wilson Jardim, que permite aplicar a tradicional tecnologia Fenton (peróxido de hidrogênio + catalisador de ferro) com muito mais eficiência em solos e águas. A tecnologia desenvolvida por Jardim, e agora de uso exclusivo da Tratch-Mundi, faz com que a aplicação desse POA supere seus dois grandes obstáculos: o pH limitado de aplicação e o arriscado aumento de temperatura no local contaminado.

    “O Fentox mantém o pH ácido, necessário para a reação ocorrer, e não deixa a temperatura subir para até 60ºC, como pode acontecer no Fenton convencional, colocando em risco ambientes de alta volatilidade explosiva”, explicou o diretor técnico da Tratch-Mundi, Marcelo Bárbara. A pesquisa da Unicamp conseguiu complexar o metal ferroso e torná-lo possível de ser aplicado com pH de três a dez, sem necessidade de acidificação do solo ou da água, e também controlou a temperatura da reação (isotermia) em uma média de 24ºC, o que torna a operação segura em remediações de hidrocarbonetos, por exemplo.

    Mas não foi só a patente adquirida da Unicamp o trunfo para os projetos com POAs estarem indo bem e despertando o interesse de grandes corporações da área de distribuição de combustível que possuem muitos passivos ambientais, segundo revelou o outro diretor técnico da empresa, Samar dos Santos Steiner. “Descobrimos um meio de aplicar melhor os reagentes, por meio de outra patente nossa, um equipamento montado em um caminhão, que pode misturar vários tipos de oxidantes e redutores, com sondas e sob alta pressão, com uma metodologia que controla a profundidade, a vazão e a concentração do processo reagente exatamente nos locais necessários”, explicou Steiner.

    Segundo ele, a combinação do Fentox com o equipamento inclui ainda um detalhe importante da aplicação: dosar e visar o POA primeiro para atacar a fase adsorvida dos contaminantes no solo. “Assim não dá rebote, ou seja, a água não corre o risco de voltar a passar pela contaminação no solo”, disse. Egressos de várias outras grandes empresas de remediação (Aecom, Geoklock etc), tanto Steiner como Bárbara afirmam que o normal no mercado, quando os POAs são a tecnologia empregada, é atacar apenas a água subterrânea contaminada. “Só que a contaminação é dinâmica, se a fase adsorvida não for eliminada primeiro, depois o lençol volta a se contaminar”, complementou Bárbara.

    Química e Derivados, Equipamento Móvel Tratch - Mundi

    O equipamento móvel da Tratch Mundi usa alta pressão nos POAs

    Um erro comum dos primeiros casos de aplicação de Fenton no Brasil, segundo Bárbara, é a forma pouco estudada e primitiva como os dois reagentes (o catalisador metálico e o oxidante, peróxido de hidrogênio) são dosados. “As empresas simplesmente colocam um tambor de cada lado e, com uma sonda perfuratriz, injetam os produtos no solo”, disse. Com o equipamento montado no caminhão, o problema foi resolvido. Com uma ponteira também patenteada, e a pressão altíssima, possível de atingir até 50 metros de profundidade, consegue-se fazer a dissolução entre os produtos da reação, em turbilhão, para ativar o Fentox de forma muito mais eficiente do que com os misturadores convencionais. “E ele pode ser usado para qualquer oxidante ou redutor”, disse Bárbara.

    Para saber onde está a maior concentração do produto, é feita uma investigação detalhada do meio físico, segundo Steiner, dos extratos do solo, da distribuição da granulometria em 3D de vários pontos, as zonas preferenciais e, enfim, onde estão e como se distribuem as concentrações do contaminante no solo. “Com esses dados, começamos o trabalho de oxidação avançada (ou redução, dependendo do caso, com outros produtos, como óleos ou melaço), que elimina o problema de forma muito rápida”, explicou. Segundo ele, há casos em que o cliente estava com remediações implantadas, de extração física, conduzida por longos seis anos, que eles resolveram em três dias, com comprovação da Cetesb.

    “É uma quebra de paradigma. Por que ficar extraindo água e vapores por anos, gastando energia, tempo, expondo os trabalhadores da remediação, se é possível oxidar ou reduzir o contaminante em questão de dias?”, explicou Marcelo Bárbara. Com o equipamento criado, um controle digital determina a profundidade, a vazão e a concentração dos produtos para cada ponto do solo, dosando mais reagentes em áreas argilosas e menos nas arenosas. E o melhor, segundo eles, é ser possível atacar com o POA diretamente na fase livre do contaminante, o que já foi feito com sucesso e até gerou patente para a empresa. “Temos um caso em que as pessoas achavam arriscado, pois podia gerar explosão e que já vinha sendo tratado convencionalmente por quase três anos. Mas no fim em 14 dias eliminamos a contaminação, que tinha uma fase livre de um metro”, disse Steiner.


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      Um Comentário


      1. Queria saber mais detalhes sobre a tecnologia. Tenho interesse para meu mestrado



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