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11 de junho de 2002

Refrigeração: Crescem as vendas de fluidos refrigerantes sem cloro

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    m meados da década de 70 surgiram os primeiros indícios de que fluidos refrigerantes à base de CFCs (clorofluorcarbonos) podiam ameaçar a camada de ozônio na estratosfera. A confirmação desse fato em 1974, com as pesquisas dos cientistas Mario Molina, Sherwood Rowland e Paul Crutzen, mobilizou nações do mundo inteiro e, em 1987, foi firmado o Protocolo de Montreal que regulava a terminação da produção dos CFCs e a utilização dos estoques existentes. Surgia a necessidade de se encontrar alternativas para os fluidos refrigerantes conhecidos até então.

    O Protocolo determinava o adiamento das medidas de regulamentação por dez anos para países em vias de desenvolvimento, mas o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), para adequar a legislação brasileira ao acordo assinado em Montreal, estabeleceu em setembro de 2000 a Resolução nº 267 que regulamentava os procedimentos e prazos para a eliminação dos CFCs no território nacional.

    A DuPont foi a primeira empresa a anunciar a descoberta de uma linha de fluidos alternativos e iniciou a divulgação do produto em 1990, nos Estados Unidos, e em 1994, no Brasil, oferecendo treinamento e esclarecimentos aos profissionais da área de refrigeração e à sua cadeia de clientes.

    A linha de fluidos refrigerantes alternativos da DuPont, abrigados sob a marca Suva, é composta por HFCs – hidrofluorcarbonos isentos de átomos de cloro em sua composição. Os cientistas Susan Solomon e James Anderson comprovaram que os CFCs que se difundem até a estratosfera liberam átomos de cloro e de óxido de cloro na presença da radiação ultravioleta do Sol. Essas espécies químicas catalisam a conversão do ozônio para oxigênio, segundo as seguintes reações:

    Cl• + O3 – ClO• + O2
    ClO• + •O• – Cl• + O2

    Os HFCs isentos de cloro não contribuem para a destruição da camada de ozônio.

    Química e Derivados: Refrigeração: Xavier - DuPont elabora método para atualização de equipamentos.

    Xavier – DuPont elabora método para atualização de equipamentos.

    Segundo Maurício P. Xavier, gerente de marketing dos negócios de Fluorquímicos da DuPont, a indústria automobilística foi a primeira a substituir totalmente o CFC R-12 – também conhecido como Freon 12 – pelo hidrofluorcarbono R-134A da DuPont, por volta de 1996. A companhia é a maior fornecedora mundial de fluidos refrigerantes e o maior mercado nesse segmento é o de reposição. Xavier estima o mercado nacional de fluidos refrigerantes em US$ 35 milhões, e um terço desse valor corresponde às vendas para fabricantes. Embora a penetração desses fluidos seja grande em diversos segmentos da indústria, como o farmacêutico, o automobilístico, o químico e o hospitalar, o tamanho do mercado segue aproximadamente constante. O executivo da DuPont explica: “Uma geladeira, há cerca de dez anos, utilizava uma carga média de 150 g de fluido. Com as evoluções tecnológicas, um eletrodoméstico desse tipo demanda apenas 80 g de carga média hoje em dia”.

    Apesar das restrições ao uso dos CFCs, a importação desses produtos teve um aumento entre 2001 e 2002, devido à grande disponibilidade no mercado. Além disso, houve uma migração bastante grande da refrigeração comercial para o R-22, um hidroclorofluorcarbono (HCFC) que possui prazo de eliminação maior, pois seu potencial de ataque à camada de ozônio é cerca de 80% menor que o do CFC-12. Embora a substituição ofereça alguma vantagem financeira – o R-22 é mais barato que o CFC-12 –, o desempenho dos equipamentos é prejudicado após o câmbio, comprometendo a eficiência da troca térmica. “É importante não olhar só o custo do gás, mas também a operação do equipamento”, alerta Maurício Xavier.

    A DuPont, disposta a manter a liderança no segmento, participa de algumas iniciativas para disseminar os HFCs. A empresa desenvolve um trabalho junto com o Senai, fornecendo literatura e amostras que contribuem para a formação de técnicos familiarizados com os novos fluidos refrigerantes.

    O Protocolo de Montreal também prevê, em seu artigo décimo que os melhores fluidos substitutos disponíveis, além das tecnologias a eles relacionadas sejam transferidos entre as partes que assinam o tratado. O gerente da DuPont explica que as empresas produtoras dos fluidos alternativos mais bem aceitos concedem licenças aos concorrentes para facilitar a disponibilização dos produtos patenteados.

    A substituição dos CFCs, entretanto, envolve outros aspectos além dos fluidos em si, como a adaptação dos equipamentos refrigerantes, desenhados para a operação sob determinadas condições e com fluidos específicos. Para viabilizar a transição dos CFCs para os HFCs da linha Suva, a DuPont desenvolveu uma nova tecnologia, o Retrofit. Segundo o engenheiro de vendas da DuPont Arthur Dian Ngai, a palavra Retrofit tem origem no idioma inglês e remete à idéia de atualização. O engenheiro explica que o Retrofit não é um equipamento, mas uma tecnologia que define um processo para a conversão de antigos equipamentos à base de CFCs para a operação com fluidos da linha Suva.

    Esse processo é muito similar à operação de manutenção do equipamento. O boletim técnico que determina as diretrizes para o Retrofit de fluidos refrigerantes inicialmente propõe a coleta de dados de operação do equipamento refrigerante carregado com CFC. Em seguida, deve-se remover o fluido do sistema. Maurício Xavier lembra que é importante coletar o fluido adequadamente, pois o ponto primordial é evitar a difusão dos gases na atmosfera.


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