Petróleo & Energia

3 de setembro de 2004

Refino: Refap S/A revê cronograma e anuncia partida para 2005

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    A nova unidade da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap S/A), em Canoas, cidade industrial distante 20 quilômetros de Porto Alegre, deveria entrar em operação ainda em 2004, mas com a revisão do cronograma inicial, as obras de ampliação serão concluídas em 2005.

    Química e Derivados: Refino: Unidade de craqueamento catalítico de resíduos em fase de montagem. ©QD Foto - Divulgação - Refap

    Unidade de craqueamento catalítico de resíduos em fase de montagem.

    Quando estiver definitivamente turbinada, a Refap processará 30 milhões de litros de petróleo por dia, um aumento de 50% em relação à sua capacidade atual, o equivalente a 5.509 litros de gasolina por minuto – suficiente para encher o tanque de mais de 100 carros, e 8.309 litros de diesel por minuto, correspondendo a 40 tanques de caminhões, além de uma tonelada de GLP por minuto ou 76 botijões de 13 quilos por minuto. De quebra, irá gerar 69 MW de energia elétrica capazes de iluminar uma cidade com 200 mil habitantes. Após a conclusão da obra, a Refap será a quinta maior refinaria de petróleo do Brasil.

    Além da revisão de prazos, o orçamento também foi esticado de US$ 650 milhões para US$ 800 milhões. A readequação dos valores ocorreu por conta de três fatores. O projeto original previa duas parcerias. O reator de ácido sulfúrico para a produção de enxofre puro, teria o aporte de uma outra empresa que não se consolidou, assim como a British Oxigen Company, que saltou fora do acordo para a montagem da unidade de hidrogênio. Com isso, a Petrobrás decidiu bancar a conta sozinha, e, somente nessas duas áreas, a despesa ficou em mais US$ 100 milhões. Além disso, como explicou o presidente da empresa, Hildo Henz, a revisão do escopo do projeto exigiu um aporte de mais US$ 50 milhões.

    Do total mobilizado, US$ 511 milhões já foram empregados e correspondem a 60% das obras físicas concluídas, incluindo o projeto de engenharia e o pagamento de todos os equipamentos como vasos, reatores, trocadores de calor, bombas, montagem das tubulações e o regenerador de FCC, aliás, todos já instalados assim como a nova torre fracionadora de 60 metros de altura por oito de diâmetro. Na medida em que as etapas são cumpridas os novos equipamentos entram em operação. Do projeto novo, já entraram em atividade, em 2002, as duas tochas do sistema, sendo que as antigas foram desativadas. Em dezembro fica pronta a unidade produtora de enxofre.

    Química e Derivados: Refino: Henz - refinaria processará mais óleo pesado nacional. ©QD Foto - Divulgação - Refap

    Henz – refinaria processará mais óleo pesado nacional.

    Em fevereiro, a de hidrogênio, empregada no hidrotratamento do diesel, também estará finalizada. Como é dela que sairá o H2S, matéria-prima do enxofre puro, a partida da planta desse produto acontecerá em abril de 2005. Em maio, Henz quer dar partida na área de FCC. Em junho, com o sistema de coque pronto ocorrerá a partida da totalidade da nova planta.

    No andar da carruagem, alguns setores irão passar por adaptações para a ampliação do volume de refino. A chamada Unidade-50 de destilação entrou em obras em agosto próximo e ficará parada por 45 dias, resultando na suspensão de 50% da capacidade de refino atual ao longo da manutenção.

    Para não criar problemas de abastecimento a Refap montou um esquema especial de estoque. “Há um gerenciamento para o mercado que nem vai sentir o reflexo da parada”, garante Henz. Outra unidade, a 01, será adaptada em março com alterações e interligações. Atualmente 6 mil pessoas estão envolvidas na ampliação. Na parada que acontecerá para as reformas mais 2 mil serão incorporadas . “Essa obra é grande. Houve parceria com o Senai, responsável pela capacitação dos recursos humanos”, explicou

    Quatro empreiteiras montaram bases de operações dentro da área da refinaria. “A construção foi rápida porque toda a parte de alvenaria é pré-moldada e vem pronta em caminhões”, assinala o diretor-presidente.

    O principal objetivo com a ampliação da Refap é a conversão da refinaria, hoje equipada para processar 75% de óleo leve, proveniente do Oriente Médio e 25% de óleo pesado extraído na plataforma continental do Brasil. O novo sistema a plena carga poderá processar 80% de óleo brasileiro e 20% do óleo árabe, pois era a refinaria da Petrobrás com menor capacidade de refino do petróleo brasileiro. As demais vêm sendo adaptadas gradativamente ao longo dos últimos anos. No caso da unidade gaúcha, a decisão foi no sentido de readequá-la de uma única vez.

    Conforme Hildo Henz, a empresa está triplicando os processos. A capacidade equivalente de destilação (unidade de medida para refino de petróleo) subirá de 430 para 1.300 quando as duas plantas estiverem operando conjuntamente a plena carga. Antigamente, ensina Henz, quando o Brasil processava apenas petróleo leve, as refinarias procediam basicamente a destilação, sem a necessidade de intervenções químicas. A primeira planta construída no Brasil pela Ipiranga, na cidade de Uruguaiana, a 500 quilômetros de Porto Alegre, na década de 30, destilava um óleo super leve por batelada.

    Quando o petróleo é pesado, acrescenta, Henz, os procedimentos se tornam mais complexos, exigindo sistemas de destilação normal, destilação a vácuo, unidades de FCC, de tratamento e de coque, a fração de petróleo rica em carbono e pobre em hidrogênio. Nesse aspecto, a engenharia da Refap lançou mão da criatividade. Como o coque precisa ser queimado para liberar o catalisador, os gases provenientes da operação movimentarão uma turbina de 25 MW de energia. Para isso, contará com uma válvula especial dotada de uma espécie de diafragma interno que fecha a metade do diâmetro, impedindo a passagem de vapor de um lado e liberando a saída do outro de maneira intercalada. Na eventualidade de algum problema técnico indicando a necessidade de desligar a turbina, a válvula abre um dispositivo na parte superior para jogar o vapor na atmosfera por razões de segurança.


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