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11 de abril de 2002

Refino: Ampliação dá competitividade à REFAP

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Refinaria Alberto Pasqualini (Refap SA) terá sua capacidade de produção ampliada de 20 mil m³/dia para 30 mil m³/dia, até o final de 2004, como prevê o cronograma traçado pela diretoria da empresa. Para isso, uma nova planta de refino está em fase de construção para processar 10 mil m³/dia de derivados de petróleo no complexo industrial da cidade de Canoas-RS. A área de produção atual é de 240 mil m² e será acrescida de 170 mil m² com o aporte de, aproximadamente, US$ 650 milhões. “Esta é a maior obra na área de refinarias de petróleo em andamento no Brasil”, assegura o presidente da Refap, Hildo Francisco Henz, engenheiro gaúcho, na Petrobrás há mais de duas décadas, e detentor de larga experiência no desenvolvimento de projetos de envergadura para a estatal.

    Química e Derivados: Refino: Henz - investimento prioriza a obtenção de derivados mais nobres.

    Henz – investimento prioriza a obtenção de derivados mais nobres.

    Há dois anos e meio, Henz voltou ao Rio Grande do Sul, após longa temporada no Rio de Janeiro. No retorno, assumiu o cargo de superintendente da Refap, mas foi alçado à posição de presidente em janeiro de 2001, após comandar a transição da empresa da condição de departamento da Petrobrás para o status de Sociedade Anônima, controlada pela estatal. Em fevereiro de 2002, 30% dos ativos da Refap SA foram repassados ao grupo espanhol Repsol, numa troca com a Petrobrás, que, por sua vez, assumiu o controle de uma das refinarias dos espanhóis e 700 postos de abastecimento de combustível, ambos na Argentina.

    A ampliação da Refap decorre de imposição da globalização. De acordo com Henz, em sua configuração atual, a Refap encontra-se no limbo do business de refino. Com a expansão, que saiu definitivamente do papel em 1º de maio de 2001, a unidade irá adquirir caráter de refinaria de grande porte, com capacidade para competir no mercado mundial, enfrentando também a quebra do monopólio do comércio de combustíveis no Brasil. A ampliação conta com a operação decisiva da empresa japonesa Toyo, cuja tarefa é transformar US$ 310 milhões no conjunto de equipamentos necessários na montagem das novas unidades de processo: somente a nova torre de craqueamento catalítico fluido (FCC), capaz de gerar derivados valiosos a partir de resíduos de “fundo de barril”, pesados e de qualidade inferior – terá 14 metros de diâmetro. Mas a montagem completa da planta inclui vasos, torres de destilação, bombas, válvulas, permutadores de calor, compressores e turbinas, fabricados no Japão, Coréia do Sul, Espanha, Canadá, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Brasil, Japão e Índia. O projeto é monitorado em sistema on line, interligando as diversas unidades de produção dos equipamentos, permitindo sinergia e simultaneidade na execução das diversas etapas.

    Cerca de 700 pessoas, entre engenheiros, técnicos e operários estão envolvidos neste processo. Os equipamentos, em sua maioria, estão em fase de fabricação. Alguns chegaram no primeiro trimestre de 2002, sendo que a montagem deverá ser iniciada em setembro próximo. No auge das obras de construção civil, que irão demandar mais US$ 340 milhões, algo em torno de oito mil operários estarão trabalhando. A terraplenagem já está praticamente concluída assim como uma das tochas de escape dos gases.

    Química e Derivados: Refino: Terreno já está preparado para receber as novas unidades de processo.

    Terreno já está preparado para receber as novas unidades de processo.

    Os novos equipamentos permitirão o incremento do refino de petróleo nacional, mais pesado e de qualidade inferior em relação ao importado, exigindo processos químicos adicionais. O presidente da Refap SA assinala que as refinarias da Petrobrás foram projetadas para processar o óleo proveniente do Oriente Médio, de onde vinha quase 100% do petróleo importado pelo Brasil, em décadas passadas. Como atualmente 84% da matéria-prima sai dos poços da própria Petrobrás, as unidades vêm sendo adaptadas para atender o crescimento da produção nacional. “Essa é a adaptação que estamos fazendo junto com a ampliação”, acrescenta Henz. “A Refap com sua nova capacidade e flexibilidade se tornará uma refinaria mais rentável e com padrões de competitividade mundial, com qualidade superior”, enfatiza. Em suma, hoje a Refap processa 30% de matéria-prima nacional e 70% de estrangeira. Com a instalação dos novos equipamentos, ocorrerá uma inversão. Irá refinar 80% de óleo com origem nacional e 20% importado.

    Henz acentua que a ampliação modificará o mix de produtos da Refap. “Nós não aumentaremos mais a produção de óleo combustível, um produto de baixo valor agregado”. Dessa maneira, a nova planta irá dar prioridade à obtenção de gasolinas, principalmente de alta octanagem por intermédio dos processos químicos de FCC, coqueamento e craqueamento. Enfatizando também a fabricação de óleo diesel, conforme Henz, um combustível escasso no Brasil. “São Paulo é importador de diesel. Vamos acabar vendendo esse óleo à Petrobrás”, prevê.

    Para o presidente, a transição da Refap foi harmônica, embora admita ter enfrentado alguma resistência inicial da parte de seus subordinados. “Você não deixa de realizar um processo desses sem causar algum tipo de trauma. Afinal de contas, depois de 30 anos, eles deixaram de ser vinculados à Petrobrás para trabalhar na Refap SA”. A ampliação gerou 84 empregos novos na operação da refinaria. Ao longo de 2002, devem ingressar mais 100 trabalhadores.

    “Nossos critérios são rígidos e nossa segurança, 100% garantida. Um operador de refino leva dois anos para ficar tarimbado na função, dentro dos parâmetros de segurança estipulados na Refap”, revela Henz. “Nós temos uma política de segurança da qual a gente não abre mão. Fazemos questão de ter a operação sob controle. Aqui o pessoal está devidamente treinado e motivado para cumprir nossas exigências. Esse pessoal novo que chegou é arejado e trouxe muita coisa boa para o convívio na Refap”, elogia o superintendente.


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