Máquinas e Equipamentos

15 de setembro de 2011

Reatores – Petrobras exige novos materiais para grandes reatores

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    nquanto a microtecnologia dá seus primeiros passos com os microrreatores, o mercado de reatores convencionais, sobretudo para atender a onipresente Petrobras, continua a ocupar as caldeirarias do Brasil e de algumas partes do mundo. Com suas várias remodelações e ampliações no refino, nos últimos anos houve concorrências importantes, muitas delas internacionais, em virtude de novas exigências técnico-operacionais da empresa.

    As mudanças principais se referem a novos patamares de pressão e temperatura dos reatores, porque a Petrobras está processando um petróleo mais agressivo e, por outro lado, porque as restrições ambientais são agora maiores para a operação. Isso levou a empresa a pedir em concorrência novos materiais, com destaque para o aço cromo-molibdênio-vanádio, até então inédito em fabricantes locais e só disponível por fornecedores de países como Itália, Japão, Coreia e Índia.

    Essa nova exigência levou a principal empresa da área no Brasil, a Confab, a correr atrás de um parceiro internacional para dominar a tecnologia do aço cromo-molibdênio-vanádio. Segundo explicou o gerente comercial da área de química e petroquímica da Confab Equipamentos, Edson Morimoto, a saída foi assinar em julho de 2010 um acordo de cooperação técnica com a japonesa IHI Corporation. “Eles transferiram o know-how que vai nos permitir soldar os anéis forjados com esse material para construir o reator”, disse.

    A iniciativa rendeu o atual grande fornecimento da Confab, para a Galvão Engenharia, empresa que entregará quatro reatores de 380 t cada para a Refinaria de Paulínia (Replan), já considerados os maiores do Brasil. Os anéis forjados, com aço de espessura de 132 mm, foram importados da Itália, e os equipamentos têm previsão de entrega até o final de 2012.

    Com o domínio dessa tecnologia, a Confab se torna ainda mais competitiva, firmando-se como a única no Brasil capaz de enfrentar empresas internacionais em concorrências da Petrobras para reatores com materiais especiais e exigências de espessura e tamanhos muito grandes. Para começar, a empresa tem uma das maiores calandras para dobrar aço do país, com capacidade para até 150 mm de espessura. Mas o seu principal diferencial com relação a outras caldeirarias nacionais, segundo Morimoto, é o fato de a empresa conseguir em sua fábrica de Moreira César-SP processar vários materiais para reatores especiais: aço carbono, cromo-molibdênio, aço inox, aço clad (de alta resistência mecânica e química).

    Esse ecletismo com materiais, na visão de Morimoto, tem muito a ver com impulsos dados pela Petrobras ao longo dos anos, empenhada em criar alternativas locais de fornecedores. Um marco nessas iniciativas foi o fornecimento em 1995 de um reator especial de 260 toneladas para a Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão-SP (RPBC). Pela primeira vez, uma empresa local (a Confab tem hoje capital ítalo-argentino) projetou e instalou um reator em peça única com cromo-molibdênio, revestimento de aço inox e empregado na unidade de hidrotratamento de diesel (HDT) da refinaria. Hoje a Confab, segundo Morimoto, tem cerca de 80 reatores especiais instalados no Brasil, sendo 90% deles em unidades do sistema Petrobras.

    Química e Derivados, Fuad Hamad, Jaraguá Equipamentos, reatores, fornos

    Hamad: estrangeiros ganham principais licitações

    Os outros – A qualificação da Confab na área de reatores especiais faz com que, ao haver concorrência da Petrobras para equipamentos muito grandes, com espessuras maiores e materiais especiais, só ela participe, representando o parque fabril brasileiro contra estrangeiros. Na atualidade, as principais concorrentes são empresas indianas, coreanas e italianas. As primeiras, aliás, têm conseguido preços baixos e consequentemente vencido algumas concorrências importantes, como na Refinaria do Vale do Paraíba (Revap), em São José dos Campos-SP, e na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária-PR. Fontes do mercado chegam a afirmar que os reatores indianos não atenderam a contento às exigências da Petrobras.

    As demais caldeirarias nacionais, por não estarem habilitadas para os grandes reatores especiais, concentram-se nos menores. É o caso da Jaraguá Equipamentos, de Sorocaba-SP, tradicional fornecedora de equipamentos como trocadores de calor, fornos e reatores, também bastante presente na estatal do petróleo, mas hoje com atuação mais diversificada. “A demanda de reatores, que foi grande nos últimos anos em refinarias, ficou muito concentrada nos estrangeiros”, disse o diretor comercial da Jaraguá, Fuad Hamad, confirmando que a única nacional competindo nesse mercado é a Confab. “Nossa calandra não suporta as exigências e só conseguimos fazer equipamentos para suportar até 100 kgf/cm2 de pressão”, disse. Para se ter uma ideia, os reatores que a Confab faz para a Replan são para 140 kg de pressão e 400ºC de temperatura. Esse cenário fez a Jaraguá ter vendido seu último grande reator há mais de dois anos para a Oxiteno, de 300 toneladas e empregado na produção de óxido de eteno, com feixe tubular interno. “Quando há concorrência para reatores menores, participamos, junto com outras cerca de cinco empresas nacionais”, disse. No segundo semestre, Hamad aguarda concorrência da nova refinaria Premium 1, no Maranhão, que deve demandar de 20 a 30 reatores, sendo parte deles de pequeno porte.

    As baixas vendas no segmento específico de reatores, porém, não significam que a Jaraguá esteja com poucos pedidos da petroleira. Pelo contrário, em outros equipamentos, os negócios vão bem. Hoje a empresa está na fase final de entrega de 36 fornos para a Refinaria do Nordeste (Rnest), de Suape-PE, uma obra total no valor de R$ 1,1 bilhão. São fornos de coque, pirólise, HDT/HDS, carga e reformador. O fornecimento, aliás, reflete o crescimento da empresa no Nordeste, que acompanha os investimentos naquela região com nova fábrica em Marechal Deodoro-AL, onde boa parte dos fornos está sendo construída.

     

     



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