Petróleo & Energia

25 de abril de 2003

Reatores: Petrobrás ainda é quem dá suporte

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    Prontas para atender às demandas do País, fábricas de reatores estão de olho no desempenho do seu maior cliente

    Química e Derivados: Reatores: Reator de 90 t da nova fábrica da Polibrasil.

    Reator de 90 t da nova fábrica da Polibrasil.

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    inserção do Brasil no mercado internacional de capitais, bens e serviços, incompleta ainda, há tempo explicita fatos extensivamente discutidos pela comunidade empresarial brasileira: a presença de competidores internacionais em solo nacional criou demanda por parceiros capazes de suprir com eficácia e qualidade produtos intermediários de diversos processos produtivos, germinando saltos no nível de qualidade das principais empresas nacionais, em alguns casos, e excluindo do mercado fabricantes tradicionais, incapacitados de adaptarem-se ao novo padrão estabelecido, em outros. Errado é, porém, crer que o impulso de modernização vem irremediavelmente do exterior. Em algumas, porém importantes exceções, empresas brasileiras com grande conhecimento acumulado em tecnologias particulares, e destaque global, tornaram-se a principal força a mover segmentos da indústria, como nos setores de prospecção e exploração de petróleo e de açúcar e álcool, um dos destaques do agronegócio nacional.

    Um dos negócios cujos números podem ser brindados ou arruinados pelas compras da estatal brasileira do petróleo é a produção de reatores químicos, não somente porque a Petrobrás compre os produtos desses fabricantes, mas também por ser elemento central no jogo da petroquímica, também um consumidor de equipamentos para reações químicas.

    Dedini Indústrias de Base, CBC Indústrias Pesadas e Jaraguá Equipamentos Industriais são algumas das maiores empresas do setor. Todas atuam em caldeiraria na indústria de base pesada, fornecendo também outros tipos de equipamentos metálicos pesados, como torres de processo. Há também os fabricantes de equipamentos de menor tamanho, como a Incase (Indústria Mecânica de Equipamentos), e aqueles especializados em nichos de fabricação. No País, a Pfaudler Reactor Systems é sinônimo de produtor de reatores vitrificados.

    Química e Derivados: Reatores: Ferreira - projeto Rio Polímeros aqueceu os negócios em 2002.

    Ferreira – projeto Rio Polímeros aqueceu os negócios em 2002.

    A Dedini, originária do segmento de açúcar e álcool, produz reatores em Piracicaba e Sertãozinho, no interior de São Paulo. Capacitada a fabricar desde equipamentos de pequeno porte, até unidades de 100 toneladas, basicamente para resinas, a empresa atende a clientes do ramo petroquímico (o principal), farmacêutico e químico. Tradicionalmente, pois os materiais empregados na fabricação de reatores químicos há mais de dez anos são em grande parte os mesmos, a Dedini produz máquinas em aço-carbono, aço com requisitos especiais e aço inoxidável, ou quando necessário, utiliza ligas especiais (monel e outras) ou chapas do tipo clad, constituídas por uma chapa de aço carbono integrada a uma camada fina, que confere resistência química ou resistência à abrasão.

    Os reatores produzidos pela empresa podem ou não estar equipados com sistemas de agitação. Várias configurações diferentes são possíveis: a agitação pode ser por fluxo de fluídos, ou no caso de agitação mecânica, podem ser construídos sistemas de pás retas ou curvas, pás helicoidais, ou em vários níveis de agitação, por exemplo. “No que se refere à execução, estamos qualificados à produção de quase todo tipo de reator”, afirma o gerente comercial das áreas de cimento e mineração, siderurgia e metalurgia, e petróleo e gás, Angelo de Souza Ferreira. A fabricação de reatores de pequeno porte, entretanto, não é regra na Dedini.

    Ao contrário dos materiais usados na manufatura de reatores, o controle e a automação dos equipamentos experimentaram sensíveis avanços. Mas como essa atividade não é relacionada à atividade principal das caldeirarias, o fornecimento dos controles multiprocessadores e dos controladores programáveis lógicos (PLCs, na sigla em inglês), normalmente fica a cargo de empresas tradicionais nesse segmento, como Yokogawa, Honeywell e Alen Bradler. Segundo Ferreira, quando a Dedini, por contrato, é a responsável pelo processo industrial, em geral o sistema de controle do reator é especificado, sendo também fornecido o equipamento apenas eventualmente.

    Química e Derivados: Reatores: Só a Jaraguá constrói reatores rotativos, explica Guimarães.

    Só a Jaraguá constrói reatores rotativos, explica Guimarães.

    Expectativas elevadas – 2002 foi um bom ano para a empresa, com negócios concentrados em petroquímica. A Dedini fechou quatro contratos de fornecimento com a Rio Polímeros, tornando-se o maior fornecedor individual do projeto, com mais de 70 itens. O primeiro dos contratos englobava a fabricação de reatores, sem o fornecimento do sistema de agitação. Já em 2003, de acordo com o gerente comercial, as vendas até o momento concordam com o previsto.

    Mas há boa expectativa devido ao grande número de cotações efetuadas para diversos projetos de ampliação e construção de novas unidades da Petrobrás. A Dedini é subcontratada de empresas de engenharia parceiras da estatal, sob o modelo EPC (Engineering Procurement Construction).

    Outro importante fabricante de bens de capital para a indústria de base é a Jaraguá, de Sorocaba-SP, adquirida pelo grupo Garcia há cerca de três anos, e apta a produzir reatores para fase líquida e gasosa (reatores de contenção em batelada, abertos ou fechados), vasos de agitação vertical, reatores contínuos horizontais e reatores intensivos, em batch ou contínuos.

    Um desenvolvimento exclusivo da empresa são os reatores rotativos, cuja tecnologia de produção já tem cerca de dez anos. São equipamentos específicos para reações críticas em termos de estequiometria do processo, caracterizados por grandes volumes, como a produção de 350.000 toneladas/ano de produto.


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