Química

15 de junho de 2010

Químicos – Sinal da química verde se abrirá em 2011, o Ano Internacional da Química

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Publicado por: Hilton Libos
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    nova diretoria da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) estabeleceu ações educativas de comunicação, políticas e administrativas como metas mais significativas de sua gestão. Depois de assumir a presidência da SBQ durante o seu 33º encontro anual – que reuniu mais de três mil profissionais de 28 a 31 de maio, em Águas de Lindoia-SP –, o professor César Zucco explicou que as propostas foram norteadas pelo lema “Química Por Um Mundo Melhor”, proclamado na assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabeleceu 2011 como o Ano Internacional da Química. A partir do próximo ano, a Unesco se encarregará de movimentar a comunidade química mundial com ações regionais lideradas pelas suas sociedades nacionais de química, enquanto localmente a SBQ vai desenvolver uma discussão nacional em torno do tema.

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    Zucco: rigor científico e ação ambientalista

    Além dessas diretrizes, o professor Zucco adiantou que os químicos têm que ocupar mais e melhor os espaços propositores de políticas de desenvolvimento. “Entre os membros da Comissão Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação participam pouquíssimos químicos, proporcionalmente. Em relação a outras áreas somos minoria”, disse o novo presidente da ABQ, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa desse estado (Fapesc). Isso, apesar de o setor químico figurar como o terceiro que mais contribui para o PIB brasileiro, após os segmentos de alimentos, bebidas e combustíveis – que evidentemente têm sinergia direta com o setor. O parque químico na cadeia produtiva do setor petrolífero foi responsável pela movimentação de R$ 122 bilhões em 2008, equivalente a aproximadamente três por cento do PIB. Na somatória global, o setor químico é responsável por aproximadamente 30 por cento do PIB.

    A ex-presidente da ABQ, professora Vanderlan Bolzani, garantiu a continuidade de sua participação no trabalho dentro dos objetivos da atual gestão da entidade, como integrante do conselho consultivo. “Estamos deixando uma sólida base de avanço para a próxima diretoria”, disse a professora Vanderlan, declarando-se gratificada ao ver as salas de simpósios, cursos e corredores repletos de jovens profissionais químicos. Numa conversa aberta e sem formalidades com esses jovens ao iniciar os trabalhos da ABQ, o Prêmio Nobel de Química Martin Chalfie, pesquisador do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Columbia (EUA), observou que atualmente deve-se buscar formas de instigar a juventude para o mundo da ciência, valorizando a pesquisa básica, lançando um alerta para a necessidade de uma postura devotada que segundo ele requer a disposição “de estudo permanente ao longo de toda a vida”.

    O ano sem fim – Para o professor Zucco, as iniciativas da ABQ nos próximos meses visam a estimular o conhecimento, as funções e a presença da Química nos diversos estratos da sociedade “para que toda a sociedade se una em uma reflexão conjunta sobre o papel da Química para manter o avanço civilizatório de um mundo justo e sustentável”. Segundo ele, 2025 foi escolhido como ano base para as primeiras avaliações dessa projeção sob o ponto de vista de desenvolvimento científico e tecnológico e também da formação do químico.

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    Mais de 3 mil profissionais na 33ª Reunião da SBQ em Águas de Lindoia

    Os enfoques de discussão foram concebidos como autênticos marcos fixos para o percurso do novo caminho de sustentabilidade para o setor. “Nós depreendemos que o Ano Internacional da Química já começou e deverá continuar ad aeternum, para realmente aplicar com firmeza e rigor o conjunto de medidas de preservação e sustentabilidade ambiental necessárias para a conservação do planeta”, afirmou.

    Durante o século 20, a imagem da Química foi manchada por experiências ligadas com a aplicação inconsequente de conhecimentos assimilados em seu âmbito de atuação, independentemente dos benefícios científicos e tecnológicos proporcionados. “Os profissionais da Química sabem o que seria da humanidade sem os desenvolvimentos da ciência, mas a sociedade não tem clareza do que significa a Química para o desenvolvimento ou, indo além, a importância da Química no cotidiano de sua vida”, destacou Zucco.

    Quando se diz que a Química tem a pecha de ser poluidora, letal e perigosa, não há como negar a existência da fabricação de vários produtos e processos que impactam o ambiente ou oferecem outros riscos. “Mas o controle disso depende de ações da sociedade. Se temos o processo sujo de uma determinada indústria, compete à sociedade bloqueá-lo e exigir a sua substituição por processos limpos”, disse Zucco. Para ele, é nesse ponto que a química verde, limpa e sustentável, resume toda a questão, rompendo com antigos paradigmas. “Em todo o mundo desenvolvido e aqui também, a sociedade se articula e já está aprendendo a se mobilizar para o boicote do consumo de produtos ambientalmente incorretos”, salientou.

    A indústria tem uma clareza muito grande em relação a esse movimento dos consumidores e, segundo o professor Zucco, há décadas se preocupa em evitar ou reduzir ao mínimo os efeitos dos seus produtos. “Nós temos duas linhas de ação em relação a isso: primeiro, temos que desmistificar essa pecha da química como uma indústria prejudicial. É uma questão de convencimento, mostrar a utilidade que ela tem”, esclareceu o professor Zucco.

    Prioritariamente, as crianças e jovens são o público-alvo para essa campanha de esclarecimento com apoio da American Chemical Society, basicamente composta por uma série de programas, com material didático, exposições e pôsteres temáticos. “É necessário mostrar a beleza da Química na vida, nos materiais sintéticos, tratamento de superfícies, roupas, informática, alimentação, porque tudo na verdade é baseado na química pura”, explicou o novo presidente da SBQ.


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