Química

14 de dezembro de 2002

Química: Setor propõe uma política industrial ao novo governo

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Empresários querem aproveitar ímpeto nacionalista da nova administração federal para criar instrumentos fiscais, financeiros e de fomento e ampliar a competitividade da química nacional

    Química e Derivados: Química: perspectivas_abre.

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    ma bandeira antiga do empresariado nacional volta a ser hasteada e torna-se a principal esperança da indústria para enfrentar os próximos anos de modo mais competitivo. Aproveitando o discurso nacionalista do governo eleito e movida por um certo temor com a provável adesão do Brasil à Alca, em 2005, submetendo as empresas nacionais a uma competição agressiva vinda do Hemisfério Norte, a expressão “política industrial” (PI) retorna ao vocabulário das principais associações de classe. A nova onda tem gerado estudos e seminários, cujos resultados serão entregues aos implementadores da política de desenvolvimento do governo petista.

    “Tudo indica que o PT deve adotar uma política industrial ampla para o País”, afirmou José de Freitas Mascarenhas, diretor da Odebrecht e da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). E se assim o fizer, na visão do executivo, o governo estará acertando. “Todos os países desenvolvidos possuem uma ação harmonizada para desenvolver e manter a indústria, que não envolve apenas subsídios e barreiras comerciais”, diz. Segundo ele, essa política industrial, porém, não pode ser autárquica e indiscriminada, como a da época do “Brasil Grande”. Deve privilegiar os setores dinâmicos e importantes para o desenvolvimento em cascata da indústria nacional. Afinal de contas, uma PI inteligente tem como objetivo promover benefícios na ponta, ou seja, gerar empregos e desenvolver o País, e não apenas enriquecer um grupo de empresários, como no período do mercado fechado.

    Química e Derivados: Química: Mascarenhas - preferência para setores dinâmicos.

    Mascarenhas – preferência para setores dinâmicos.

    O caso da indústria química, na opinião de Mascarenhas, é bom exemplo para estimular a pretendida ação governamental. A despeito de muitos considerarem o setor brasileiro pouco competitivo em termos globais, não se deve subestimar a sua importância, deixando de incentivá-lo. “Nenhum país que se pretende desenvolvido pode ser totalmente dependente de importações na área química, tendo em vista o caráter interindustrial do setor”, alerta o diretor. Isso significa que a dificuldade no fornecimento e o encarecimento de custo provocados por importações de insumos químicos reduzem a competitividade de todos os setores industriais do Brasil.

    Além da argumentação do diretor da Abiquim, o desempenho deficitário registrado na última década justifica ainda mais a adoção de uma política industrial específica para o setor químico. Durante o Encontro Nacional da Indústria Química, o Enaiq, realizado dia 6 de dezembro em São Paulo, a Abiquim revelou a estimativa de novo déficit comercial para 2002, da ordem de US$ 6,5 bilhões. Mesmo inferior ao registrado em 2001 (US$ 7,3 bi), em reais e deflacionado o valor mantém-se praticamente estável, o que continua a preocupar os dirigentes da indústria. “Nem os investimentos programados até 2007 são suficientes para reduzir o estrago na nossa balança comercial”, afirmou o presidente da Abiquim Carlos Mariani Bittencourt.

    Química e Derivados: Química: grafico1.Dentro da indústria química, o cerne do problema do déficit está no segmento de produtos de uso industrial, responsável por mais da metade do faturamento total do setor (US$ 37,5 bi), e justamente aquele com caráter mais interindustrial. Com faturamento líquido de US$ 19 bilhões, em 2002, o segmento importou US$ 8,1 bi e exportou apenas US$ 3,2 bi. Os investimentos programados, a que se referiu Mariani como insuficientes para reduzir o déficit, nesse caso envolvem US$ 3,8 bilhões até 2007, sendo US$ 1,1 bilhão destinado apenas a Rio Polímeros, cracker de etano e fábrica de polietileno em construção em Duque de Caxias-RJ pelos grupos Suzano, Unipar e Petroquisa.

    Química e Derivados: Química: Mariani - investimentos até 2007 são insuficientes.

    Mariani – investimentos até 2007 são insuficientes.

    De acordo com o presidente da Abiquim, a reviravolta na balança comercial teria que passar pela implementação de um programa amplo de medidas. Só aumentar o montante de investimentos não seria a saída, pois, ao contrário, os que se arriscaram a investir foram mais penalizados, ficando endividados em dólar. “Se nada for feito, o peso das importações no setor, da ordem de US$ 10 bilhões, continuará a pesar na estrutura de custos e sem a possibilidade de absorção no preço final, tendo em vista que não trabalhamos com margens folgadas”, diz. Daí a necessidade de medidas urgentes de salvaguarda e proteção à indústria, reivindicação que será feita oficialmente ao governo federal nos primeiros meses de 2003.

    Para embasar a proposta da Abiquim, foi encomendado um estudo junto à consultoria Booz-Allen, a ser finalizado até princípios de fevereiro. “Trata-se de uma radiografia compreensiva do setor, feita por terceiros para dar mais credibilidade, e cuja função será identificar as dificuldades e propor as possíveis remediações”, afirmou Mascarenhas. A idéia é acrescentar às propostas de resolução dos gargalos estruturais, – a questão tributária, juros e infra-estrutura –, outros temas mais específicos, como incentivo à pesquisa e, logicamente, proteção alfandegária.

    Os dirigentes da Abiquim estão confiantes na receptividade do governo às reivindicações. “Tanto por meio de seu programa de governo, como no discurso, eles têm mostrado especial atenção e preocupação com o setor”, afirmou o diretor-executivo da Abiquim Guilherme Duque Estrada de Moraes.


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