Farmácia e Biotecnologia

15 de março de 2011

Química Fina – Exportações de farmoquímicos crescem com novos investimentos

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Publicado por: Bia Teixeira
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    Química e Derivados - Química Fina - Reatores farmoquímicos da ITF, na BahiaQuímica Fina – A balança comercial da cadeia produtiva farmacêutica brasileira continua deficitária, mas um dos setores-chaves dessa indústria sinaliza um avanço: pela primeira vez em dez anos, o índice de exportações de farmoquímicos e adjuvantes, que cresceu 35% em 2010, superou o das importações, que teve uma elevação de 14,8% no mesmo período.

    Em volume financeiro, as exportações desses insumos superaram a casa dos US$ 500 milhões, passando de US$ 441 milhões, em 2009, para US$ 596 milhões no ano passado. O salto nas importações, ainda volumosas, foi menor: as compras de insumos no exterior por parte da indústria farmacêutica e dos laboratórios oficiais passou de US$ 2,108 bilhões para US$ 2,421 bilhões. O saldo negativo de US$ 1,825 bilhão em insumos farmacêuticos se reflete na dependência do país desses itens, essenciais para a produção de medicamentos.

    O volume de exportações de medicamentos, que também atingiu um marco histórico, chegando a US$ 1,1 bilhão (com um crescimento de 16,5% em relação ao ano anterior), ainda está aquém das importações, que aumentaram 38%, chegando a US$ 5,6 bilhões, gerando um déficit de US$ 4,5 bilhões no ano passado.

    No total, as importações de toda a cadeia farmacêutica (farmoquímicos, insumos, vacinas, derivados de sangue e medicamentos acabados) chegaram a US$ 8,36 bilhões no ano passado, contra exportações de US$ 1,697 bilhão, resultando num saldo negativo de mais de US$ 6,66 bilhões.

    Os gastos com importações foram altamente impactados pela aquisição de vacinas para uso humano e derivados do sangue, que aumentaram 76,6% no ano passado, devido às ameaças de epidemias, como a gripe suína (H1N1), gripe aviária (H5N1), entre outras, que levaram o governo a adquirir esses insumos extremamente dispendiosos, depois de ser acusado de lentidão no enfrentamento das crises.

    Os números são preocupantes, considerando ser o Brasil o nono mercado de medicamentos do mundo e, disparado, o maior de toda a América Latina, com uma demanda crescente devido ao aquecimento da economia e o maior acesso da população a eles.

    Mas há alguma perspectiva de melhora, no longo prazo, uma vez que embora as importações tenham aumentado 164% desde 2005, quando o país adquiria no exterior mais de US$ 3 bilhões, as vendas ao exterior vêm crescendo em ritmo maior, saltando de US$ 613 milhões, em 2005, para o montante atual (de US$ 1,697 bilhão), ou seja, um incremento de 277% nesse período.

    “Efetivamente, consolidamos alguns marcos nos últimos cinco anos, entre os quais o suporte para a criação do Laboratório de Análise de Medicamentos e Insumos (Lami), na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), inaugurado em 2008”, observou José Correia da Silva, presidente da Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica e de Insumos Farmacêuticos (Abiquif).

    “No ano passado, superamos duas barreiras importantes: a dos US$ 500 milhões/ano de exportações do setor farmoquímico, e de US$ 1 bilhão de exportações do setor farmacêutico”, complementou o executivo, também presidente da Formil Química, empresa brasileira fundada em 1973 que produz em Barueri-SP, por síntese química ou extração, insumos farmacêuticos ativos (IFAs) para o mercado interno e externo, atendendo às demandas das indústrias farmacêuticas humana, veterinária e cosmética.

    Ele confirma ser a primeira vez que o índice de crescimento nas exportações de insumos farmacêuticos é maior que o das importações, “em condições de mercado aberto”, frisou o dirigente. Há países que adotam mecanismos de reserva de mercado para esses itens.

    Ainda que otimista, o dirigente da Abiquif é cauteloso quanto a projeções para os próximos dez anos. “Creio que fazer prognósticos no longo prazo é sempre perigoso. O que podemos destacar é que a luta é sempre pela redução, pois déficit nesse segmento é uma característica de quase todos os países, exceto Índia, China e outros, com mercados menores”, afirmou.

    Correia frisou que essa autonomia só se tornou possível nos grandes países devido ao forte controle do segmento por parte do governo, que incentiva a produção local por meio de subsídios. “O problema é que possibilitam também desvios das boas práticas de fabricação e de controle, de qualquer medida nesse sentido. Quando essas excrescências forem corrigidas, muito provavelmente esses países serão deficitários também”, analisou o presidente da Abiquif.


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