Economia

25 de maio de 2016

Química e Derivados 50 anos: Meio século da história do setor químico passou pelas páginas de QD

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Química e Derivados 50 anos: Meio século da história do setor químico passou pelas páginas de QD

    A revista Química e Derivados completa em novembro 50 anos de serviços à indústria química nacional, mantendo-se fiel ao compromisso de bem informar seus leitores sobre todos os aspectos envolvidos no planejamento, produção e comercialização dos insumos.

    Meio século se passou, muitas mudanças foram feitas. Percorrer as páginas publicadas por QD nesse período permite fazer uma assombrosa viagem. Em 1965, quando o emblemático publisher e fundador da Editora Abril Victor Civita decidiu lançar a revista, a indústria química era um mero esboço do que viria a se tornar algumas décadas mais tarde. Infelizmente, por motivos vários, da falta de maiores ambições até o descalabro econômico-político nacional, o panorama atual do setor também é um pálido reflexo de momentos mais alegres, quando torres de destilação das refinarias e de colunas de separação petroquímica brotavam do solo com facilidade.

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    Primeira edição da Revista Química e Derivados

    A década de 1970 registrou atividade intensa, com a construção ou ampliação de cinco das mais modernas refinarias de petróleo do país (Replan, RPBC, Rlam, Regap, Refap). No início dos anos 1980, as refinarias de Araucária-PR (Repar) e Henrique Lage (Revap) entraram em construção.

    Na petroquímica, os polos de São Paulo (partiu em 1972), Camaçari-BA (1978) e Triunfo-RS (1982) foram erguidos, colocando o país no cenário mundial do ramo. O índice de nacionalização dos equipamentos foi crescente, chegando a expressivos 68%, surpreendendo os financiadores do BID e Banco Mundial. Comemorou-se o índice 90% de nacionalização da a parte elétrica da Copesul, que também foi única central brasileira a ter seus fornos totalmente fabricados no país (com tecnologia internacional, chapas de aço especial idem). Ponto para as caldeirarias CBC, Confab, Jaraguá, Ishibrás, Hércules e Vogg.

    Esse período de grande euforia colocou em polvorosa os fabricantes nacionais de equipamentos industriais e empresas de montagens. Construir um parque de refino e outro de petroquímica, além da pletora de obras de infraestrutura incluída pelos governos militares nos famosos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND), exigia aumentar a capacidade produtiva de forma exponencial. Mesmo assim, os fornecedores estavam com as carteiras repletas de pedidos.

    Ocuparam as páginas de QD muitas discussões sobre a necessidade de proteger as indústrias nascentes, tanto do ramo quanto químico quanto a de equipamentos. Na primeira edição da revista, Daniel Faraco, então Ministro da Indústria e Comércio e primeiro presidente do Grupo Executivo da Indústria Química (Geiquim), apresentou o conjunto de estímulos concedidos pelo Plano de Ação Econômica (PAE): elevação das alíquotas do imposto de importação aplicadas aos equipamentos com similar nacional (os sem similar local ganharam abatimento desse imposto), redução do Imposto de Renda para indústrias nascentes, e facilidade para concessão de financiamentos por parte de agentes oficiais. O Geiquim aprovaria apenas os projetos que “demonstrassem sólidos fundamentos técnico-econômicos, destinados a suprir áreas deficientes da economia nacional, substituindo importações”.

    Ascenção e queda – A lua de mel durou pouco. A euforia dos anos 1970 deu lugar à ressaca dos anos 1980, período alcunhado de “a década perdida”. Os planos oficiais eram consistentes quando se observa apenas a relação oferta-demanda em escala nacional. Dados da Petroquisa/Geplan apontavam crescimento médio do consumo aparente de termoplásticos (polietilenos, polipropileno, poliestireno e PVC) de 28,5% ao ano entre 1970 e 1974 (de 190 mil para 518 mil t/ano).

    No meio do caminho, porém, tinha uma pedra. Os dois choques do petróleo mudaram as relações de preços entre matérias-primas e produtos finais. O petróleo cada vez mais caro exigiu ajustes na economia dos Estados Unidos, que se refletiram no aumento das taxas de juros internacionais. Com isso, todos os países endividados, caso da América Latina, foram obrigados a pisar fundo no freio da atividade econômica, entrando em recessão.

    O setor petroquímico sentiu na carne, ou melhor, no bolso os efeitos dessa retração. Como analisou em novembro de 1990, na abertura da 10ª Reunião Anual da Associação Petroquímica Latino-Americana (Apla), Michel Hartveld, então presidente da entidade, a indústria regional havia investido fortemente na expansão de suas capacidades, tanto no Brasil, quanto na Argentina, México e Venezuela. Com a retração da demanda regional, não havia outra alternativa para as empresas do ramo senão aumentar suas exportações. “A despeito da incredulidade dos mercados internacionais, a América Latina passou de importadora líquida para exportadora líquida e chegou a destinar ao exterior cerca de 20% de sua produção no auge da crise, de 1982 a 1984”, informou.


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