Economia

16 de maio de 2016

Química e Derivados 50 anos: Comércio evolui com serviços

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados,

    O comércio de produtos químicos no Brasil percorreu um longo caminho, mais longo que os 50 anos da Química e Derivados, até chegar ao estágio atual de maturidade, sendo plenamente reconhecido como integrante da cadeia produtiva do setor. Podem ser identificadas quatro fases distintas da evolução do ramo.

    A primeira delas não tem um início definido, mas termina nos anos 1970, quando a indústria química brasileira ganhou corpo, erguendo um parque industrial relevante. Antes disso, os segmentos consumidores de insumos químicos se abasteciam dos poucos produtores locais – como a Elekeiroz, que completou 120 anos de atuação em 2015, Rhodia e Solvay –, ou recorriam aos importadores, alguns deles ligados a fabricantes internacionais. A Casa Fachada, por exemplo, durante muitas décadas representou os interesses comerciais da Hoechst no país, antes de ser renomeada Hoechst Comercial e Clariant Comercial. E, finalmente, extinta.

    Além destes, concorriam vários comerciantes que traziam ao país produtos químicos diversos, por sua conta e risco, vendendo-os aos fabricantes de tecidos, curtumes, tintas e outros. Nos períodos após as guerras mundiais, muitos imigrantes trouxeram na bagagem importantes contatos comerciais com seus países de origem, ampliando a gama de fornecedores ao mercado brasileiro. Foi o caso de Franco Calò, advogado italiano que se refugiou no Brasil após a ascensão do fascismo, sendo admitido nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, nas quais reforçou seus conhecimentos sobre os procedimentos comerciais do novo país e também em comércio exterior. Mais tarde abriu sua própria empresa, muito conhecida pelas importações de pedra-pomes. Não por acaso, ele foi o segundo nome a constar da lista de fundadores da então Associação dos Importadores e Comerciantes de Produtos Químicos no Estado de São Paulo, a Associquim, a qual veio a presidir.

    Essa lista foi elaborada em 1960, e era encabeçada por Paul Oreffice, então presidente da Dow Química no Brasil, que ainda não havia construído suas fábricas no Brasil, mas importava da matriz sua linha de produtos.

    A segunda fase veio em seguida. Pode-se considerar 1973, ano da partida da Petroquímica União, como divisor de águas. Desde 1965 o governo militar incentivava o desenvolvimento da indústria química nacional e seus frutos começavam a surgir. Essa fase de industrialização contou com mecanismos de proteção contra substitutos importados, dificultando progressivamente as busca de suprimentos em outros países.

    O resultado foi a maior aproximação dos comerciantes e fabricantes, porém com reservas de parte a parte. Surgiram, então, os contratos de distribuição por linha de produto e área de atuação. Com a importação bloqueada, contar com um contrato era a garantia de poder suprir sua clientela, agora limitada em tamanho – os grandes consumidores eram atendidos diretamente pela indústria. A imagem do setor foi abalada, ficando muito ligada aos casos de adulteração de produtos, a tal venda de gato por lebre, tema de uma importante reportagem de QD nos anos 1980. Isso exigiu um grande esforço da Associquim e dos distribuidores para mostrar ao mercado suas políticas de qualidade assegurada.

    Os anos 1980 foram pródigos em dificuldades. Várias crises econômicas, inflação elevada, juros exorbitantes (parece familiar, mesmo aos mais jovens), tudo isso afetava diretamente os distribuidores. Tabelas de preços mudavam da noite para o dia, exigindo manter estoques elevados, uma vez que a valorização dos produtos era maior que o ganho no overnight. Foi um tempo em que construir tancagens e bases operacionais estava na ordem do dia. Alguns empresários mais antigos se lembram dessa época com alguma nostalgia: os lucros eram elevados, porém isso não impediu algumas quebras formidáveis, como a da Audi, uma das grandes (e poucas) distribuidoras autorizadas de solventes hidrocarbonetos. Nesse período, o Grupo Ipiranga resolveu ampliar sua atuação no setor químico, reforçando o alcance de seu braço comercial em solventes, uma grande porta de acesso a vários segmentos industriais.

    Essa fase terminou com o anúncio do Plano Collor de Mello (1990). Mirando o coração do “tigre da inflação”, ele atingiu o bolso dos empresários. O dinheiro ficou curto no mercado, com as contas correntes congeladas em NCz$ 50 (cruzados novos era a moeda vigente). Além disso, o governo identificou corretamente a necessidade de modernizar as relações comerciais. As importações começaram a ser liberadas, aumentando a pressão sobre as cadeias produtivas locais. O setor de solventes se preparou para uma nova regulamentação, que exigia investimentos em instalações físicas adequadas, capital de giro comprovado e outras qualificações. Na hora “H”, o governo optou por uma desregulamentação quase caótica, com poucas exigências de qualidade, permitindo que muitos interessados retirassem os solventes das bases da Petrobras. Isso levou ao aumento da mistura de solventes na gasolina e também provocou a quebra de empresas que tinham investido pesado nas suas bases, caso típico da Ibrasol, a maior do ramo.


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