Couro e Curtumes

8 de agosto de 2011

IYC 2011 – Química do Couro – Ciência transforma pele natural em couro durável

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    IYC 2011, Química do Couro, Ciência transforma pele natural em couro durável

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    s atividades do Laboratório de Estudos em Couro em Meio Ambiente (Lacouro) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ilustram muito bem a relação direta entre a química e a cadeia produtiva do couro. Entranhado dentro da estrutura acadêmica, o Lacouro opera em sintonia com a indústria, realizando pesquisa pura e aplicada, oferecendo novas possibilidades tecnológicas para a evolução do setor.

    À frente do grupo de pesquisadores está a diretora do Lacouro, Mariliz Guterres, uma das poucas pessoas no Brasil com grau de doutorado na área da química para couro com tese defendida no Technische Universität Bergakademie Freiberg (em 2001). Mariliz explica que no couro tudo é química, pois qualquer transformação parte do pressuposto de que o couro tem sua própria estrutura química, ou melhor, sua bioquímica, por derivar de matéria orgânica viva com características biológicas bem definidas.

    “Tudo começa no estudo da matéria-prima original, antes de se pensar em qualquer modificação. Quando se pensa em transformar quimicamente a pele em couro, deve se levar em conta a própria estrutura química da pele, uma estrutura fibrosa natural, ou de origem biológica de um tecido animal. A unidade menor dessa estrutura são os aminoácidos, que formam as proteínas”, ensina Mariliz.

    química e derivados, Lacouro, Mariliz Guterres, couro

    Mariliz: tratamento é químico da salga ao acabamento –

    Nessa caracterização, ela explica que a conformação das cadeias proteicas irá formar o colágeno. “Todo couro forma cadeias iguais e o que os diferencia é o tipo de pele: se é de um humano, de um ovino ou de um bovino, o sequenciamento comandado pelo DNA é o diferencial”, analisa a pesquisadora.

    No caso da pele bovina do Rio Grande do Sul, ou do Nordeste ou da China, todas têm a mesma estrutura proteica. O que muda são os fatores externos. O clima mais seco ou mais úmido, a maior incidência de gordura, o ataque de parasitas. Essa estrutura será sempre a mesma, com uma conformação de aminoácidos idêntica. “Um cruzamento genético entre bovinos dará o mesmo sequenciamento de aminoácidos”, pontua Mariliz.

    Entretanto, mantido no estado natural, o couro apodrece. A química entra nesse momento para impedir a decomposição bioquímica e conservar as características da pele. Nesse caso, é preciso realizar uma série de operações até se obter o couro acabado, divididas em três fases básicas. A primeira é a salga, que pode ser feita ainda no abatedouro. O cloreto de sódio, aplicado em grãos, desidrata a pele, retirando a umidade necessária para o desenvolvimento de fungos e bactérias. O resfriamento pode ser uma alternativa mais sofisticada para essa situação.

    Depois da salga, é preciso limpar a pele, nas chamadas operações de ribeira, para uma separação preliminar dos resíduos de carnes e gorduras, preparando para a etapa seguinte. Como a pele ainda está salgada, inicia-se a retirada do sal batendo-a no chamado fulão charuto vazado, para saída da água salgada.

    Posteriormente, é iniciado o remolho com a reposição de água (o couro original tinha 70% de umidade), contendo agora substâncias químicas tensoativas, para quebrar a tensão superficial, e produtos alcalinos, para emulsionar as gorduras residuais. Para essa operação, a química avançada desenvolveu a alternativa das enzimas. A partir daí, a pele será descarnada, operação na qual toda a gordura restante será retirada por meio de um processo mecânico com lâminas que dividem a pele nas camadas cutânea e subcutânea. Retira-se a carnaça e surgem resíduos que podem ser aproveitados.

    A pele remolhada e descarnada vai para a depilação no caleiro. Os pelos são degradados por hidrólise com sulfeto de sódio e cal, em condição alcalina. Há um inchamento da pele que assume uma aparência translúcida, a “pele em tripa”. É preciso criar condições para estabilizar quimicamente o material para ser descarnado novamente, retirando resíduos.


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