Calor Industrial

7 de dezembro de 2001

Queimadores: Equipamentos a gás reaquecem o setor

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    A disponibilidade do gás natural e o uso do GLP como combustível industrial impulsionam a venda de queimadores

    Química e Derivados: Queimadores: Clientes optam por queimadores duais por temerem desabastecimento.

    Clientes optam por queimadores duais por temerem desabastecimento.

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    inalmente em curso, o uso do gás como combustível industrial começa a criar um clima de contentamento junto aos fabricantes de queimadores. Depois de muitos anos de expectativa, a substituição de equipamentos projetados para queimar o ultrapassado óleo pesado pelos específicos para o gás deslanchou a partir de 2001. É consenso entre as principais empresas que, a despeito do desempenho tímido da economia, as vendas se revelaram bastante satisfatórias. e as perspectivas para os próximos 5 a 10 anos, prazo estimado para a troca quase total dos queimadores antigos, devem ser de continuidade da bonança.

    A oferta de gás natural, aumentada de forma considerável com a entrada em operação do Gasoduto Brasil-Bolívia, não foi a única responsável pelo bom desempenho do mercado. Muitos clientes, principalmente os ainda não cobertos pelos ramais do gás boliviano, adotam com freqüência o gás liqüefeito de petróleo (GLP), fornecido pelas distribuidoras em grandes cilindros estacionários.

    Química e Derivados: Queimadores: Braun comemorou recorde de vendas em 2001.

    Braun comemorou recorde de vendas em 2001.

    A tendência do GLP tem duas motivações. Em primeiro lugar, as empresas optam por esse combustível como uma etapa preliminar para a futura disponibilidade de gás natural em suas regiões. Já a segunda motivação reside no fato de os órgãos ambientais estarem recomendando a adoção dessa matriz energética limpa como forma de as fiscalizadas adequarem seus padrões de emissão de poluentes.

    Houve ainda um outro aspecto positivo para o setor de queimadores. A crise energética no segundo semestre apressou alguns investimentos em sistemas de calor mais modernos e econômicos. Nesse caso houve a opção não só por queimadores a gás para substituir o óleo como para tomar o lugar de sistemas de estufas elétricas, por exemplo. Com todo esse cenário favorável, hoje o uso do óleo combustível, na opinião dos fabricantes de queimadores, limita-se mais a empresas de menor porte localizadas em regiões interioranas do País.

    Recorde de vendas – Uma idéia do novo gás do segmento se consegue pela análise do desempenho de uma companhia tradicional, a Weishaupt, grupo alemão que comemorou 30 anos de Brasil em 2001.

    Para o diretor da filial local, Johann Braun, o ano do aniversário foi também o melhor da história da empresa, tanto em faturamento como em lucros.

    Apesar de recentemente a Weishaupt ter reduzido várias de suas despesas – como na ocupação de um prédio menor e o aluguel do restante de sua área construída de 8 mil m² no bairro de Santo Amaro, em São Paulo –, o motivo principal para os bons resultados foi a nova demanda por queimadores a gás.

    Química e Derivados: Queimadores: Linha W da Weishaupt - microprocessado.

    Linha W da Weishaupt – microprocessado.

    Mesmo sem revelar o volume ou o valor das vendas de queimadores, Braun afirma, em termos percentuais e em moeda nacional, que as negociações subiram 42,4% em comparação com 2000 e, em faturamento, 46,6%. As vendas totais e o faturamento, incluindo-se aí serviços e reposição, elevaram-se por volta de 28%.

    Para Braun, esse desempenho em vendas de equipamentos deve se manter nos próximos anos e, no caso de serviços e reposição, há a certeza de aumento, tendo em vista o maior número de queimadores da empresa em operação no mercado.

    Outros percentuais apresentados pelo gerente comercial da Weishaupt, Carlos Rico, confirmam a influência da opção pelo gás nas vendas da empresa. Dos queimadores comercializados em 2001, 79,6% operavam com gás; 10,8% eram sistemas duais (óleo e gás); 1,3% foram reformas de equipamentos de óleo para gás; e apenas 8,3% ainda usavam o óleo pesado como combustível de queima. “Esses números ganham mais importância ao se lembrar que há quatro anos o perfil era completamente contrário, ou seja, 80% das vendas eram de queimadores de óleo”, comparou Rico. De 2000 para 2001 a mudança também foi marcante, já que no primeiro ano as vendas revelaram igualdade entre os dois tipos.

    Para entender melhor os negócios surgidos com o gás, vale citar mais algumas porcentagens apontadas pela Weishaupt. Dos 79,6% de queimadores monoblocos e duoblocos para gás vendidos pela empresa, cerca de 50,1% foram em fornecimentos para GLP; 29,3%, para o natural; e 0,2% de gás de nafta. Para o diretor Johann Braun, além de explicar a ainda não disponibilidade integral do gás natural, esses números revelam a facilidade de conversão desses sistemas.

    “Quando o gás natural chega, e a empresa já está com o GLP, basta fazer um ajuste na vazão do queimador”, diz. O ajuste, realizado por um técnico da empresa, é necessário porque o poder calorífico do gás natural é menor, o que demanda uma entrada maior de gás no equipamento para se ter a mesma capacidade de queima.

    As vendas para atender os sistemas de GLP criaram até um novo tipo de cliente: as companhias de distribuição de gás, como Ultragás, Minasgás, Shell, entre outras. Isso porque, para incentivar o uso do GLP em indústrias, as próprias distribuidoras financiam as reformas dos sistemas de aquecimento, adquirindo no mercado queimadores, caldeiras, entre outros equipamentos, e cobrando o investimento por meio de acréscimos no valor da tarifa de consumo do gás.

    Para distribuidoras – Alguns fornecedores estão tirando bastante proveito do mercado das distribuidoras, sobretudo aqueles que conseguem ofertar queimadores com custo reduzido. Seria o caso de fabricantes italianos, como Ecoflam e Riello, ou de nacionais, como a RayBurners. Já a Weishaupt, segundo explicou seu gerente comercial, Carlos Rico, não enxerga nesse mercado um filão para a empresa. “Vendemos direto para os clientes, pois as distribuidoras visam apenas o preço e não é esse o nosso perfil”, critica.


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