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25 de dezembro de 2003

Qualidade: Ensaios não-destrutivos ganham impulso normativo

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Publicado por: Marcio Azevedo
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    A Associação Brasileira de Ensaios Não-Destrutivos e Inspeção (Abende) está prestes a se tornar organismo de normalização setorial (ONS) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A partir do credenciamento, as práticas recomendadas pela Abende se revestem do caráter oficial da estrutura da ABNT e poderão tornar-se normas brasileiras sobre ensaios não-destrutivos.

    Química e Derivados: Qualidade: Conte - só há duas normas obrigatórias para END.

    Conte – só há duas normas obrigatórias para END.

    O Brasil possui atualmente dois documentos mandatórios no assunto. Um regulamento técnico do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) exige a inspeção não-destrutiva de caminhões que fazem o transporte rodoviário de produtos perigosos; e a norma regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho 113.000-5, conhecida como NR13, regula caldeiras e vasos de pressão no âmbito da segurança do trabalho. Mas, embora as técnicas não-destrutivas estejam bem disseminadas entre as empresas de maior porte, “há falta de normas técnicas brasileiras sobre END, apesar do esforço das diversas comissões da ABNT”, constata João Antonio Conte, diretor executivo da Abende. “Ainda existe carência muito grande se considerarmos a necessidade de aplicação de ENDs em quase todos os setores industriais”, diz. Na Alemanha, por exemplo, 143 normas compulsórias obrigam a aplicação de ENDs.

    “Estamos a anos-luz de distância. Em relação às chamadas normas voluntárias, o campo de ação da ABNT, há muito a se fazer”, observa Conte.

    A Abende mantém comissões de estudos na ABNT formadas por especialistas em diversas técnicas de ensaios não-destrutivos (ENDs), trabalhando voluntariamente. Em reuniões periódicas, eles elaboram documentos com status de práticas recomendadas pela associação. Findo o processo de credenciamento como ONS, a Abende pretende submeter essas práticas à votação nacional, por intermédio da ABNT, para que se tornem normas brasileiras sobre ENDs.

    À época da fundação da Abende, em março de 1979, os ensaios não-destrutivos já tinham grande aplicação na indústria pesada de bens de capital e nos setores petroquímico e de petróleo, amparada por especialistas treinados no exterior e pelo apoio de algumas empresas internacionais. De lá para cá, ocorreu grande desenvolvimento mas de maneira assimétrica. No caso do setor de petróleo, principalmente devido à ação indutora da Petrobrás, houve grande evolução, inclusive na automação das técnicas não-destrutivas. Setores em que as demandas por requisitos de segurança são máximos também utilizam END, caso do aeronáutico/aeroespacial (a Embraer é uma grande usuária), automotivo (onde também há grandes avanços no quesito automação), nuclear e siderúrgico.

    No caso específico do setor de petróleo, a Petrobrás já utiliza normas desenvolvidas pelo seu corpo técnico, e também normas internacionais, como o código Asme (criado pela American Society of Mechanical Engineers – Associação Americana de Engenheiros Mecânicos), que também regula a fabricação de caldeiras e vasos de pressão. Alguns outros setores também seguem normas próprias. Segundo Conte, as normas da Petrobrás são sempre referência em qualquer comissão de estudos da Abende ou da ABNT, e serão utilizadas, em conjunto com outras desenvolvidas no País, como base para a criação das normas brasileiras. “Não se trata de criar um Asme brasileiro, absolutamente. Mas existe a necessidade de normas complementares específicas para a realidade do País”, explica o diretor.

    O benefício do emprego de técnicas não-destrutivas é a possibilidade de utilização das peças após os ensaios, sem deterioração de seu desempenho. O Brasil é mais próximo da vanguarda em ENDs nas áreas de ultra-som, radiografia digital, emissão acústica, termografia e partículas magnéticas.

    Mas há outras vantagens menos claras. Uma delas possibilita o uso de ENDs em manutenção preventiva e preditiva de máquinas: algumas técnicas não-destrutivas podem prever falhas nos equipamentos e o período em que eles podem operar sem problemas. “Em algumas indústrias em que não podem haver paradas, como nas de papel e no setor eletromecânico pesado de Itaipu, há monitoramento por ENDs”, afirma Conte.

    Outra possibilidade é garantir o funcionamento do equipamento em determinadas condições de risco. Se um equipamento apresenta algum defeito, uma trinca, por exemplo, é possível assegurar-se a operação correlacionando-se um END com outras ciências, como a de materiais.

    Treinamento e certificação – Um dos pontos de maior atuação da Abende é o treinamento de profissionais. O intenso programa de treinamento desenvolvido em parceria com empresas, em vários estados do Brasil, já formou cerca de 12.000 profissionais em todo o País.

    A etapa de treinamento, contudo, deve ser complementada pela qualificação e certificação dos profissionais. A Abende é um dos três organismos oficiais de certificação de pessoal no País credenciados pelo Inmetro (o único na área de END). Muitos profissionais do Brasil, entretanto, são credenciados por outros organismos, alguns bastante difundidos, como a American Society for Non Destructive Testing, a equivalente americana da Abende. “Muita gente é certificada por esse sistema porque o código Asme prevê a necessidade de certificação nos casos de exportação de equipamentos”, justifica Conte. Segundo ele, chega a 4.000 o número de profissionais qualificados e certificados nas diversas técnicas de END, cujo certificado é emitido com o selo da Abende e do Inmetro.


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