Posto de Escuta

18 de outubro de 2013

Posto de Escuta: Carteira Química

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Publicado por: Albert Hahn
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    meio do ano é a época de safra para os resultados das empresas, ano 2012. Aproveitamos para dar uma varrida no desempenho de umas 50 firmas químicas norte-americanas, europeias e japonesas, e procurar tirar daí alguns ensinamentos para aqueles que estiverem administrando, ou pensando em constituir, uma carteira de ações químicas. Sem procurar chegar ao nível do “stock picking” em si – prática sempre arriscada, mesmo em época de otimismo nas bolsas mundiais –, deu para tirar algumas conclusões úteis.

    Expectativa de crescimento – Ceteris paribus, para uma taxa interna de retorno aceitável aos olhos do investidor – por exemplo, 10% a 12% ao ano para o caso da indústria química –, o P/L (preço da ação dividido pelo lucro da empresa) máximo é função do crescimento projetado para as várias atividades da empresa. A título de exercício numérico, esse P/L seria 22% superior para uma empresa cujo faturamento projetado cresce 8% por ano, comparado com outra de apenas 3% anuais. Resta saber quais são os segmentos que, ao longo das próximas duas décadas, ainda apresentam perspectivas de crescimento superiores às da economia mundial.

    Os mais promissores parecem ser:
    • Novos polímeros e seus compósitos, em resposta à busca de um mundo mais leve, menos denso e menos ávido de energia primária;
    • Tudo que tenha a ver com geração intermitente e, por conseguinte, de armazenamento de energia elétrica;
    • Com certas reservas, a química das “life sciences”;
    • Certas famílias de especialidades, por exemplo, os adesivos;
    • Química fina inorgânica.

    Faturamento específico – Entre as 50 empresas estudadas, esse índice vai de menos de US$ 300 mil/funcionário-ano a mais de US$ 1 milhão. Esse critério tem alguma validade para um grupo de empresas mais ou menos parecidas em seu perfil. Por exemplo, esse índice é mais baixo do que a média para o grupo dos grandes especialistas em gases industriais, os quais partem de uma matéria-prima que não poderia ser mais barata. Inversamente, certos segmentos partem de matérias-primas que já nascem caras, como na química fina ou em certos setores inorgânicos. Ainda assim, convém dar alguma importância a esse índice. Mais prático, talvez, seja adotar outro índice, o lucro anual por funcionário, que deveria se situar acima de uns US$ 45 mil. Do nosso universo de 50 empresas, apenas nove satisfazem essa condição. Mas o mercado não é bobo e, dessas, apenas três ou quatro ainda “dão para encarar” do ponto de vista do P/L.

    Margem de lucro – As margens da indústria química andam baixas. Entre os grandes grupos diversificados, de base predominantemente orgânica, está difícil encontrar desempenhos acima de 6%-7% do faturamento. Mas, entre as empresas mais focadas em química inorgânica, existem diversas na faixa dos 10%-12%, sem prejuízo de um P/L aceitável – seriam nossas primeiras opções.

    Dividendos – Persiste algum preconceito contra dividendos, do tipo “hipotecar o futuro da empresa”, mas, com as perspectivas reduzidas de crescimento real, deve-se olhar com melhores olhos para aquelas empresas que tratam bem os seus acionistas. Algumas são grandes empresas que seguem essa orientação de forma rotineira. Também existem aquelas empresas “de facto” controladas até hoje por descendentes das famílias fundadoras…

    P&D – No médio prazo, empresas que gastam pouco com pesquisa devem ser encaradas como demasiadamente imediatistas. Mais uma vez, esse “pouco” é função do tipo de empresa. Cerca de 2.5% do faturamento é normal para uma empresa grande e diversificada, mas esse coeficiente seria bem maior se a participação das ciências da vida for elevada, por exemplo, aquelas empresas químicas que ainda não se desfizeram de suas atividades farma (em que se costuma gastar de 15%-20% do faturamento em P&D).

    Capex – Empresa que reinveste pouco está vivendo de suas glórias passadas. Para um grupo grande e diversificado, o capex saudável andaria em torno de 5% do faturamento; nos segmentos de crescimento mais rápido, o índice desejável estaria mais próximo dos 8%; e, no nicho dos gases industriais, pelos motivos já apontados, 12% seria mais representativo.
    Das 50 ações examinadas, quatro ou cinco satisfazem todos os critérios sem que seu P/L tenha atingido um ponto de “cut-off” de 12 ou 13. Mas dizem que, em matéria de bolsa, o emprego da lógica leva direto à ruína…



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