Posto de Escuta

26 de agosto de 2013

Posto de Escuta: Cal: um panorama

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Publicado por: Albert Hahn
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    reação de decomposição de rochas calcárias, dando cal, era conhecida do Pithecanthropus e foi primeiro utilizada como ligante de argamassa, em 3000 a.C. Quem conta isso, e muito mais, é a magnífica monografia “A cal”, de autoria de um antigo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Cal (ABPC), o engenheiro José Epitácio Passos Guimarães. Apesar desses milênios que a cal carrega nas costas, trata-se de um produto vivo, cuja produção continua acompanhando o crescimento da atividade econômica, fato enfatizado pela recente mudança de sede da entidade, da rua Marconi para a avenida Faria Lima, na capital paulista.

    Química e Derivados, Posto de Escuta, Albert HahnAplicações:

    Aço – Emprega-se cal, como fundente, tanto na produção de aço em conversores a oxigênio quanto em FAE. Tradicionalmente, uma aciaria de alto-forno tinha seu próprio forno de cal, mas nos últimos tempos houve uma tendência a terceirizar, o que explica uma queda nos últimos cinco anos de 500 mil t/ano na produção de cal para uso cativo.

    Construção – Cerca de 2.6 milhões t/ano de cal são usadas na construção, o que significa, em primeiro lugar, cal hidratada para argamassa – industrializada ou misturada na obra; essa última ainda representa 95% de um total estimado em ~125 milhões t/ano no país. Nessa aplicação, a cal começa a sofrer concorrência de outros plastificantes e ligantes. No Nordeste e no Sul ainda existe um mercado considerável para tintas imobiliárias à base de cal.

    Indústria Química – Em escala mundial, o grande consumidor de cal é o processo Solvay (barrilha). No Brasil, os grandes derivados são:

    •Óxido de propeno (planta da Dow, BA);

    •Carbureto de cálcio (forno para o consumo cativo da White Martins, RJ);

    •Carbonato de cálcio precipitado (PCC) – As unidades-satélite de slurry das fábricas de papel usam cal comprada, e o CO2 vem das caldeiras de recuperação. No Brasil, existem umas dez dessas unidades over the fence;

    •Fosfato bicálcico – O grosso é obtido de rocha, mas existe produção oriunda de cal virgem, que consome umas 100 mil t/ano para fazer produto de baixo teor de MCP (fosfato monocálcico).

    Pelotização (finos de minério de Fe) – Mercado disputado por dois aglomerantes: cal e bentonita. A cal é mais barata, e reduz um pouco aquilo que é preciso acrescentar no alto-forno; a bentonita proporciona uso específico menor.

    Não ferrosos – Usa-se cal para recuperar a soda cáustica usada na transformação de bauxita em alumina pelo processo Bayer.

    Calagem de solos – Principalmente em culturas de ciclo curto (hortigranjeiros). Para comparação, expresso em CaO equivalente, o consumo de calcário moído é 30-35 vezes maior.

    Indústrias alimentícias – Usa-se cal na produção de açúcar, e como desidratante na transformação de polpas cítricas em pellets para alimentação animal – conhecidos como CPP.

    Meio ambiente – Nos EUA, o tratamento de águas e esgotos, somado à purificação dos gases de chaminé das termoelétricas a carvão, representa um terço da demanda. No Brasil, não passa de 2%, em boa parte pela pouca importância do carvão na matriz energética.

    Produção:

    De Minas Gerais sai 75% da cal virgem produzida no Brasil. Essas cerca de 5.0 milhões t/ano provêm de duas regiões:

    •Arcos e arredores, a oeste de BH;

    •Pedro Leopoldo e arredores, entre BH e Lagoa Santa.

    Os principais produtores mineiros (~75% da produção do estado) são:

    •ICAL (quatro plantas);

    •Belocal (grupo belga que adquiriu as atividades de cal industrial do grupo Votorantim;

    •Óxidos do Brasil, que centraliza os serviços de comercialização, engenharia e P&D para meia dúzia de médios produtores da região de Arcos. Com o projeto em andamento de um novo forno rotativo em Córrego Fundo, a capacidade desse grupo de produtores chegará perto de 1 milhão t/ano.

    Os 25% restantes correspondem aos pequenos produtores do oeste mineiro, incluindo uma cooperativa (Cooprocal) que reúne uns 80 desses fornos.

    A produção do Paraná, segundo estado produtor, encontra-se concentrada em torno de Colombo (região de Curitiba). Cerca de metade é representada por duas empresas: Cibracal e Frical.

    O restante provém de cerca de 40 produtores, entre pequenos e minúsculos. A produção paranaense é quase toda de cal dolomítica, uma vez que a indústria cimenteira controla as jazidas conhecidas de rocha calcítica.

    A Região Nordeste é a que mais cresce como produtora de cal, pois ambos os líderes nacionais encontram-se perto de dar partida nos novos fornos localizados perto de Mossoró, RN:

    •ICAL: Dois fornos verticais Maerz (total, 400 mil t/ano);

    •Belocal: Forno rotativo de 300 mil t/ano, em joint venture com a CMM Cal. O forno virá da China.

    Boa parte desse incremento se destina ao consumo da siderúrgica de Pecém, CE.

    São Paulo quase não produz cal industrial. O maior produtor de cal hidratada do país é o grupo Votorantim. Existem outros, inclusive alguns não integrados, que hidratam cal virgem vinda de fora do estado.


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