Tecnologia Ambiental

15 de junho de 2009

Poluição do ar – Fornecedores vendem grandes sistemaspara controlar enxofre e particulados

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    nquanto o mercado de controle de NOx e VOCs não começa de fato a dar os resultados esperados, o que aquece as vendas atuais dos fornecedores ainda é o velho combate a materiais particulados, com o uso de filtros de tecido (manga) e precipitadores eletrostáticos. Além disso, com exceções de alguns fornecimentos grandes e pontuais, o que se vê no grosso da indústria são no máximo o uso de lavadores de gases, empregados para abater de forma não muito efetiva outras necessidades, como a remoção de SOx (compostos sulfurosos).

    Química e Derivados, Projeto em 3D da planta de desulfurização de gases de usina térmica a carvão, Poluição

    Projeto em 3D da planta de desulfurização de gases de usina térmica a carvão

    Dentre as possibilidades de fornecimentos mais importantes, a partir da última década, os destaques foram as grandes vendas para os setores de mineração e siderurgia controlarem seus materiais particulados e, mais recentemente ainda, para as usinas térmicas a carvão monitorarem as emissões de enxofre. Este último caso rendeu neste ano uma obra de R$ 200 milhões para a Enfil, que ganhou concorrência para a engenharia e o fornecimento de sistema de dessulfurização de gases de quatro usinas térmicas a carvão do grupo MPX no nordeste brasileiro (três no Ceará e uma no Maranhão).

    Os sistemas são denominados FGD (flue gas dessulfurization) e todos os quatro projetados para tratar 1.700.000 Nm3/h, com teor de entrada de enxofre de 3.600 mg/Nm3. Segundo explicou o diretor da Enfil, Franco Tarabini, são sistemas semissecos com eficiência de remoção superior a 90%, exigência da concorrência internacional do consórcio Mabe, responsável pela obra e que tem capital 70% italiano. O FGD semisseco é baseado na injeção de leite de cal em um spray dryer por meio da ação de misturador (rotary atomizer) que cria névoas de 20 a 25 mícrons para gerar com o SO2 particulados de sulfito de cálcio. Após isso, o material é retido em filtros de manga, separado e enviado para o aterro. Além da remoção superior a 90% do enxofre (saída inferior a 400 mg/Nm3), o sistema garante emissão de particulado abaixo de 50 mg/Nm3.

    O sistema é chamado semisseco porque, apesar de conter água no leite de cal, não gera efluentes, visto que o líquido é evaporado e incorporado na reação. A opção por essa tecnologia, até agora no Brasil instalada apenas na CST, de Tubarão-ES, segundo o diretor da Enfil, se explica pelo motivo de as termelétricas em instalação serem programadas para operação sazonal, para momentos de picos de demanda. Isso permitiu a escolha por uma tecnologia com custo de investimento mais baixo. Mesmo usando cal virgem (com preço de R$ 350/t), em detrimento da tecnologia FGD úmida, que emprega calcário (a R$ 70/t) e gera ainda como subproduto o gesso, segundo Tarabini, o custo operacional é três vezes menor no semisseco e não gera efluentes. A linha operacional do úmido, que demanda mais um sistema de coleta de pó na entrada para reter o fly ash (cinza), para o diretor, é mais indicada para sistemas em usinas com capacidade superior a 500 MW. As do grupo MPX, do bilionário Eike Batista, são de 350 MW, mas que vão operar mesmo a cerca de 185 MW, revela Tarabini.

    Para pó – Outra grande empresa de engenharia de controle ambiental, a Centroprojekt, também registrou nos últimos anos boas vendas no mercado mais convencional na área atmosférica, em específico para retenção de pó em siderurgia e papel e celulose. Originariamente focada em tratamento de água e efluentes, aliás, o crescimento nesse segmento é recente, desde que há
    cerca de quatro anos a empresa de origem tcheca montou uma divisão para controle de ar usando tecnologia da alemã Elex.

    Química e Derivados, Wilton Cazaes, Diretor da divisão ar da Centroprojekt, Poluição

    Wilton Cazaes comemora negócios na siderurgia e em celulose e papel

    De acordo com o diretor da divisão ar, Wilton Cazaes, as principais vendas foram de precipitadores eletrostáticos para usinas de pelotização. Em 2006, foram quatro equipamentos para a Samarco, de Ponta do Ubu-ES, para tratar um volume de gás de 999.000 Nm3/h cada um deles. De forma contratual, voltado para reter material particulado em um padrão inferior a 50 mg/Nm3, segundo Cazaes, o sistema hoje garante de 3 a 5 mg/Nm3. Logo em seguida, em novembro de 2006, foram comercializados mais quatro precipitadores para a usina de pelotização MBR, da Vale, em Itaberitos-MG, que trata 1.020.00 Nm3/h de gás, garantindo os mesmos padrões da obra na Samarco desde outubro de 2008, quando foi dada a partida.

    Em fevereiro de 2009, entrou em operação também um precipitador para remoção de particulados de níquel em uma nova unidade da Votorantim Metais, em Niquelândia-GO, para tratar 257 mil Nm3/h de gases. Outra obra interessante foi para a indústria de papel e celulose Ripasa. Um precipitador eletrostático vai, a partir de outubro de 2009, reter particulados provenientes de sua caldeira de 80 t/h que queima biomassa de madeira, tratando volume de gás de 351 mil Nm3/h. “Além de tratar o gás, a Ripasa vai poder evitar a contaminação da celulose que fica em estoque, já que o pó sujava sua matéria-prima”, completou Cazaes.


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