Tintas e Revestimentos

15 de dezembro de 2009

Pigmentos – Recuperação da indústria automobilística afasta a crise dos pigmentos de efeito

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Publicado por: Denis Cardoso
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    Química e Derivados, Pigmentos, Pigmentos de efeito

    I

    magine dois vizinhos tomados pelo espírito natalino. Um deles exibe em sua varanda uma árvore de Natal grande, repleta de bolas e luzes coloridas. O outro, a duras penas, consegue comprar uma árvore, mas ela é menor e está apagada, sem enfeites. O setor de pigmentos de efeito para tintas vive situação semelhante neste fim de 2009. Algumas empresas fornecedoras do insumo driblaram a crise mundial iniciada em 2008 e fecharão o ano com resultados satisfatórios, alimentando boas esperanças para 2010. Outras companhias se mantêm no mercado, mas balançam como o sino de Papai Noel, ainda sentindo os efeitos negativos das turbulências externas.

    No grupo que não teve o ano perdido estão empresas como Merck, Basf, Clariant e Aldoro. Todas elas viram os negócios envolvendo a área de pigmentos de efeito serem duramente prejudicados entre o quarto trimestre de 2008, quando a crise mundial se agravou, e os primeiros meses de 2009. O momento desfavorável então vivido por essas companhias refletia o clima de incerteza que tomou conta da indústria automotiva brasileira, maior consumidora das cores com efeitos metálicos ou perolizados. No entanto, o socorro dado a partir de dezembro de 2008 pelo governo federal ao setor automobilístico, com a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), para a compra de veículos novos, surtiu o efeito esperado e as vendas de carros voltaram ao ritmo de crescimento registrado antes da crise. Dessa maneira, os fornecedores de pigmentos de efeito que têm grande parte dos negócios atrelados ao mercado automotivo (pintura original e repintura) voltaram a respirar e foram, mês a mês,retomando os níveis normais de venda.

    Porém, as distribuidoras e revendedoras de pigmentos de efeito que abastecem os pequenos e médios fabricantes de tintas não tiveram a mesma sorte. Sem o porto seguro das grandes fornecedoras de tintas para montadoras de veículos, elas dependem de outras atividades, como as tintas industriais e as de impressão gráfica. Esses clientes, por sua vez, são altamente sensíveis ao comportamento geral da economia. Ao primeiro sinal de crise, eles imediatamente reduzem custos. Ou seja, em períodos de maré brava, substituem os sofisticados pigmentos de efeitos por outros pigmentos mais baratos. Ou  simplesmente engavetam seus projetos.

    Para esse tipo de fornecedor de pigmentos de efeito, 2009 foi um ano para esquecer, totalmente atípico. Nos últimos meses, houve uma sensível melhora nas vendas desses segmentos, mas os negócios do ano ficaram muito aquém dos volumes vendidos em 2008.

    Dois problemas ainda afligem essas empresas. O primeiro é a grande dificuldade que seus clientes (e os clientes deles também) estão tendo para levantar crédito. Os bancos estão muito mais seletivos, mas os salários, impostos e  pagamentos aos fornecedores precisam ser realizados religiosamente, vendendo ou não. Como as vendas não decolaram como elas estavam aguardando, a falta de crédito agrava a situação.

    O outro entrave é a falta de pigmentos e aditivos, geralmente importados, para atender aos pedidos que começaram a ser feitos pelo mercado. Como os estoques não estavam sendo repostos pelas importadoras, que foram surpreendidas com grandes inventários pela parada brusca de negócios no fim de 2008, demandas emergentes não podem ser supridas de imediato.

    O período natalino, que teoricamente ajudaria a aquecer o mercado de pigmentos de efeito para embalagens, não deve trazer grande impacto para as vendas aos pequenos e médios fabricantes. As decisões para o Natal sempre são tomadas muito antes, a partir de julho, período em que não havia sinais de recuperação da economia.

    Química e Derivados, Milton Yoshio Uehara, Coordenador- técnico da Clariant, Pigmentos de efeito

    Milton Yoshio Uehara: moda tirou pigmentos de efeito dos eletroeletrônicos

    Apoio automotivo – “Para nós, 2009 acabou sendo um ano muito bom, considerando a expectativa ruim que tínhamos nos primeiros meses do ano”, avaliou Milton Yoshio Uehara, coordenador- técnico da Clariant, representante da empresa alemã Eckart para a comercialização e distribuição de pigmentos metálicos e perolizados. Segundo o executivo, as vendas de pigmentos de efeito da empresa alcançaram neste ano os mesmos níveis do ano anterior. Para ele, a ajuda governamental ao setor automobilístico chegou na hora certa. “Tivemos problemas no primeiro trimestre, mas, com a recuperação do mercado automotivo, as nossas vendas para os fabricantes de tintas evoluíram na mesma proporção”, afirma Uehara.

    A Clariant destaca a sua linha de perolizados Phoenix CFE, livres de cromo trivalente, indicada para sistemas aquosos, e também os pigmentos metálicos Hydrolan, que podem ser aplicados em sistemas de base aquosa e em base solvente, sendo direcionados principalmente para o segmento automotivo original (OEM). Este último possui uma vantagem logística, pois pode ser transportado por via aérea, o que não é possível nas linhas tradicionais aquosas. Ele informou que a companhia também faz grandes apostas na linha de preparações aquosas de pigmentos perolizados, bronzes e alumínios desenvolvidos para o setor imobiliário. “Trata-se de uma área de atuação relativamente nova no Brasil. Poucos fabricantes de tintas têm essa tecnologia no momento”, afirmou.

    Segundo Uehara, as vendas dos produtos citados acima tentam compensar uma grande lacuna deixada pelo mercado de eletroeletrônicos, setor no qual os pigmentos de efeito metálico da Clariant tinham forte participação até o ano passado. O motivo, contudo, nada tem a ver com a crise financeira: em 2009, explodiram as vendas de aparelhos pintados com a cor preta brilhante, conhecida como black piano, como os monitores de computador, televisores de LCD, de plasma e aparelhos de home theater. “Nós vendíamos um grande volume desses pigmentos metálicos aos fabricantes de tintas para eletroeletrônicos e agora este mercado praticamente se fechou”, lamentou.


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