Petróleo & Energia

16 de dezembro de 2011

Petroquímica – Faltam gás e energia para destravar os investimentos

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Petroquímica, Gás, Energia, Investimentos

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    setor petroquímico nacional está sem gás para crescer. Apesar de as projeções de demanda apontarem a necessidade de duplicar a capacidade de produção de resinas termoplásticas e demais derivados apenas para atender à evolução do mercado brasileiro até 2020, o ritmo dos investimentos não deslancha. Um dos motivos mais relevantes para explicar essa letargia é a falta de suprimento garantido de matérias-primas para alimentar os futuros fornos de craqueamento, geradores dos insumos básicos do setor.

    A lista de entraves ao desenvolvimento vai além. Levantamento realizado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) aponta que os custos da eletricidade e do gás natural no país são proibitivos. Sem mencionar que esses insumos produtivos sofrem episódios de escassez. Há também a elevada carga tributária, o custo do capital, os efeitos da valorização do real e as deficiências notórias em infraestrutura especialmente de transportes.

    O resultado dessas pressões é o baixo volume de investimentos programados pelo setor. O total de projetos anunciados pelas associadas da Abiquim para o período de 2011 a 2016 chega a US$ 22 bilhões, insuficientes para reverter o déficit comercial do setor. Considerando apenas os produtos químicos de uso industrial (os que são consumidos por outros segmentos industriais para a fabricação de produtos finais), as importações devem somar US$ 33,1 bilhões em 2011, contra exportações de US$ 13,3 bilhões, perfazendo um resultado negativo de US$ 19,8 bilhões. E esse déficit está crescendo: em 2010, ele ficou em US$ 14,7 bilhões; em 2009, US$ 13,4 bilhões.

    Vendas em alta – Medido em dólares, o faturamento líquido dos produtos químicos industriais brasileiros registrou acréscimo de 24,5% entre 2011 e 2010, passando de US$ 61,2 bilhões para a previsão de US$ 76,2 bilhões, segundo a Abiquim. Em reais, o total de 2011 ficou em R$ 125,4 (estimativa de dezembro), 16,4% superior ao do ano anterior. A curva do indicador é ascendente desde 2009, quando os R$ 93,8 bilhões obtidos representaram o pior desempenho do setor desde 2004. Do total desse grupo, informa a Abiquim, os produtos petroquímicos representam aproximadamente 65%.

    Química e Derivados, Fernando Figueiredo, Abquim, Petroquímica

    Figueiredo: portos incentivados abrem caminho para importações

    O panorama não é dos mais animadores. A crise europeia permanece como uma sombra sobre a economia mundial, capaz de desencadear um profundo período recessivo. Os Estados Unidos ameaçam sair do vermelho, embora ainda carreguem seus monumentais déficits fiscal e comercial. Embora muitas unidades produtivas em todo o planeta tenham sido desativadas desde 2008, a oferta de produtos químicos e, principalmente, petroquímicos permanece elevada. “A crise global aumentou a disponibilidade de produtos que passaram a ser direcionados ao Brasil e a outros emergentes, nos quais ainda há crescimento de demanda”, apontou Fernando Figueiredo, presidente executivo da Abiquim.

    Como de hábito, os produtores internacionais tentam rodar cheias as suas fábricas para diluir seus custos fixos. Isso implica vender barato os excedentes em mercados não tradicionais. No caso brasileiro, algumas atitudes amplificam os efeitos danosos dessa concorrência. “Alguns estados assumiram regimes tributários especiais danosos à indústria local, mediante os quais as importações ingressam no mercado local em situação de vantagem em relação aos produzidos aqui”, criticou Figueiredo.

    Os tais “portos incentivados” registraram aumentos díspares na importação. Segundo o presidente executivo da Abiquim, Itajaí-SC passou de 11º a 4º maior porto importador de produtos químicos do Brasil. “Quase 22% de todas as resinas plásticas importadas entram por Itajaí”, informou. O Senado Federal está examinando a questão e deve decidir o destino desses “incentivos” em 2012.

    Os números de faturamento também precisam ser adequadamente contextualizados. Como aponta Figueiredo, para o crescimento de 24,5% em faturamento líquido, a produção física local só avançou 2,3%. Desse percentual, caso fossem retirados os intermediários para fertilizantes, o resultado seria negativo, -3%.
    O recorde de importações químicas também merece a ressalva: ele aponta oportunidades de investimento para a indústria brasileira. Porém essas oportunidades não estão sendo aproveitadas pelos fatores já apontados.


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