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12 de agosto de 2000

Petroquímica: União entre Dow e Basf abala mercado de PS

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    o deixar a presidência da Dow na América Latina rumo a Charleston (West Virginia, EUA), onde assumirá a vice-presidência e diretoria do importante complexo industrial de Kanawha Valley, da Union Carbide, parte do processo de integração das companhias, Peter Berner detonou uma pequena bomba na petroquímica brasileira. Ao anunciar acordo com a Basf para a construção e operação de unidade comum de monômero de estireno no Brasil, alimentando downstreams independentes, ele reforçou a intenção de disputar o controle acionário da Copene, agora com um aliado, ou melhor, com menos um antagonista de peso.

    A informação, dada pelo executivo à Gazeta Mercantil às vésperas do embarque para os EUA, foi confirmada pela matriz de Midland em comunicado oficial. Apesar disso, a divulgação do acordo causou algum mal-estar com os futuros parceiros, que preferiam aguardar o aprofundamento das relações antes de anunciá-las. Comunicado oficial da Basf, emitido a propósito, ressaltou o estágio incipiente do acordo, ainda estabelecido de forma verbal, cujo efeito está restrito, por enquanto, à análise de viabilidade econômica, que definirá também a localização e escala definitiva do projeto.

    Segundo relato de Berner, a idéia comum é construir unidade para 450 mil a 500 mil t/ano de estireno, com a capacidade correspondente de etilbenzeno, que demandaria aproximadamente 150 mil t/ano de eteno e 250 mil t/ano de benzeno. Estimativas de mercado indicam haver essa disponibilidade de matérias-primas apenas no pólo baiano. A maior oferta local de monômero permitirá a construção de novas e maiores capacidades de poliestireno e outros produtos, como ABS/SAN e emulsões.

    A Dow já possui capacidade para produzir 170 mil t/ano de monômero de estireno em Camaçari-BA, na antiga unidade da EDN. A produção de PS da empresa fica no Guarujá-SP, cuja capacidade deve ser ampliada das atuais 120 mil t/ano para 200 mil até o final de 2001.

    A Basf, por sua vez, inaugurou no final de agosto unidade de poliestireno de alto impacto (HIPS) para 110 mil t/ano, substituindo a linha antiga, para 60 mil t/ano, que fora comprada da Companhia Brasileira de Estireno (CBE). A unidade antiga será atualizada e reconfigurada, voltando a operar em 2001, oferecendo 80 mil t/ano de PS cristal (GPPS).

    Maior produtora de PS na Europa, e um dos líderes mundiais, disputando com a Dow, a Basf pretende integrar-se tanto vertical como geograficamente, a partir de novas posições no continente americano e na Ásia. Segundo Werner Praetorius, presidente mundial de estirênicos da Basf, só sobreviverão nesse mercado empresas com rede global de produção e serviços abrangentes.

    Pelo estágio inicial das negociações e de desenvolvimento do projeto, nenhuma das companhias aventou a possibilidade de encontrar problemas com órgãos de defesa da concorrência no Brasil, embora se trate de acordo entre os dois líderes mundiais da cadeia estirênica.

    Avalanche de PS – Enquanto os gigantes mundiais tecem seu acordo, o grupo argentino Perez Companc inaugura a produção de PS da Innova, instalada no pólo petroquímico de Triunfo-RS. Partindo da antiga unidade de etilbenzeno comprada da Petroflex, a empresa produz monômero de estireno e PS, totalizando investimento de US$ 280 milhões aplicados nos últimos quatro anos. A pretensão do grupo é assegurar a liderança da resina no Mercosul, contando com as unidades produtoras de Rosário e Zarate, na Argentina.

    No RS, a Innova ampliou a capacidade inicial de 180 mil t/ano de estireno para 220 mil, podendo chegar a 250 mil se houver condições de ampliar a oferta de etilbenzeno. A unidade gaúcha pode fazer 120 mil t/ano de PS dos tipos de alto impacto e cristal, contando com tecnologia desenvolvida pela Enichem, que a habilita a ingressar nas embalagens de contato direto com alimentos, por apresentar baixo teor de monômero residual.

    Com a efetivação de todos os projetos, até 2001, o mercado nacional de PS deixará de importar para exportar a resina. As novas unidades agregarão mais de 250 mil t/ano à produção nacional, volume muito superior ao que foi importado no ano passado, estimado em 120 mil t. Flávio Augusto Lucena Barbosa, superintendente da Innova, prevê o acirramento da concorrência, mas afirma ter vantagem geográfica e tecnológica. Para ele, a união entre Dow e Basf para produzir estireno “já era esperada pelo mercado”.

    Química e Derivados, Senise é o 2° brasileiro a presidir a Dow local.

    Senise é o 2° brasileiro a presidir a Dow local.

    Empresa muda o comando na região

    O administrador de empresas José Eduardo Senise foi nomeado presidente da Dow no Brasil, substituindo Peter Berner. Formado em administração de empresas, Senise ingressou na companhia em 1975, tendo passado por várias funções, inclusive no exterior, até chegar à diretoria financeira em 1993. Nesse cargo ele foi responsável pela condução das fusões e aquisições promovidas no País, entre as quais se destacam a Isopol (produtora de TDI), Estireno do Nordeste (EDN), além da compra de várias produtoras de sementes pela Dow AgroSciences. Esta é a segunda vez que um brasileiro preside a Dow no Brasil (e não a primeira, como foi divulgado).

    O general Golbery do Couto e Silva ocupou esse cargo no início da década de 70, tendo liderado a instalação da Dow em Aratu-BA e no Guarujá-SP e participado da tentativa de produzir soda-cloro em Bahía Blanca (Argentina).

    A nomeação de Senise, que acumulará o cargo com a diretoria financeira, coincide com a reestruturação da companhia em âmbito regional. Berner era o principal executivo para toda a América Latina, exceto México. A área foi dividida em três. Federico Montaner segue como gerente-geral para o México, assumindo também a América Central, Venezuela, Colômbia, Guianas, Suriname, Equador e Peru. Já Oscar Vignart, sediado em Buenos Aires, assume a gerência-geral dos negócios da Dow nos demais países da América do Sul, exceto o Brasil, que ficará sob o comando exclusivo de Senise.  (M. Fairbanks)


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