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18 de dezembro de 2010

Petroquímica – Shale gas recoloca os EUA na trilha dos investimentos e muda o panorama mundial

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Petroquímica, Braskem

    Chegada dos gases de refinaria conclui ampliação da Braskem em Santo André-SP (ex-PqU)

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    crescimento da produção do shale gas nos Estados Unidos pode representar um ponto de inflexão nas estratégias petroquímicas mundiais. A magnitude dessa nova fonte de gás natural e o alto teor de etano nele contido derrubaram as cotações do hidrocarboneto na região do Henry Hub, o principal parâmetro internacional dos preços do gás, para a faixa entre US$ 3,0 a US$ 4,0 por milhão de BTUs. Essa cotação, certamente influenciada pela crise econômica atual, situa-se abaixo dos valores cobrados nas regiões produtoras do Oriente Médio.

    A descoberta de nova fonte de gás natural em um país politicamente estável estimula a imaginação dos planejadores da atividade econômica mundial. Mas também representa uma ameaça para produtores petroquímicos abastecidos com matérias-primas de alto custo, como é o caso do Brasil, onde o gás natural é vendido pela Petrobras na faixa de US$ 11 a US$ 14 por milhão de BTUs.

    Química e Derivados, Luís Carlos Costamilan, Energia do Rio, campos de petróleo esgotados

    Costamilan: EUA dispõem de gás natural barato, com muito etano

    O consultor e sócio da Energia do Rio, Luís Carlos Costamilan, explicou que o shale gas (ou gás de xisto) é retirado dos folhelhos oleosos dos velhos campos de petróleo americanos em terra, já esgotados. Um folhelho é uma rocha lamelar, também chamada de “rocha podre”. “Eles descobriram que era possível fraturar essa rocha fazendo perfurações rasas e injetando líquidos sob altíssima pressão, fazendo desprender uma quantidade de gás pelas rachaduras”, comentou.

    Um problema: o volume de gás obtido em cada furo é relativamente pequeno, exigindo fazer perfurações simultâneas a curtas distâncias (50 metros). E a liberação de gás começa forte, mas em poucos dias perde vazão, exigindo deslocar os poços para mais adiante. “Os americanos já exploram esse gás de xisto há uns quinze anos, mas só recentemente conseguiram melhorar para esse fim as técnicas de perfuração horizontal e de fraturamento de poços, permitindo acelerar a exploração”, explicou Costamilan. “É uma verdadeira quebra de paradigmas.”

    O especialista, porém, adverte: o fenômeno do shale gas exige uma conjunção de fatores que só poderia acontecer mesmo nos Estados Unidos. “Em nenhum outro país se consegue alinhar cem conjuntos de perfuração e injeção de líquido, sob o comando de profissionais especializados”, comentou. Além disso, o gás capturado precisa encontrar uma rede de escoamento próxima. As regiões petrolíferas maduras dos EUA são cheias de dutos, quase totalmente amortizados, cujo aproveitamento reduz o custo total de produção.

    O fato é que essa reserva de gás natural está disponível. Sua magnitude é assustadora. Apenas o campo de Marcellus, sobre a Filadélfia, pode conter 600 trilhões de pés cúbicos de gás (TCF). “Nesse campo, o teor de etano passa de 11% e é considerado problemático por atrapalhar a movimentação do gás por compressores, sofrendo uma depreciação”, disse Costamilan. Para se ter uma ideia, o consumo anual de gás natural no Brasil é de 0,8 TCF. Nos EUA, chega a 23 TCFs por ano. As reservas provadas brasileiras de gás natural (sem o pré-sal) montam a 15 TCFs, contra os 240 TCFs dos Estados Unidos, sem incluir grande parte do shale gas.

    O potencial de mercado dessa nova fonte de gás é tão grande que os analistas internacionais já apontam os EUA como supridores do hidrocarboneto para outras regiões, como a sempre carente Europa, hoje dependente do gás russo (reservas de 1.500 TCFs) ou de remessas de gás liquefeito, oriundas do Qatar (mais de 900 TCFs). Aliás, os EUA eram até recentemente apontados como um grande comprador mundial de gás natural, principalmente do Canadá. “Espera-se que o panorama do gás natural no mundo mude significativamente a partir de 2015, quando a produção de shale gas estiver plenamente ativada, representando 30% do suprimento de gás naquele país”, comentou. Por enquanto, os prognósticos do shale gas já foram suficientes para frear investimentos em terminais de regaseificação de GNL nos EUA. Existem alguns temores quanto a possíveis danos ambientais causados pelo fraturamento da camada de xisto, com a possibilidade de contaminação de lençóis freáticos, um assunto ainda em aberto.


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