Petroquímica

31 de dezembro de 2007

Petroquímica – Reorganização setorial acontece enquanto o pólo paulista transforma projeto de ampliação em realidade

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    pólo petroquímico de São Paulo, encabeçado   pela central Petroquímica União (PqU), foi   pego no meio de suas obras de ampliação   pelo terremoto institucional do dia 30 de novembro.   Longe de constituir uma tragédia, o   abalo das estruturas societárias das principais   empresas do ramo no País deverá impulsionar   o crescimento futuro da atividade, agora livre   das amarras das participações acionárias cruzadas.

    Negociações paralelas, com desfecho simultâneo no último   dia de novembro, estabeleceram o duopólio como modelo   para a petroquímica nacional. De um lado, a gigante Braskem,   dona dos pólos de Camaçari-BA (com as unidades de vinílicos   de Alagoas) e Triunfo-RS, além da futura fábrica de polipropileno   a gás de refinaria em construção em Paulínia-SP, perfazendo   a capacidade atual de 3,25 milhões de toneladas por   ano de resinas termoplásticas. De outro, uma nova companhia   capitaneada pelo grupo Unipar, ainda sem nome definitivo,   mas costumeiramente conhecida por Cia. Petroquímica do   Sudeste (CPS), com capacidade produtiva de poliolefinas de   1,9 milhão de toneladas em 2008 (depois da ampliação do pólo   paulista). A CPS unirá ativos da Unipar com os da Petrobrás  em São Paulo e Rio de Janeiro, incluindo os recentemente   adquiridos da Suzano Petroquímica, com destaque para a   RioPol – e suas 500 mil t/ano de polietilenos – e para as linhas   de polipropileno no Rio, São Paulo e Bahia.

    Um terceiro movimento simultâneo foi a finalização do   processo de compra da Suzano Petroquímica pela Petrobrás,   com um pequeno desconto em relação ao preço original de   US$ 2,7 bilhões. Assinados os protocolos, o setor terá a estatal   do petróleo participando, como minoritária relevante, dos dois   players. Na Braskem, a estatal e sua subsidiária Petroquisa   aportaram ativos sinérgicos no pólo gaúcho (37,3% da   antiga Copesul, 40% da Ipiranga Química e da Ipiranga   Petroquímica, mais uma opção da totalidade da Petroquímica   Triunfo, após resolver conflitos com acionistas minoritários) e   também 40% na Petroquímica Paulínia. Com isso, a petroleira   elevou a sua participação acionária de 6,8% no capital total   (8,1% no votante) para 25% (30% dos votos).

    O acordo com a Unipar deu à estatal participação maior:   40% do total da nova companhia. Em ambas, a Petrobrás terá   assentos nas diretorias e nos conselhos de administração das   duas concorrentes, em número proporcional à força do capital,   que lhe permitirá participar das decisões mais importantes   do setor.

    Ampliação em curso – Quem trafega pela avenida Presidente   Costa e Silva,em Santo André-SP, pode ver o progresso das   obras de ampliação da Petroquímica União e, ainda com mais   destaque, da nova fábrica de resinas da Polietilenos União (da   Unipar, a ser transferida para a companhia em formação) para   230 mil t/ano de PEAD e PELBD. Mais discreto é o processo   de aglutinação de interesses no pólo paulista.

    Em agosto, por exemplo, a Unipar completou um ciclo   de negócios fundamental para as suas pretensões. Comprou a   participação na PqU pertencente à Sociedade dos Empregados   da Petroquímica (SPE) e também as ações da central em poder   da Dow, ambas decorrentes do processo de privatização   empreendido nos anos 1990. Além disso, adquiriu a fábrica   da Dow (ex-Union Carbide) em Cubatão-SP, a pioneira no   Brasil em polietileno de baixa densidade (convencional, por   alta pressão).

    A compra da Suzano Petroquímica deu à Petrobrás o domínio   sobre o polipropileno paulista, abastecido com propeno   da PqU e também com gás de refinaria. A união dos dois mais   importantes negócios do setor na região estava, portanto,   sendo desenhada, com desfecho no dia 30 de novembro.

    “O pólo paulista está recuperando o atraso de vinte anos   sem investimentos”, afirmou Rubens Approbato Machado   Jr., diretor-superintendente da Petroquímica União. O pólo   foi preterido para receber ampliações durante os governos   militares, em favor da descentralização da atividade petroquímica   e do desenvolvimento nacional, doutrina que justificou   a montagem dos pólos baiano e gaúcho, hoje comandados   pela Braskem. “Durante muitos anos, os órgãos ambientais   foram proibidos de analisar projetos petroquímicos em São   Paulo”, explicou.

    A lógica econômica determina que esse tipo de indústria   deve se instalar perto de fontes de matérias-primas ou do   mercado de consumo. A Região Sudeste, salienta Machado,   atende aos dois requisitos. “Estamos junto dos dois maiores   centros de consumo da América Latina, temos as maiores   refinarias do País e, com as novas descobertas da Petrobrás, também ficamos ao lado de grandes jazidas  de óleo e gás natural”, salientou.

    Entretanto, ele mesmo admite que a  luta contra o tempo perdido é árdua. Os  problemas se acumulam, não só do lado  de dentro dos muros das indústrias. “Os  investimentos em infra-estrutura, como  transportes e energia, só recentemente  começaram a sair do papel”, lamentou.  Apesar disso, com base nos dados da  Abiquim, a região do pólo paulista sedia  quase 30% de todos os investimentos da  cadeia química no Brasil.

    Fato auspicioso para a atividade foi a  recente redução da alíquota de ICMS no  Estado de São Paulo, caindo de 18% para  12%, sendo aplicada sobre a agregação  de valor em cada um dos elos da cadeia.  “Isso representou a equiparação com outros  Estados produtores, um antigo pleito  do setor”, avaliou. O benefício fica mais evidente na ponta da  cadeia, junto aos transformadores de plásticos.


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