Petroquímica

14 de novembro de 2002

Petroquímica: Recuperação de preços anima setor a investir

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Mercado internacional dá sinais de aumento de demanda, permitindo à indústria petroquímica obter melhor remuneração pelos produtos e incentiva a ampliar capacidades

    Química e Derivados: Petroquímica: Fábrica nova (esq.) de PP em Mauá -SP substitui a atual (dir.) e amplia a produção.

    Fábrica nova (esq.) de PP em Mauá -SP substitui a atual (dir.) e amplia a produção.

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    atividade petroquímica identifica os primeiros sinais de recuperação de preços e margens, que devem se tornar mais evidentes a partir de 2003, descrevendo uma curva cujo ápice está previsto para o final de 2005 ou no começo de 2006. Essa percepção é compatível com a lógica de ciclos alternados de alta e baixa rentabilidade setorial, com intervalos de cinco a sete anos.

    A lógica dos ciclos é explicada pelos descompassos entre oferta e demanda provocados pelo incremento de capacidades produtivas, feito aos saltos, para uma evolução lenta do consumo de produtos derivados, em especial das resinas plásticas. O problema reside na previsão da sua duração e amplitude.

    “O modelo de ciclos tenta prever o comportamento do mercado, mas não abrange todas as influências possíveis”, comentou Vítor Mallmann, vice-presidente e responsável pela área de relações com investidores da União de Indústrias Petroquímicas (Unipar). A respeitar os sete anos de intervalo, o novo ciclo de alta deveria estar em plena ação, atingindo pico de preços e margens em 2004. O executivo menciona a absoluta atipicidade de 2001, que começou com o presidente do Federal Reserve – o Banco Central dos EUA – pilotando o “pouso suave” (soft landing) da economia americana, depois do estouro dos mercados de alta tecnologia.

    Química e Derivados: Petroquímica: Mallmann - PqU negocia gás de refinaria para fazer mais eteno.

    Mallmann – PqU negocia gás de refinaria para fazer mais eteno.

    Quando a situação parecia estar sob controle, o ataque terrorista de 11 setembro lançou o mundo em um período de inquietação e retração econômica. “Isso bloqueou a retomada do consumo de produtos, com reflexos no Brasil ampliados pela crise de energia elétrica”, explicou. “O mundo hoje está investindo muito pouco em novas capacidades produtivas petroquímicas, enquanto consome as erigidas nos últimos anos”, afirmou Sergio Thiesen, vice-presidente de planejamento da Braskem, maior empresa do setor no Hemisfério Sul do planeta, formada pela união dos ativos dos grupos Odebrecht e Mariani no setor, incluindo a posição conquistada no pólo de Camaçari-BA, perfazendo R$ 12 bilhões em ativos, gerando faturamento anual da ordem de R$ 7 bilhões.

    “Com isso, 2002 já mostrou alguma recuperação internacional de margens, que deve continuar em 2003, até o pico, previsto para 2005”, disse. Segundo informou, o setor opera com ocupação de capacidades entre 75% e 80%, média muito baixa para garantir a rentabilidade do negócio. Nesse quadro, 2001 foi o pior ano da história da atividade. “Todas as petroquímicas do mundo tiveram resultados ruins, sem exceção”, afirmou. “No Brasil, a situação foi ainda pior, porque a nafta, principal insumo, foi oferecida a preços muito elevados.”

    “A nafta tende a ficar cada vez mais cara em todo o mundo, por isso é preciso aproveitar o gás natural, ou os condensados, ou desenvolver tecnologia para usar frações do refino de petróleo para a petroquímica”, analisou Armando Guedes Coelho, principal executivo da área petroquímica do Grupo Suzano. Ele cita como exemplo, a nova unidade de polipropileno da Polibrasil (Suzano e Basell), em Mauá-SP, que usará o propeno da Petroquímica União antes consumido pela unidade antiga, em desativação, somado à olefina obtida a partir de fluxos gasosos residuais da Refinaria do Vale do Paraíba (Revap), alcançando a capacidade de 300 mil t/ano, contra 120 mil t/ano da anterior. A nova unidade inicia a produção no final de dezembro deste ano, com operação comercial prevista para janeiro de 2003.

    Química e Derivados: Petroquímica: Thiesen - nafta no Brasil custa mais caro que na Europa.

    Thiesen – nafta no Brasil custa mais caro que na Europa.

    Outro exemplo é a Rio Polímeros, cracker de etano consolidado com fábrica para 500 mil t/ano de polietilenos, em construção por Suzano, Unipar e Petroquisa em Duque de Caxias-RJ. As obras começaram em janeiro deste ano, com término previsto para julho de 2004, mediante investimento de US$ 1,1 bilhão. A situação da nafta já se torna crítica. “Os óleos que estão sendo encontrados e extraídos agora são mais pesados e seu refino produz pouca nafta”, comentou Coelho. No caso brasileiro, que já importa aproximadamente um terço da nafta consumida, a tendência é de aumento da importação, ainda mais depois da adaptação das refinarias da Petrobrás ao novo perfil de óleos produzidos na Bacia de Campos-RJ, com óleos de 16°API, cujo refino oferece de 1/3 a ¼ da nafta hoje obtida com óleos leves. O consumo mundial de nafta deve continuar em crescimento nos próximos cinco anos, agravando a situação.

    Para o futuro, ele recomenda que os projetos de novas refinarias prevejam a obtenção de frações de possível uso petroquímico, como os gasóleos, resíduos de gasolina e outros. “Há 20 ou 30 anos, antes da construção das centrais de matérias-primas, as refinarias contemplavam a separação desses derivados”, mencionou. Nafta na berlinda – O preço da nafta petroquímica no Brasil mantém lugar de destaque na pauta de discussões entre Petrobrás e as centrais petroquímicas, além dos clientes destas, incapazes de repassar o aumento de custo para os clientes. “O polietileno é muito usado nas embalagens de alimentos; se ficar muito caro, perde mercado”, lamentou Roberto Dias Garcia, presidente da Unipar. “Isso sem falar no impacto social do encarecimento da alimentação e dos empregos gerados pelo setor de transformação.”


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