Petroquímica

16 de janeiro de 2009

Petroquímica: Perspectivas 2009 – Indústria brasileira sente a crise, mas pode ter alívio com apoio estatal

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Petroquimica

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    palavra “crise” voltou a ser pronunciada pelo setor químico nacional depois de quase cinco anos de resultados positivos. Todos os leitores habituais de jornais e revistas sabem que o problema afeta toda a economia mundial, tendo início no setor financeiro dos Estados Unidos, em setembro de 2008. Poucos, porém, conseguem se lembrar que a euforia provocada pela abundância de crédito barato fez girar rápida e vigorosamente a máquina global de produção durante os dez anos anteriores. De calçados a arranha-céus, de patinetes a limusines, todos os produtos multiplicaram suas vendas. Junto com eles, os infalíveis produtos químicos.

    O decênio prodigioso (1998 a 2008, aproximadamente) explica a voracidade dos investidores em anunciar projetos de novas unidades químicas e petroquímicas. Devem entrar em operação, entre 2008 e 2009, quase 9 milhões de t/ano de eteno, localizadas principalmente no Oriente Médio. Porém, as novas fábricas, projetadas para alimentar uma demanda global insaciável, entrarão em marcha em um ambiente claramente hostil. O preço de mantê-las com alta ocupação de capacidade será o fechamento de várias outras unidades ao redor do planeta, menores e menos eficientes.

    A duração e a intensidade da crise global ditarão os rumos dessa indústria nos cinco continentes. Há quem considere que a petroquímica da Europa, com crackers relativamente pequenos, antigos e alimentados com cargas líquidas, além de situada no alcance imediato dos produtos do Oriente Médio, sem falar nas suas restrições de caráter ambiental, venha a ser a mais afetada do mundo. Porém, alguns analistas comentam que a situação europeia não é tão dramática. Para eles, o fato de o preço do petróleo (e da nafta) ter perdido mais de dois terços de seu valor entre julho e dezembro de 2008 (o barril do Brent caiu de US$ 147 para menos de US$ 50 no período; em janeiro ficou abaixo de US$ 40) reavivou a competitividade dos europeus, sem falar na vantagem de dominar amplamente a tecnologia produtiva. Além disso, ao processar nafta em vez de gás natural, essa indústria oferece grande número de produtos para muitas cadeias produtivas. As linhas estreantes, com base em gás natural, se restringem aos polietilenos e ao monoetilenoglicol.

    Nas indústrias de especialidades químicas, a fase da bonança aliada aos esforços de globalização econômica incentivou a formação de grandes conglomerados, cujas negociações se valeram do crédito farto e da valorização de suas ações nas bolsas, que serviram de lastro para novos endividamentos, além de atrair a atenção de fundos de investimento. Fusões e aquisições no setor químico foram negociadas com base em múltiplos de EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) que frequentemente passaram de onze, muito além dos patamares históricos (por volta de sete, nos bons anos).

    Quando a tempestade financeira se alastrou para o setor produtivo, quem estava mais “pendurado” sentiu o golpe. Negociações foram desfeitas, como o trato Hexion-Huntsman, ou a desistência da estatal do Kuwait em formar com a Dow Chemical um gigante petroquímico (a K-Dow), fato que poderá ter reflexos na aquisição anunciada da Rohm and Haas pela Dow. A LyondellBasell pediu concordata em janeiro (chapter 11 da legislação americana), protegendo-se contra credores apressados. No entanto, há negociações que atravessam placidamente a tormenta, como a compra da Ciba pela Basf.

    O impulso consolidador atingiu também a distribuição de produtos químicos. Univar e Brenntag se destacaram dos concorrentes pelo fato de serem controladas por investidores financeiros e por rivalizarem nas aquisições espetaculares, a exemplo da compra da ChemCentral pela Univar. Ambas terão de digerir esses investimentos em um ambiente menos favorável.

    Química e Derivados, Faturamento líquido de 2008 - Em US$-Bilhões, Petroquimica

    Faturamento líquido de 2008 – Em US$-Bilhões. Clique para ampliar.


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