Petroquímica

31 de dezembro de 2007

Petroquímica – Negociações resultaram em duopólio

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    desfecho da reorganização societária da petroquímica nacional deixou um panorama mais claro para os investidores e para toda a cadeia produtiva. Antes disso, vários temores povoavam a mente dos empresários. A começar pelo total desinteresse da Petrobrás pela atividade petroquímica, uma vez que dela foi afastada pelo Programa Nacional de Desestatização. De controladora das centrais e sócia minoritária, porém poderosa, na segunda geração, a estatal ficou restrita às primeiras e, mesmo assim, limitada a 17% do capital ordinário.

    Quando a estatal voltou a demonstrar interesse pelo setor, os grupos atuantes Braskem, Ipiranga, Ultra, Suzano e Unipar iniciaram seus movimentos de forma descoordenada. Temia-se que a estatal se associasse a um deles e deixasse no relento os demais. Maior fornecedora de nafta e única refinadora com escala para oferecer fluxos residuais de uso petroquímico, a Petrobrás era grande demais para ser vista como concorrente. O temor, então, passou a ser a monopolização setorial. Ou pior: voltar ao monopólio estatal.

    Química e Derivados, Carlos Mariani Bittencourt, Presidente do conselho consultivo da Abiquim, Petroquímica - Negociações resultaram em duopólio

    Mariani: participação estatal é fundamental para o setor

    Os movimentos de compra do grupo Ipiranga por um consórcio formado entre Braskem, Ultra e Petrobrás, seguido pela aquisição da Suzano Petroquímica pela estatal, foram interpretados como prepara- Negociações resultaramem duopólio Otórios. O dia 30 de novembro confirmou essa leitura. Por meio de troca de ativos, constituiu-se um duopólio da produção das principais resinas termoplásticas no País.

    “O modelo com duas grandes empresas competitivas internacionalmente é o ideal para o setor, no momento”, considerou Carlos Mariani Bittencourt, presidente do conselho consultivo da Abiquim e também participante do grupo controlador da Braskem. Ele acredita que um monopólio, embora pudesse fazer sentido na lógica da concentração de negócios em face da economia globalizada, seria “muito chocante” para o Brasil.

    A presença da estatal, de forma relevante, é considerada como parte fundamental do negócio pelo líder setorial. “O modelo de formação da Braskem previa exatamente essa participação de 30% da Petrobrás”, explicou. Ela se explica pela integração dos negócios de gás e refino de petróleo com a atividade petroquímica, um caminho para a agregação de valor para esses produtos.

    Um dos maiores consumidores de resinas plásticas do Brasil, o empresário Ricardo Max Jacob, controlador da Plásticos Mueller, especializada em injeção de autopeças, não espera problemas com a concentração de produtores de resinas. “E não é pela possibilidade da importação de produtos concorrentes, porque isso constitui operação de risco enorme”, disse. Ele acredita que a política de preços a ser desenvolvida pelos dois grupos será coerente com as necessidades da transformação nacional e, talvez, até possa motivá-la a atingir um patamar mais elevado de competitividade.

    O presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas do Estado de São Paulo e também da Suzano Petroquímica, José Ricardo Roriz Coelho, considera que a competitividade global cresceu muito nos últimos anos. “Estávamos acostumados a nos comparar com o eixo Estados Unidos – Europa Ocidental, mas o setor de plásticos agora precisa olhar para o eixo Oriente Médio – China”, considerou. Ele se referiu aos grandes investimentos que estão em curso nos países árabes para aproveitar gás natural e condensados para a produção de termoplásticos, vendidos a preço baixo para a China, onde o parque transformador gigantesco mantém uma política comercial mais do que agressiva. “Consolidamos a primeira e a segunda gerações. Isso será suficiente para competirmos globalmente?”, questionou, para engatar a resposta imediata: “Será preciso mexer nos elos mais abaixo também”.

    Líder continental – A transferência de ativos petroquímicos da Petrobrás para a Braskem implicou aumento de capital, com a correspondente emissão de 103,4 milhões de ações da companhia, das quais 46,9 milhões com direito a voto. Somando a participação anterior (8,1%), a estatal ficou com 30% do capital ordinário da Braskem. Os ativos transferidos, todos localizados no Pólo de Triunfo-RS, à exceção dos 40% do capital da Petroquímica Paulínia (em construção), permitirão a integração total de atividades nesse pólo, de forma coordenada com as unidades da Bahia e de Alagoas, com ganhos de sinergia estimados em mais de um bilhão de dólares.

    “A Braskem agora é a terceira maior fabricante de resinas das Américas, com 3.250 mil t/ano de produção”, afirmou José Carlos Grubisich, presidente da companhia. As duas maiores são a Dow e a Exxon. A negociação confirma o excelente relacionamento entre as sócias, permitindo maior aproximação entre elas, no sentido de aproveitar mais as  correntes residuais de refi no e os centros de pesquisas da estatal, em projetos conjuntos.

    Química e Derivados, Ricardo Roriz Coelho, Presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas do Estado de São Paulo e também da Suzano Petroquímica, Petroquímica - Negociações resultaram em duopólio

    Coelho: transformação precisa acompanhar as mudanças

    A empresa sai fortalecida, detendo 60% do mercado de polietilenos, 51% de polipropileno e 56% de PVC no Brasil. “Teremos a possibilidade de proporcionar aos clientes melhores condições de competitividade global”, afi rmou. Ele salientou que o Brasil não tem condições de ditar o preço das resinas plásticas, determinado pelo mercado internacional. Por isso, ele não espera problemas para que os órgãos competentes autorizem a concentração.

    A formação do duopólio era inevitável. A única exigência é que ambos tenham as mesmas condições de suprimento de energia e insumos. “Criamos também um modelo de governança corporativa para impedir confl itos de interesses”, afi rmou Grubisich. A Petrobrás terá assento na diretoria da companhia, além de indicar três conselheiros. Pelo acordo de acionistas atual, não há poder de veto defi nido para cada acionista. Entretanto, algumas decisões, como fechamento de capital, mudanças orgânicas no conselho de administração, modifi cações nos propósitos da companhia, entre outras, dependem da unanimidade dos votos dos acionistas com mais de 18% do capital ordinário.


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