Economia

22 de maio de 2016

Petroquímica: Gás barato e acesso a mercados estimulam a investir no México

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Vista aérea do complexo Braskem-Idesa, em Nachital (Veracruz, México)

    Vista aérea do complexo Braskem-Idesa, em Nachital (Veracruz, México)

    Pena que não fica no Brasil. Essa frase é dita e repetida muitas vezes pelos brasileiros que trabalham ou visitam o complexo petroquímico Braskem-Idesa, construído dentro do prazo e do orçamento na pequena cidade de Nanchital (Veracruz, México), em sítio muito próximo do rio Coatzacoalcos. Em meados de novembro, os geradores de vapor foram colocados em marcha de modo a suprir as operações de limpeza das tubulações e equipamentos das instalações, dando início ao seu comissionamento. A partida do cracker e das unidades a jusante está prevista para dezembro.

    Instalado nos arredores de três unidades petroquímicas da Pemex (Cangrejera, Morelos e Pajaritos) e provido de ampla estrutura logística (estradas de rodagem e de ferro, além de portos especializados com saída para o Golfo do México), o complexo em fase de conclusão representou investimento de US$ 5,2 bilhões, o maior projeto privado daquele país na atualidade. É composto de um cracker de etano para gerar 1.050 mil t/ano de eteno, olefina que alimentará dois trens de polietileno de alta densidade (PEAD, 750 mil t/ano, no total) e um de polietileno de baixa densidade convencional (PEBD, 300 mil t/ano).

    Além da escala mundial, o complexo conta com um trunfo magnífico: um contrato de suprimento de 66 mil barris/dia de etano de gás de refinaria com duração de 20 anos e preço estipulado com base na cotação do gás em Mont Belvieu (Texas, EUA), com um desconto. Ou seja: o complexo terá sua principal matéria-prima a um valor mais baixo que a mais favorável referência mundial do ramo na atualidade.

    O complexo vai gerar toda a eletricidade que consumirá, com algum excedente para ser injetado na rede de distribuição. Isso será feito porque a estatal petroleira fornecerá metano suficiente – com preço convidativo – para acionar uma turbina a gás (aeroderivada) e duas a vapor (que também será usado no processo).

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    Também é importante contar com mercado consumidor praticamente garantido. O México consome 2,1 milhões de t de polietilenos anualmente, dos quais 67%, ou 1,4 milhão de t, são importados. Mesmo considerando que o país é um dos mais abertos do mundo à entrada de produtos de outras origens, um produtor local tem a vantagem óbvia do custo de transporte. No caso da Braskem-Idesa, o etano local garantirá vantagem ainda maior.

    Essa vantagem poderá ser mais ampla. O complexo utiliza as mais modernas tecnologias do mundo em suas unidades de processo. O cracker foi construído sob licença e projeto da Technip, conta com seis fornos de pirólise, dotados com as maiores serpentinas internas já fabricadas para essa aplicação.

    “A título de exemplo, a Unidade Insumos Básicos de Camaçari-BA tem capacidade para 1,2 milhão de t/ano de eteno a partir de nafta, mas opera com duas linhas com 11 fornos cada uma, com um consumo de energia consideravelmente maior; a relação etano/eteno da Unib de Camaçari é de 1,3, enquanto a daqui do México deverá ficar em 1,2 ou menor”, explicou Roberto Bischoff, presidente da associação Braskem-Idesa.

    Bischoff tem longa folha de serviços no setor petroquímico, tendo sido responsável pela construção das unidades de polipropileno e de PEAD/PELBD no Pólo Petroquímico de Triunfo, na década de 1990, passando por posições de comando nos polos paulista e baiano. O complexo de Nanchital está sob seu comando desde antes da terraplanagem, executada em 2012.

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    Produção de resinas – As unidades gêmeas de PEAD têm capacidade prevista para 400 e 350 mil t/ano. Embora idênticas, devem produzir volumes diferentes. “Pretendemos especializar cada unidade em determinados grades, uma delas deverá fazer polímeros bimodais, cujo tempo de residência no reator é maior, e também produzirá maior variedade de produtos, com tempos de campanha menores que a outra unidade, que ficará com a produção dos grades de maior demanda, com campanhas mais longas”, explicou Cleantho de Paiva Leite Filho, diretor de relações institucionais, novos negócios e comunicação externa da Braskem-Idesa.

    Ambas as unidades de PEAD contam com tecnologia Inovenne S, licenciada pela Ineos, de slurry (em pasta ou lama), usando isobutano como solvente de processo. Os carros-tanques ferroviários com o solvente já estavam estacionados no pátio do complexo em meados de novembro. Segundo Paiva Leite, os estudos de mercado local e internacional apontam a existência de grandes excedentes de PELBD, especialmente os gerados em unidades com tecnologia de alternância (swing) com PEAD. Isso explica a opção pela tecnologia da Ineos, que também permite produzir grades adequados aos clientes mexicanos.

    A produção de PEBD convencional seguiu a mesma orientação. Há anos que os investimentos mundiais nessa resina vêm diminuindo. Com o aumento da demanda – pequeno a cada ano, mas estável –, os preços subiram e justificam a opção. A tecnologia selecionada foi a Lupotech T, da LyondellBasell, com reator tubular de alta pressão cercado por grossas paredes de concreto, como um bunker.


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