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18 de dezembro de 2010

Petroquímica – Consultores apontam tendências durante encontro da Apla

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    30ª Reunião Anual Latino-Americana de Petroquímica, promovida pela Associação Petroquímica Latino-Americana (Apla), entre 6 e 9 de novembro, no Rio de Janeiro-RJ, apresentou um panorama de negócios completo do setor. O temário incluiu os temas tradicionais ligados à estratégia de negócios, mas também tocou em novos pontos nevrálgicos da atividade, compreendendo a responsabilidade social e ambiental das companhias.

    Química e Derivados, Robert J. Bauman, ChemSystems / Nexant / Polymer Consulting International, o mundo está redescobrindo a América Latina

    Bauman: América Latina terá concorrência mais acirrada

    Nos salões do Hotel Sofitel Rio foi possível conversar com alguns dos mais conhecidos consultores petroquímicos mundiais. Robert J. Bauman (ex-ChemSystems, ex-Nexant), agora atuando em empresa própria, a Polymer Consulting International, sediada em Spring (Texas, EUA) alertou para o fato de todo o mundo querer vender seus produtos (resinas e transformados) para a América

    Latina, especialmente no Brasil. As taxas de crescimento das economias regionais em um período de baixa na atividade econômica dos países mais desenvolvidos explica esse súbito interesse. “O mundo está redescobrindo a América Latina”, enfatizou Bauman. “E vocês devem se preparar para enfrentar uma concorrência cada vez mais acirrada.”

    Como a região não pode ser classificada como produtora de baixo custo, como é o caso do Oriente Médio, Bauman recomenda aperfeiçoar a produção, melhorar o atendimento aos clientes e ser mais criativo na oferta de grades de resinas e de formas de negociação, também visando à exportação. “Defendam o seu mercado, sejam os melhores, porque quem não tem baixo custo precisa ser diferente”, afirmou.

    Há iniciativas em todos os continentes para a defesa de posições de mercado. “O sistema Reach é uma tentativa dos europeus para proteger sua petroquímica”, explicou. Ele apontou unidades na França que deveriam ter sido fechadas há vinte anos, por ineficiência. Na Itália, há um produtor de polietilenos que ainda recebe o eteno por caminhões, mas é o principal empregador da cidade de Brindisi. “Embora a transformação de plásticos empregue quinze vezes mais gente que a petroquímica, os congressos europeus preferem incentivar a continuidade dessas operações”, criticou.

    A consolidação de negócios pode ser vista como um fator positivo para o setor. “A integração em um único grande produtor nacional, como foi feito com a Braskem, é um caso único no mundo e deve trazer excelentes resultados para os acionistas e funcionários, embora os compradores de resinas reclamem”, avaliou. Ele pondera que no mercado dos EUA não sobrou nenhuma indústria petroquímica não integrada – quem não se integrou, sofre para garantir o suprimento de matérias-primas.

    Bauman também ressaltou que o ciclo de baixa do setor perdura há mais de 750 dias e não há previsão de nova alta importante de preços. “Entre 2009 e 2010, os resultados foram até melhores do que o esperado, mas isso foi obtido pelo fechamento de fábricas, atrasos na partida de novas capacidades e uma recuperação de demanda mais rápida que a prevista”, explicou. Ao mesmo tempo, o consultor aponta a iminência do aporte de mais de 20 milhões de t/ano de polietilenos e de 13 milhões de t/ano de polipropileno em todo o mundo, abrangendo os projetos em fase de conclusão. Quanto mais fábricas entrarem em operação, mais longe ficará a recuperação de preços e margens.

    Para 2011, ele espera uma acomodação de mercados e queda de preços com a entrada em operação de vários projetos do Oriente Médio e da Ásia, que sofreram adiamentos para não dar partida no período mais crítico da crise mundial.

    Os produtores situados no Oriente Médio continuarão mantendo o ritmo de construção de capacidades petroquímicas, pois têm acesso direto a matérias-primas de baixo custo. Com isso, podem levar suas resinas para qualquer lugar do mundo, sem perder a competitividade. “Os sauditas, principalmente, mantêm uma política inteligente de crescimento que inclui a entrada em especialidades químicas como o pentaeritritol e as alfaolefinas, nesse caso com tecnologia própria”, comentou. Já o Irã é apontado como aplicador de um modelo de negócios confuso, com problemas para integrar os crackers com as linhas de polimerização.

    O panorama de mercado mostra um aperto no suprimento mundial de polietileno de baixa densidade, cujo desempenho financeiro tende a ser o melhor entre as resinas, seguido pelo PVC, também escasso. “O Chile vai buscar PEBD até em Israel; a América Latina recebia muita resina da Coreia, mas esse material agora está sendo consumido na própria Ásia”, explicou Bauman. Nos EUA, o polipropileno segue curto, pela falta de novas refinarias que pudessem gerar propeno adicional.

    Projetos sul-americanos – O consultor Jorge Bühler-Vidal, diretor da Polyolefins Consulting, de New Brunswick (New Jersey, EUA), apontou os principais investimentos factíveis na parte meridional da América do Sul. Eles visam principalmente à produção de amônia e ureia obtidas de gás natural no Brasil, Peru, Argentina e Bolívia. Na região, o Brasil se destaca como o maior investidor do setor nos próximos anos, devendo aplicar mais de US$ 6 bilhões em projetos como a Petroquímica Suape, Comperj e as unidades de amônia/ureia da Petrobras.


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