Química

5 de dezembro de 2008

Petroquímica – Consolidação ajudará setor a vencer período de crise global

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    m apenas dois meses, a indústria petroquímica mundial saltou do pico histórico de demanda para o abismo de uma possível recessão. Desde o estouro da chamada “bolha do subprime”, os efeitos da crise financeira internacional se propagam pelo mundo. As restrições ao crédito expulsaram os consumidores da cena econômica, sepultando a demanda por derivados petroquímicos. Começaram a aparecer em novembro os primeiros anúncios de paralisação temporária ou fechamento definitivo de unidades produtivas do setor, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

    Em parte, esses fechamentos podem ser justificados pela necessária substituição de unidades antigas pelas novas, maiores e mais eficientes, portanto com vantagens competitivas. Porém o gatilho do processo foi acionado pela queda abrupta e significativa do consumo de bens, a exemplo dos automóveis, situação que ameaça levar à falência os fabricantes de veículos de Detroit (Michigan, EUA).

    A reação imediata do setor petroquímico deu prioridade ao corte de custos e de produção. Além disso, projetos de novas unidades que ainda estavam “verdes” foram postergados. A retomada dos investimentos só será efetivada quando a crise for debelada e a demanda emitir sinais inequívocos de recuperação.

    A duração dessa crise global vai determinar sua interpretação futura como benéfica ou deletéria para a atividade industrial. Há quem defenda essa restrição de demanda como favorável a toda a cadeia produtiva, caso sua duração não exceda o prazo de alguns meses, por exemplo, até abril de 2009. Essa visão é explicada pelo fato de a economia mundial ter crescido com um vigor além do razoável (e sustentável) no último decênio, estimulada artificialmente pelo crédito farto e barato oferecido nas maiores economias do planeta. A superdosagem do anabolizante provocou a disparada nos preços das commodities, exigindo a aceleração dos investimentos em praticamente todos os setores. Esse quadro atirou para as nuvens a cotação do aço, do petróleo e dos serviços de engenharia e montagens, a ponto de inviabilizar ou de atrasar a execução de alguns produtos petroquímicos.

    Seguindo essa linha de raciocínio, para outros considerada exageradamente panglossiana, uma crise global rápida funcionaria como um “freio de arrumação” capaz de eliminar os exageros e introduzir uma certa racionalidade no mercado. Porém, como não se sabe ainda quando e com que magnitude a economia mundial voltará a crescer, muitos só enxergam nuvens sombrias no horizonte. É a hipótese do círculo vicioso da redução de demanda que provoca a paralisação de fábricas e o corte dos novos investimentos, fatos indutores de ondas de desemprego que alimentam a redução de demanda, e assim por diante.

    “Toda a indústria química brasileira vinha operando bem, com alta ocupação de capacidades, até setembro, quando estourou a crise”, comentou Nélson Pereira dos Reis, vice-presidente- executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos do Estado de São Paulo (Sinproquim). Até setembro, o consumo aparente de produtos do setor cresceu 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ele prevê que os resultados do quarto trimestre devem ser muito influenciados pela situação global, porque parte significativa da produção nacional é exportada.

    Química e Derivados, Nélson Pereira dos Reis, vice-presidente- executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos do Estado de São Paulo (Sinproquim),  Petroquímica - Consolidação ajudará setor a vencer periodo de crise global

    Nélson Pereira dos Reis: agenda do Reach será mantida, apesar da crise

    No entanto, Reis espera que a desvalorização do real em relação ao dólar consiga proteger a produção nacional contra a entrada de produtos importados, garantindo alguma estabilidade. “Sofremos muito com o dólar abaixo de R$ 1,60 e fizemos esforços para ganhar competitividade”, comentou. Sua expectativa para o câmbio aponta para a faixa entre R$ 2,00 e R$ 2,20 por dólar durante 2009.

    A análise das entidades setoriais transfere para o comportamento do mercado interno a responsabilidade de manter a ocupação das linhas químicas e petroquímicas. Segundo Reis, o poder de compra dos brasileiros não deve ser afetado até o final de 2008, por causa da combinação de preços das matérias primas em queda acelerada com o estímulo ao crédito para os consumidores (com uma desejável, mas não garantida, redução de taxas de juros).

    De qualquer forma, Reis informou que todas as indústrias químicas revisam seu planejamento para 2009, incorporando nas análises suas percepções quanto aos efeitos da crise mundial. Citando como exemplo os fertilizantes para agricultura, ele apontou mudanças radicais. “Os nitrogenados, dependentes do gás natural e do petróleo, estão com preços em queda, situação semelhante à  do enxofre, que foi caro demais durante 2008; mas os potássicos e fosfatados mantiveram seus preços”, comentou. “São situações novas que exigem repensar toda a atividade.”


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