Petroquímica

4 de maio de 2001

Petroquímica: Cadeia dos plásticos sofre com nafta cara

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    monopólio de fato da Petrobrás na comercialização da nafta petroquímica tende a prejudicar cada vez mais a cadeia produtiva do plástico. Essa, pelo menos, é a opinião do presidente do sindicato das indústrias de resinas sintéticas do Estado de São Paulo (Siresp) Jean Daniel Peter, ex-presidente da Union Carbide, há dois mandatos à frente do sindicato e, provavelmente, partindo para um terceiro em 6 de agosto, quando toma posse nova diretoria. “Estamos comprando em dólar e vendendo em reais, mas a estatal sequer sinaliza para um possível acordo que tente minimizar os efeitos negativos já visíveis em todas as gerações petroquímicas”, diz.

    Química e Derivados: Petroquímica: Peter - produção de resinas perdeu competitividade.

    Peter – produção de resinas perdeu competitividade.

    A posição do presidente do Siresp não é gratuita e se baseia na evolução dos preços do insumo. Nos últimos 17 meses, a nafta acumulou em reais um total de reajustes de 75,9%, passando de R$ 361,00 a tonelada, em janeiro de 2000, para R$ 635,00 em junho de 2001. O agravante, para Peter, é as gerações seguintes não poderem repassar todos os aumentos da Petrobrás, por pressão do mercado consumidor. O último reajuste da nafta, por exemplo, de 18% em 1º de junho, refletiu em um acréscimo de 11% no eteno e de 8%, no polietileno.

    Química e Derivados: Petroquímica: grafico08.Embora a terceira geração esteja reclamando com mesma intensidade dos repasses parciais no preço das resinas, de acordo com o executivo a tendência é essa política desastrosa continuar. “Com certeza haverá mais reajustes pela frente”, avisa. E o cenário pode ser ainda pior com a crise energética. Mesmo sendo a indústria petroquímica auto-suficiente, em virtude de seus muitos projetos de co-geração, para Peter será muito provável um aumento de até 30% nas tarifas. “Será mais uma vantagem competitiva que o Brasil deve perder.”

    Um impacto visível do encarecimento dos custos da segunda geração tem sido a crescente perda de capacidade de exportações extra-zona, ou seja, para mercados além da zona livre do Mercosul. Cerca de 80% dos produtores nacionais de resina não conseguem ser competitivos nas vendas externas. Até mesmo para o vizinho Chile, indústrias que antes atuavam forte nesse mercado hoje mal conseguem competir com produtores coreanos. “Ao contrário do Brasil, a cadeia petroquímica coreana privilegia a exportação”, diz Peter.

    Ainda para o presidente do Siresp, outro fruto da desunião da cadeia petroquímica nacional é a falta de uma política de investimentos coerente. Em países mais organizados, diz ele, a capacidade produtiva evolui por etapas pré-determinadas, nas quais os excedentes são exportados enquanto não há mercado interno, criando um círculo virtuoso cujo principal mérito é evitar importações. No Brasil, ao contrário, os investimentos correm sempre atrás do aumento da demanda interna. E, em razão de as expansões estarem sempre atrasadas, durante esse período de escassez o déficit da balança comercial cresce para manter o mercado interno abastecido. “Daí se compreende o déficit de US$ 6,5 bilhões do setor químico registrado em 2000”, diz.

    Futuro melhor – Apesar da falta de solução a médio ou longo prazo para o mercado interno, pelo menos o cenário mundial para os próximos anos não é dos piores. Há previsão de que o preço internacional do barril do petróleo comece a cair a partir de 2002 e, conseqüentemente, o da nafta. Dessa forma, a Petrobrás não terá mais desculpas para inflacionar o custo de produção das resinas.

    Essa perspectiva animadora se confirma por uma pesquisa interna da Basf, que prevê a recuperação do mercado de monômero de estireno a partir de 2002. Segundo o presidente do seu conselho de administração Heinz Mayer, e também diretor do Siresp, por conta dessa pesquisa o grupo trabalha estrategicamente com a perspectiva da recuperação do mercado de estireno em 2002, com alta provável de consumo de 3,5% e, em 2003 e 2004, com taxa de crescimento de 4% ao ano.

    Química e Derivados: Petroquímica: Investimentos locais, como a ampliação da Copesul, chegam sempre atrasados.

    Investimentos locais, como a ampliação da Copesul, chegam sempre atrasados.

    A pesquisa tem um significado importante, sobretudo ao se levar em conta que o desaquecimento da economia mundial, provocada em boa parte pela alta das matérias-primas, fez a antiga previsão de incremento de 4,7% para 2001 não se concretizar. “Neste ano o crescimento do mercado de monômero será zero”, afirma Mayer. O fraco desempenho da economia fez o segmento operar com super-oferta, o que deprimiu o preço da tonelada para US$ 520,00, contra uma antiga previsão para 2001 de US$ 650,00. Com capacidade de produção mundial de 22,9 milhões de t do monômero, e demanda por volta de 20,9 milhões, o nível de utilização está na casa dos 91%.

    Com a previsão de retomada de crescimento, o preço do estireno deve chegar em 2002, segundo a pesquisa da Basf, a US$ 565,00 a tonelada. “Não é muito, mas pelo menos poderemos voltar a lucrar”, diz Mayer. A lembrança do prejuízo no monômero remete a recente anunciado da matriz da Basf, no qual a empresa declara a intenção de fechar 10 sites e 14 unidades produtivas por todo o mundo, em razão dos resultados negativos do primeiro semestre. Bom ressaltar que a comunicação corporativa da empresa, na Alemanha, afirma que o Brasil não será atingido nessa estratégia. Nem mesmo o plano de construção de unidade de estireno com a Dow será descontinuado. Essa planta continuará a ser um dos projetos previstos no mundo para aumentar a oferta do monômero em 3,4 milhões de t até 2005 (caso o mercado realmente se recupere a partir do próximo ano).



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