Petroquímica

15 de abril de 2011

Petroquímica – Butadieno gaúcho terá duplicação

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    s águas de março fecharam o verão e trouxeram mais um anúncio oficial na chuva de investimentos da Braskem sobre o Rio Grande do Sul que já dura dois anos, ultrapassando a casa de R$ 1,3 bilhão. Isso inclui a menina dos olhos da companhia, a planta de eteno verde – inaugurada em 2010 –, desgargalamento de fábricas, ampliações e reformas das unidades. O peso-pesado da petroquímica latino-americana anunciou ter chegado a um acordo com o governo gaúcho, sobre benefícios fiscais e tributários. Com isso, a Braskem irá investir R$ 300 milhões na duplicação da produção de butadieno no polo petroquímico de Triunfo.

    A boa notícia foi transmitida pelo vice-presidente de relações institucionais, Marcelo Lyra, e por Alfredo Tellechea, membro do conselho de administração, em 29 de março, após reunião no Palácio Piratini. “A decisão ainda precisa ser ratificada pelo conselho de administração da empresa e foi influenciada pela visão estratégica do governo visando o crescimento do estado e está alinhada com o compromisso da Braskem com o desenvolvimento econômico regional”, afirmou Lyra.

    Pelo acordo, o governo gaúcho garantiu a isenção de ICMS na importação de máquinas e equipamentos sem similar no estado e que ingressem no Brasil por portos gaúchos. Além disso, não cobrará impostos sobre máquinas e equipamentos adquiridos de empresas gaúchas e autorizou a Braskem a pagar fornecedores localizados no estado com parte dos créditos tributários.

    Química e Derivados, Marcelo Lyra, Braskem Rio Grande do Sul, butadieno

    Lyra: investimento contará com incentivos tributários estaduais

    O investimento prevê a instalação de capacidade adicional de 100 mil t/ano de butadieno às 105 mil t/ano atualmente operadas pela companhia no estado. Do total a ser produzido no futuro, 98% será convertido em borracha de estireno-butadieno (SBR), como é feito com os volumes atuais.

    Segundo Lyra, a expansão está lastreada no potencial da cadeia produtiva estadual do elastômero, que tem como principais players a Lanxess e a Borrachas Vipal, além dos bons resultados que a matéria-prima vem apresentando no mercado internacional, com alta de preços de mais de 50% no ano passado em relação a 2009. Esse aumento reflete fatores como a limitação da oferta mundial, pela maior competitividade do gás natural, e a redução do uso da nafta em crackers petroquímicos, restringindo a oferta de coprodutos, como o butadieno.

    A previsão de partida da nova planta aponta para o final de 2012. A obra irá gerar mil empregos diretos e 60 postos de trabalho permanentes por conta da operação industrial. Em visita a Porto Alegre, em janeiro último, o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, destacou a relevância do estado para a empresa. “Nos últimos quatro anos, a Braskem investiu R$ 2,2 bilhões no estado, com destaque para a fábrica de plástico verde obtido de etanol, a maior unidade do mundo nessa tecnologia”, disse.

    Gás competitivo – No mesmo dia em que anunciou o nono ciclo de investimentos em território gaúcho, a Braskem realizou uma reunião para relato de cenário e ambiente de negócios da petroquímica, a cargo de João Luiz Zuñeda, sócio-diretor da Maxiquim, a principal consultoria do país na leitura de cenários petroquímicos e da indústria química em geral.

    Zuñeda avalia o atual cenário apontando para um ciclo de alta das commodities, porém num ambiente diferente. Segundo ele, 50% do polietileno do mundo nos próximos três anos será obtido das correntes de gás natural dos EUA e do Oriente Médio. Dessa forma irá ocorrer um contrabalanço entre as rotas da nafta e da gasoquímica, atenuando os efeitos da alta do petróleo.

    Para ele, as engrenagens da energia e do petróleo têm de voar a favor da lucratividade. Em 2008, houve a queda do consumo por conta da crise nos EUA. O consumo de nafta caiu 7,1% no mundo, 16% só nos EUA e apenas 1,4% nos países emergentes, notadamente, Brasil, China e Índia.

    Na retomada do crescimento, Brasil, Índia e China continuarão como locomotivas do consumo, devendo responder por um crescimento de 16%, atingindo algo em torno de 182 milhões de toneladas. Quarenta por cento desse total será de polietileno. “Quando a petroquímica ficou cara nos EUA, os empresários se deslocaram para o Oriente Médio e irão produzir 100 milhões de toneladas em 2010 somente naquela região”, exemplifica Zuñeda. Ele assinalou que a exploração do shale gas nos EUA se reverterá em mais exportação de resinas obtidas pela rota gasoquímica.

    De acordo com Zuñeda, quando se fala em Braskem e Petrobras, agora sócia do grupo petroquímico, trata-se de um conglomerado líder nas Américas, superando a Dow e a Exxon Mobil. Entretanto, tanto Dow quanto Exxon são poderosas no cenário mundial e detêm controle nos projetos de shale gas da América do Norte combinados com investimentos iniciados nas décadas passadas no Oriente Médio.

    Aonde vamos – Os próximos anos sinalizam elevada rentabilidade, a fase de alta do consumo, margens e níveis operacionais, principalmente a partir de 2013. O Brasil, dependente da nafta, perderá competitividade para a indústria gasoquímica dos EUA; a queda da petroquímica europeia segue em frente e a zona do euro passará a ter papel de mera coadjuvante no ambiente de negócios da petroquímica mundial, a caminho de uma indesejável decadência.

    “Não pensem em petróleo e nafta porque o preço do gás se descolou dele”, avisa Zuñeda. Agora, o gás independe das oscilações geopolíticas e da agitação no mercado de capitais. No começo do ano, avisa Zuñeda, pequenas tradings começaram a formar estoques de resinas em navios, prontos para singrarem os mares e abastecer qualquer mercado. “Há um excedente disponível de commodities”, sustenta o consultor.



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