Petroquímica

15 de setembro de 2011

Petroquímica – Braskem lucra mais no segundo trimestre

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Braskem, maior petroquímica nacional, fechou o segundo trimestre de 2011 com lucro líquido de R$ 420 milhões, 38% acima do registrado no trimestre anterior. O Ebitda da companhia no primeiro semestre deste ano chegou a R$ 2.084 milhões, superando em 7% o indicador referente ao mesmo período de 2010.

    Esses números positivos foram alcançados mesmo com as fábricas de Camaçari-BA operando com capacidade reduzida, normalizada apenas em junho. O polo petroquímico baiano foi severamente afetado pelo apagão elétrico de fevereiro, que provocou o coqueamento dos fornos de nafta, exigindo um trabalho lento de recuperação. A taxa de ocupação dos crackers ao final do segundo trimestre já havia chegado a 83%.

    A explicação dos bons resultados econômicos reside em parte na recuperação da demanda por resinas termoplásticas, com alta de 2% entre abril e junho. De outra parte, a elevação global dos preços petroquímicos influenciou positivamente os números trimestrais, compensando também a elevação das cotações da nafta petroquímica. Segundo a empresa, o preço global médio das resinas teve alta de 5%, contra 12% dos petroquímicos básicos e 9% da nafta. Além disso, o período registrou uma contínua valorização do real em relação ao dólar, reduzindo o impacto da nafta importada.

    “A expectativa é de elevação dos preços e margens petroquímicas em todo o mundo pelas limitações de oferta, embora permaneça alguma preocupação quanto à situação econômica dos países desenvolvidos”, comentou Carlos Fadigas, presidente da Braskem. Há paradas programadas em petroquímicas asiáticas, instabilidades políticas em todo o Oriente Médio e baixa ocupação das fábricas europeias e norte-americanas agindo para restringir a oferta global nos próximos meses.

    O mercado brasileiro de resinas está sendo atacado por importações oportunistas, especialmente no caso do PVC. Segundo Fadigas, a participação de resinas importadas no mercado local chegou a 31%. “Nossa política de buscar continuamente a melhoria da eficiência operacional nos permite manter a competitividade”, avaliou. Ele também identificou a forte entrada no país de produtos plásticos transformados.

    Química e Derivados - Carlos Fadigas - Presidente da Braskem

    Fadigas: expectativa de elevação de margens

    O movimento de importações tem origem difusa. No caso das resinas polietilênicas e polipropilênicas, a América do Norte responde por 35% dos ingressos, sendo outros 16% da Argentina e 17% da Ásia. No caso do PVC, produtos colombianos têm acesso direto ao mercado brasileiro (sem imposto de importação), por força de acordo internacional. “Há PVC da América do Norte entrando no mercado local por meio de triangulações, que estamos contestando e solicitando medidas antidumping”, explicou Fadigas. Ele admite que a taxa média de câmbio de R$ 1,60 por dólar, registrada no segundo trimestre, expôs muito a indústria nacional à competição. O dólar começou a se recuperar em setembro, chegando a R$ 1,70.

    Fadigas comenta que essas importações decorrem do fato de algumas dessas origens terem perdido seu mercado local, encontrando no Brasil um destino alternativo. “Para piorar, há alguns portos nacionais que devolvem metade do ICMS para o importador, uma atitude inconstitucional”, criticou.

    A receita da Braskem com exportações no primeiro semestre chegou a US$ 31 bilhões, 64% acima de igual período de 2010. Cerca de 70% desse valor se relaciona com vendas de petroquímicos básicos. A empresa conta com escritórios comerciais na América Latina, Europa e Estados Unidos. Essa rede foi ampliada recentemente, com um escritório em Cingapura.

    A política de investimentos da companhia está mantida até segunda ordem. Durante o primeiro semestre, foram realizados investimentos de R$ 773 milhões, quase a metade do total orçado para o ano todo, de R$ 1,6 bilhão. A maior parte desses recursos está direcionada a aumentos de capacidade, a exemplo da nova unidade de PVC de Alagoas, com entrada em produção prevista para maio de 2012.

    Além disso, a Braskem investe R$ 300 milhões para construir nova fábrica de butadieno, insumo para a produção de borracha sintética, em escassez mundial, motivo pelo qual seus preços subiram 55% em 2011. O butadieno aproveita a corrente C4 dos crackers, melhorando a rentabilidade operacional. Foram investidos R$ 40 milhões no projeto durante o primeiro semestre deste ano. A companhia prevê arrecadar R$ 200 milhões em contratos de pré-venda do butadieno, até a inauguração da unidade, prevista para 2013. Ela ampliará em 30% a capacidade de produção do material pela companhia, chegando a 446 mil t/ano.

    Outros investimentos importantes da companhia estão sendo feitos no México (Etileno XXI), ainda em fase inicial de construção, além da expectativa pela definição dos projetos petroquímicos do Comperj e a possibilidade de aproveitar o etileno do shale gas norte-americano. Mas estes ainda podem ser considerados prematuros.


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