Petróleo & Energia

14 de novembro de 2002

Petróleo: Petrobrás exige mais qualidade de fornecedores

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Petrobrás anunciou mudanças no relacionamento com fornecedores de bens de capital e serviços, com ênfase na garantia de qualidade. Empresas nacionais e estrangeiras interessadas em disputar encomendas do plano de investimentos da empresa, avaliado em US$ 31,2 bilhões até 2006 (vide QD-407), dos quais US$ 600 milhões apenas na área de automação industrial, devem estar atentas ao recrudescimento das exigências.

    Química e Derivados: Petróleo: Alonso - novo enfoque é resposta a onda de acidentes.

    Alonso – novo enfoque é resposta a onda de acidentes.

    “Queremos fornecedores world class, com nível de excelência de qualidade”, afirmou Paulo Sérgio Rodrigues Alonso, gerente de cadastro, qualificação e desenvolvimento de materiais e novos fornecedores da Petrobrás. O sistema atual de seleção se baseia em dois pilares: contar com sistema de garantia de qualidade implantado, na linha ISO 9000, e uma tradição de fornecimento, checada por experiências anteriores na própria petroleira ou em clientes de porte similar. “A partir de agora, vamos também enfocar a qualidade do produto”, disse Alonso.

    Isso será feito por causa de uma insuficiência nas normas atuais de garantia de qualidade. Segundo Alonso, se uma fábrica de panelas produz apenas panelas furadas, de forma sistemática, ela atende aos requisitos da norma, mas seus produtos são insatisfatórios. “Na atividade de petróleo, é fundamental ter certeza da qualidade dos equipamentos e serviços”, comentou. A experiência recente com acidentes, tanto na área de produção e refino, como em transportes, justificam a preocupação da companhia, igualmente interessada em obter o máximo de rendimento econômico de suas compras, alcançando elevada durabilidade, até excedendo a vida útil projetada.

    A Petrobrás analisou os principais itens consumidos, agrupando-os em setenta famílias diferentes, enquadradas em três níveis de prioridade, considerando o volume de compras e o grau de risco ligado à aplicação. Segundo Alonso, cada família terá descritos os pontos fundamentais para verificação, cuja identificação será efetuada mediante consultas a técnicos e usuários de cada produto.

    A fim de contribuir para o aprimoramento dos fornecedores nacionais, como faz há décadas, a Petrobrás convidará as empresas cujos produtos apresentarem não-conformidades a apresentar um plano de correção. “Manter fornecedores locais qualificados é ponto de importância estratégica para a empresa”, explicou. Historicamente, 70% das compras da companhia são feitas junto a fabricantes nacionais, e até houve época em que esse percentual chegou nos 90%, segundo o gerente.

    Ao mesmo tempo, Alonso informou que, dentro do plano de investimentos programado, grande parte das encomendas se refere a artigos nunca antes produzidos no País, a exemplo de reatores com especificações complexas, semelhantes aos da área nuclear. “Por meio do cadastro, tentaremos identificar empresas capazes de desenvolver esses produtos, talvez por meio de associações com fabricantes internacionais, ou por acordo de cooperação tecnológica com a Petrobrás”, disse. O gerente de cadastro salientou que a companhia já tem experiência nesse tipo de acordo, supervisionado pelas áreas de materiais, exploração e produção. Como exemplo, ele citou o desenvolvimento de um atuador de válvulas para áreas classificadas (de alto risco) que resultou em produto eficiente depois de quatro anos de esforços conjuntos com a gaúcha Coester. Segundo Alonso, há 53 projetos de cooperação tecnológica em avaliação pela Petrobrás, na sua maior parte referente a itens ligados ao gás natural. “Por ter pouca experiência com esse produto, o Brasil apresenta carência de fornecedores e produtos cadastrados e qualificados”, comentou, salientando a necessidade de estimular as empresas locais a se dedicarem ao gás. “O gás natural deve representar 12% da matriz energética brasileira até 2010”, afirmou.

    Exigências iguais – Fabricantes de bens de capital brasileiros sempre criticam a Petrobrás por exigir mais dos fornecedores nacionais do que dos estrangeiros. “Isso é completamente falso”, rebateu Alonso. “Os fornecedores internacionais atendem aos mesmos requisitos que os nacionais e até mais.”

    Todos, indistintamente, devem apresentar certificados de conformidade com a ISO 9000, além de um histórico de clientes. A única diferença, segundo o gerente, é que, por força de lei, os fornecedores nacionais são obrigados a apresentar certidões negativas de débitos com a Fazenda Nacional e com a Previdência Social. “Isso não pode ser exigido dos estrangeiros, que nem sabem o que é o INSS”, disse.

    No entanto, ele admitiu que a crítica era justa quando se dirigia aos contratos indiretos da companhia, feitos por meio de acordos na linha turn key, por exemplo. “Mas, agora, até os fornecedores das contratadas da Petrobrás deverão se enquadrar nas novas exigências de qualidade”, salientou.


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