Química

15 de junho de 2010

Petróleo & Energia – OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore

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Publicado por: Bia Teixeira
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    acidente da plataforma Deepwater Horizon, da Transocean, a serviço da britânica BP, no Golfo do México, a cerca de 80 quilômetros da costa da Louisiana, que causou o vazamento contínuo de cinco mil barris de petróleo por dia, foi o grande tema nas rodas de conversas, painéis, debates e entrevistas da Offshore Technology Conference 2010 (OTC 2010), realizada em Houston, no estado do Texas (EUA), entre os dias 3 e 6 de maio. Maior feira e congresso de tecnologia offshore da indústria mundial de petróleo, a OTC 2010 recebeu quase 73 mil pessoas, visitantes, especialistas, pesquisadores, empresários e profissionais do setor de óleo, gás e indústria naval, além de representantes de organizações de classe, câmaras de comércio e instituições financeiras.

    Química e Derivados, José Sérgio Gabrielli, Presidente da Petrobras, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore

    Gabrielli fala, com diretores da estatal: segurança ampliada

    Embora ainda não tenha superado o público de mais de 108 mil pessoas e 2.500 empresas, registrado em 1982, foi um número superior ao dos anos anteriores. Em 2008, por exemplo, a crise mundial e a gripe suína tiveram reflexos no número de participantes desse evento que é realizado desde 1969 por um grupo de doze organizações relacionadas às atividades da indústria de óleo e gás.

    A importância da OTC na agenda da indústria mundial de petróleo é confirmada pela participação de 2.400 empresas, de 40 países, que exibiram seus produtos e serviços em estandes próprios ou em pavilhões – como o do Brasil –, espalhados em 568 mil m² do gigantesco Reliant Center. É cinco vezes a área ocupada pela Rio Oil & Gas, maior evento brasileiro do setor de petróleo, realizado a cada dois anos no Riocentro, no Rio de Janeiro, com uma área total similar (571 mil m²), se considerados os 200 mil m² de área verde e os estacionamentos.

    Emoção dos negócios – “Nós estamos nos unindo nesse momento complicado para a indústria de exploração offshore. Apesar de ainda não sabermos a causa do acidente, é importante lembrar que esse setor leva padrões de segurança e meio ambiente a sério”, declarou Susan Cunningham, chairman da OTC 2010, que também anunciou a realização da OTC Brasil no próximo ano.

    Química e Derivados, Estande da Petrobras, Petróleo & Energia - OTC 2010: Desastre ambiental no Golfo do México ameaça a exploração off shore

    Número de visitantes no estande da Petrobras refletiu interesse pelos investimentos no pré-sal

    Mas, a despeito do enorme impacto ambiental e econômico que o acidente no Golfo do México representa – tanto para a BP e os demais envolvidos nesse empreendimento como também para diversos setores da economia da região que serão afetados pela maré de óleo –, a indústria petrolífera, que tem o risco em sua rotina, continua fiel à sua essência de não perder nenhuma oportunidade para ampliar seus negócios. Tanto as petroleiras, que têm como principal desafio descobrir e incorporar novas reservas de petróleo e gás para manter uma produção ascendente, como toda a cadeia produtiva, que busca mercados com demanda aquecida ‘fora do mundo em crise’ – econômica ou política – e nas regiões onde as atividades exploratórias estão arrefecendo, como o Mar do Norte.

    Nesse cenário conturbado, nada no mundo ocidental parece tão atraente como o pré-sal brasileiro – principalmente graças às grandes descobertas de petróleo nos últimos quatro anos, que praticamente dobraram as reservas brasileiras – e o aquecimento das atividades exploratórias nos próximos anos para desenvolver essas riquezas.

    O que abre possibilidades para diversas parcerias entre as petroleiras e negócios para a cadeia de fornecedores, de parafusos a navios. Mas, sem ter um cardápio mais incrementado de soluções inovadoras – a inovação ficou mais por conta dos debates nos seminários e sessões técnicas –, as companhias que montaram luxuosos estandes procuravam vender seus produtos e serviços enquanto seus “olheiros” avaliavam as oportunidades de parcerias em outros mercados.

    Isso ficou claro no ‘assédio’ internacional às empresas brasileiras que integraram o Pavilhão Brasil, a apenas uma quadra do estande da Petrobras, ou mesmo as que montaram estande próprio – como foi o caso do Estaleiro Mauá – ou ficaram no espaço de parceiros comerciais.

    Organizado há onze anos pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), o pavilhão brasileiro reuniu 37 organizações, incluindo os organizadores e a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), em respeitáveis 550 m².

    No horizonte Petrobras – A Petrobras, que já se acostumou a ser cortejada por fornecedores e petroleiras estrangeiras que prospectam oportunidades de parcerias futuras, foi o foco das atenções por múltiplos motivos. Com os olhares voltados para o acidente no Golfo do México, a imprensa quis mais detalhes sobre o projeto dos campos de Cascade e Chinook, operados pela Petrobras, naquela região.

    Com 100% de participação no campo de Cascade e 66,7% no de Chinook, em parceria com a Total (33,33%), a petroleira brasileira pretende iniciar a produção no segundo semestre, quebrando um paradigma. Vai produzir petróleo por intermédio de um FPSO (Floating Production Storage and Offloading) – unidade de produção, armazenamento e estocagem de petróleo.

    É a primeira vez que esse sistema de produção será utilizado no Golfo do México, em décadas de atividades. O feito pioneiro, como indica o nome da própria unidade – FPSO BW Pioneer (pioneiro) –, é uma vitória da Petrobras perante as autoridades norte-americanas, principalmente o Minerals Management Service (MMS), agência reguladora local, que desenvolveu em conjunto com a Petrobras novas regulamentações na utilização do FPSO. “Isso só foi possível por causa da experiência da Petrobras, que opera cerca de 50% de todas as unidades flutuantes do mundo. O segundo lugar fica com algo em torno de 15%”, destacou Orlando Azevedo, presidente da Petrobras America, subsidiária da estatal brasileira nos Estados Unidos.


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