Química

15 de fevereiro de 2010

Petróleo & Energia – Crise econômica e reservatórios cheios nas hidrelétricas põem gás natural em ritmo lento

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Publicado por: Bia Teixeira
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    Reportagem por Bia Teixeira e Cristina Santos

     

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    ma inversão de cenários marca o mercado de gás natural no Brasil. Se há três anos, após a nacionalização dos ativos do setor de petróleo e gás na Bolívia (maio de 2006), a corrida contra o tempo para evitar um “apagão” exigia da Petrobras esforços para disponibilizar um volume maior de gás para termelétricas e indústrias – ambas em fase de expansão acelerada de consumo –, a situação atual é completamente oposta.

    O ritmo da estatal para o gás natural está lento, mais para o tango argentino do que para o samba carioca. E atrasa projetos, uma vez que a Petrobras, única produtora nacional e controladora do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), a responsável pelo fornecimento de gás para as distribuidoras estaduais, não tem mais onde colocar o gás natural no momento.

    Depois do boom no setor termelétrico e industrial, principalmente, incentivado pelo governo e pela estatal, como forma de ampliar a participação desse combustível na matriz energética brasileira, o setor de gás natural perdeu a cadência.

    Com os reservatórios abarrotados e até vertendo água, em alguns casos, sem maiores demandas de energia, as térmicas pouco geraram no decorrer do ano passado e no início de 2010. O cenário de desaquecimento da economia, decorrente da crise financeira internacional que explodiu no final de 2008, contribuiu para o crescimento pífio no consumo de energia elétrica em 2009.

    Ainda que não tenha sofrido o mesmo impacto que a crise provocou nos Estados Unidos e na Europa, o Brasil não conseguiu evitar o arrefecimento nas atividades industriais, que contribuiu para uma queda no fornecimento direto de gás para este setor. Somado a isso, o aumento expressivo do valor do barril de petróleo no mercado internacional – no qual se baseia o cálculo para o preço do gás nacional – ao longo de 2009, fez com que esse combustível perdesse a competitividade perante outros energéticos, como o óleo e até a lenha ou o carvão, além da própria geração hidrelétrica, no caso da indústria principalmente.

    Sinais de fumaça – O primeiro sinal evidente de que havia um volume excedente de gás natural no país foi a redução da importação do gás boliviano, que no ano passado ficou na média de 21 milhões de metros cúbicos por dia, ante a capacidade máxima de 31 milhões em 2008.

    Em seguida, houve a suspensão das atividades em plataformas de produção de gás não-associado, como é o caso dos campos de Camarupim e Peroá-Cangoá, na Bacia do Espírito Santo, e desaceleração geral nas demais unidades, terrestres ou marítimas.

    A produção nacional, que vinha em um crescente desde 2000, quando passou de 13,3 bilhões de m³/dia para os quase 14 bilhões em 2001, chegando a 17,7 bilhões em 2006, para saltar aos 21,6 bilhões de 2008, entre janeiro e novembro de 2009, ficou pouco acima de 18,2 bilhões de m³/dia.

    Esses dados são da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP – Boletim Mensal de Produção, conforme o Decreto n.º 2.705/98). Nesse total estão incluídos os volumes de reinjeção, queimas, perdas e consumo próprio de gás natural por parte das petroleiras. De acordo com o mesmo boletim, o volume de gás reinjetado no início da década era de 2,7 bilhões de m³/ano enquanto que no final de 2009 somava mais de 4,3 bilhões de m³.

    A queima e perda de gás no processo tiveram uma curva descendente nos primeiros anos dessa década, também por imposição de novas normas ambientais: passou de 2,3 bilhões em 2000 para 1,5 bilhão, em 2004. Mas começou a aumentar de novo daí em diante, chegando a 1,9 bilhão em 2007, alcançando quase 2,2 bilhões em 2008, saltando para 3,4 bilhões em 2009.

    A queima atingiu picos de 13,3 milhões de m³/dia em junho do ano passado. O volume é surpreendente, considerando, por exemplo, que a Comgás, a maior distribuidora de gás canalizado do país, no mesmo período, vendeu 12,2 milhões de m³/dia. A Petrobras estima que em 2010 a queima de gás deverá diminuir em relação ao ano passado, quando uma série de manutenções em plataformas de produção puxou os números para níveis recordes.

    E o consumo próprio das petroleiras nas atividades de exploração e produção passou de 1,7 bilhão, em 2000, para 3,1 bilhões de metros cúbicos/dia de gás natural em 2009, de acordo com o boletim mensal da ANP. A agência destaca que esse consumo se refere não somente às áreas de produção, mas também das UPGNs de Urucu I, II e III, Guamaré I, II e III, Pilar, Atalaia, Carmópolis, Candeias, Catu, Bahia, Lagoa Parda e Cabiunas.

    Desacelerando – Em janeiro, a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, informou ao mercado que a intenção da estatal é alterar o cronograma do ramp-up das plataformas de Mexilhão e Uruguá-Tambaú, ambas na Bacia de Santos. “Elas serão instaladas no prazo previsto, mas produzirão o mínimo demandado”, disse a diretora.

    Segundo ela, para Mexilhão está prevista a produção de apenas dois milhões de m³/dia, volume bem aquém de sua capacidade alardeada de 15 milhões de m³/dia. Um banho de água fria no entusiasmo da própria estatal, que se orgulha de estar instalando uma das maiores plataformas de gás natural já construídas no mundo.


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