Petróleo & Energia

15 de julho de 2010

Petrobras – Plano de negócios requer US$ 224 bilhões para ampliar a exploração das áreas do pós e do pré-sal

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Publicado por: Bia Teixeira
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    ano começou, finalmente, para a indústria brasileira de óleo e gás, que viu acontecer em junho alguns lances decisivos para o futuro do setor, atual motor do desenvolvimento econômico do país. A Petrobras anunciou no dia 21 o aguardado plano de negócios para o quinquênio 2010-2014 (PN 2010-2014), anunciando investimentos de US$ 224 bilhões – um pouco acima (menos de 2%) do que fora antecipado pela diretoria em março. O montante representa uma média anual de investimentos de US$ 44,8 bilhões, praticamente US$ 10 bilhões acima do estipulado no plano anterior. A cadeia produtiva setorial instalada no país espera contar com US$ 28,4 bilhões do valor anunciado na forma de contratações de bens de capital e serviços.

    O PN 2010-2014 foi anunciado doze dias depois da aprovação pelo Congresso Nacional do projeto de lei que autoriza a União a ceder onerosamente à estatal o direito de realizar atividades de pesquisa, exploração e produção de petróleo e gás natural em determinadas áreas do pré-sal, ainda não licitadas, limitado ao volume máximo de 5 bilhões de barris de óleo equivalente.

    Esse projeto legislativo, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 30 de junho, depois do anúncio do plano de negócios, autorizou ainda a União a subscrever ações do capital social da Petrobras. Enfim, foi dado o sinal verde para a capitalização da petroleira, que tem, além dos desafios tecnológicos, a missão de arrecadar recursos para tocar os 686 projetos de grande porte previstos para esse período (contra os 531 projetos do PN anterior).

    Essas definições, aguardadas ansiosamente pelo mercado financeiro, pelos fornecedores e investidores internacionais, concentraram as atenções de todos os setores, deixando passar despercebidos alguns atrasos no cronograma e mudanças na estrutura da Petrobras. O campo de Mexilhão parece ter caído no ostracismo – sem trocadilho –, uma vez que nem mesmo a Petrobras comentou mais um atraso do início das operações da gigantesca plataforma PMXL-1, previsto inicialmente para 2008, porém várias vezes adiado, até ser “definitivamente” programado para este ano. A unidade de produção deveria ter extraído o primeiro gás em março, depois em maio e, finalmente, em junho. Ainda não entrou em atividade, embora já esteja completamente instalada a imensa estrutura, de 25,3 toneladas e 227 metros de altura, desde o solo onde está fixada até o ponto mais alto dos módulos.

    As conexões submarinas, da plataforma aos poços, assim como o gasoduto de quase 140 quilômetros, que interliga a PMXL-1 à Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, estariam concluídas. Mas faltariam alguns ajustes nas unidades de processamento da UTGCA, que também processará, no futuro, o gás de Uruguá-Tambaú e a produção inicial de Tupi.

    Repartindo o bolo – Além do silêncio sobre Mexilhão, é com discrição que a Petrobras decidiu repartir melhor a imensa Bacia de Santos, de mais de 352 mil quilômetros quadrados desde o litoral sul do Rio, onde está o valioso campo de Tupi, até o sul de Santa Catarina. No dia 2 de julho, sem alarde, o gerente-executivo de exploração e produção corporativo da Petrobras, José Jorge de Moraes Junior, representou o diretor de exploração e produção Guilherme Estrella na solenidade de instalação da Unidade de Operações de Exploração e Produção do Sul (UO-SUL). Ela foi criada por causa do “acréscimo do volume de atividades da UO-Bacia de Santos (UO-BS)”, como explicou a nota oficial da companhia.

    O gerente-geral da (UO-BS), José Luiz Marcusso, estava lá para “entregar” o seu antigo ativo ao titular da nova unidade, o geólogo Nilson Rodrigues, que gerenciará a aplicação de US$ 220 milhões, até 2014, nos negócios de petróleo e gás natural na região sul da Bacia de Santos.

    Química e Derivados, Mapa, Petrobras - Plano de negócios requer US$ 224 bilhões para ampliar a exploração das áreas do pós e do pré-sal

    Mapa mostra os campos que ficaram com a UO-Sul

    O evento também tornou pública a nova nomenclatura que a estatal está adotando para suas gerências regionais de exploração e produção (E&P), até então denominadas unidades de negócios (UM), como eram bem conhecidas a UN-BC (Bacia de Campos), UN-ES (Espírito Santo) e a própria UN-BS, como era denominada a gerência da Bacia de Santos. Classificam-se agora como gerências operacionais. Talvez porque os negócios estejam cada vez mais centrados na alta administração da empresa.

    É bem verdade que, em março, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já havia cogitado a reativação da unidade Sul, fechada em 2002, quando foi apresentado o primeiro óleo extraído das áreas de Tiro e Sídon, aumentando as possibilidades de expansão econômica para Itajaí e Santa Catarina. Segundo a Petrobras, o objetivo é “distribuir melhor a responsabilidade pela gestão das operações de exploração e produção da Bacia de Santos”, que terá um incremento operacional a partir do próximo ano, quando deverão estar operantes o projeto piloto de Tupi (previsto para o final desse ano) e o teste de longa duração de Guará (para o mesmo período), além do teste de longa duração (TLD) de Tupi Nordeste.

    Itajaí, no litoral de Santa Catarina, onde a Petrobras situou em 2008 a sede do Ativo Sul da Bacia de Santos (dividida, até então, em diversos ativos, sob o comando da UN-BS), abrigará a nova UO, que responderá pela produção das áreas de Tiro e Sídon, ainda em fase de TLD, produzindo atualmente 17 mil barris por dia de petróleo leve. Cuidará ainda dos campos offshore de Cavalo Marinho, Caravela, Estrela do Mar e Tubarão, que ainda não começaram a ser explorados devido à falta de uma infraestrutura ou sinergia com áreas próximas para escoamento da produção, principalmente gás natural, inclusive quando associado ao petróleo.


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