Petróleo & Energia

15 de outubro de 2011

Petrobras – Plano aperta os cintos, mas reforça investimentos de E&P

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    cobertor ficou curto. A revisão do plano de negócios da Petrobras para o quinquênio 2011-2015 apresentou um corte de investimentos de R$ 30,8 bilhões em relação ao plano anterior (2010-2014), com a readequação de projetos e cronogramas para atender aos apelos de contenção de gastos feitos pelo governo federal. O tombo de R$ 419,7 bilhões para R$ 388,91 bilhões, porém, converte-se em aumento quando exposto na moeda americana: US$ 700 milhões, passando dos anteriores US$ 224 bilhões para US$ 224,7 bilhões.

    O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, explicou que, do valor de US$ 224 bilhões do PN anterior, foram retirados projetos no total de US$ 10,8 bilhões. Os remanescentes precisaram ter o valor majorado em cerca de US$ 8,5 bilhões, para compensar a variação cambial recente, com uma ligeira desvalorização do real. O valor desses projetos também aumentou US$ 6,4 bilhões pelas alterações de escopo e em mais US$ 1,5 bilhão por mudanças nos orçamentos. A reorganização dos cronogramas permitiu reduzir em US$ 23,7 bilhões o capital a investir, economizando também US$ 600 milhões com alterações no modelo de negócios. Por fim, o PN 2011-15 passou a incluir outros US$ 32,1 bilhões em novos projetos.

    Em qualquer moeda, a revisão do plano de negócios evidencia a preferência pelos investimentos em exploração e produção (E&P), atividade em que a taxa interna de retorno dos projetos é maior, como explicou Gabrielli. Isso se faz necessário tanto para satisfazer o principal acionista quanto para gerar caixa para bancar o portentoso portfólio de investimentos para os próximos anos. Um caixa robusto, além de custear as atividades, também melhora os indicadores financeiros examinados pelos investidores internacionais, permitindo captar recursos lá fora mediante o pagamento de juros mais baixos. Aliás, o rating da estatal foi elevado pela agência Moody’s, de Baa1 para A3 no final do segundo trimestre de 2011.

    Isso também explica por que a estatal promoverá, pela primeira vez na sua história, um plano de desinvestimentos no valor de U$ 13,6 bilhões. Isso resulta na transferência para terceiros de campos considerados menos atraentes, além de revisar projetos de baixa rentabilidade, modificando seus cronogramas.

    O plano 2011-15 (integrante do planejamento da Petrobras para 2020) destinou 57% dos investimentos para E&P, ou seja, US$ 127,5 bilhões, dos quais US$ 22,8 bilhões exclusivamente para atividades exploratórias. No plano anterior, E&P ficavam com 53% do bolo, ou US$ 118,8 bilhões. O adicional de US$ 8,7 bilhões cobrirá as despesas na área da cessão onerosa (com pagamento antecipado feito à União pelo óleo a ser produzido em uma parte da região do pré-sal), que não constavam do plano anterior, para bancar a operação do campo de Lula, a montagem de estrutura operacional na nova fronteira de exploração em águas profundas, e reforçar os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de novas descobertas. Ao mesmo tempo, projetos que revelaram insucessos na fase exploratória serão descontinuados e alguns projetos menos rentáveis de desenvolvimento da produção serão revisados.

    Menos sorte tiveram as áreas de abastecimento (logística, refino e petroquímica) e gás & energia. Os cortes foram de, respectivamente, US$ 4,3 bilhões e US$ 4,6 bilhões. Com isso, a entrada em produção do primeiro trem de operação da refinaria Premium I, no Maranhão, foi postergada de 2014 para 2016. Também ficaram fora da lista dos investimentos até 2015 os projetos ligados à logística de querosene de aviação (QAV) para Brasília e a tancagem de óleo combustível para as termelétricas da companhia, mesmo destino da primeira linha de refino da Premium II, no Ceará.

    Entrou com destaque no rol de projetos dessa revisão dos investimentos da estatal a fábrica de óleos básicos da futura refinaria do Comperj, que tem partida prevista para 2013 – a unidade para 400 mil m³/ano de óleo básico parafínico grupo dois ficará pronta apenas em 2016. A adequação da Revap e a implantação de monoboias em São Francisco do Sul-SC também estrearam na lista.

    Especificamente para 2011, o volume de investimentos da estatal caiu de R$ 93 bilhões para R$ 84,7 bilhões. “Mesmo assim, esse valor supera em 11% o valor dos investimentos realizados em 2010, de R$ 76,4 bilhões”, informou Gabrielli. A meta de produção de óleo e gás da companhia, incluindo as operações internacionais, foi mantida em 2.772 mil boed.

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    Gabrielli: metas de petróleo e gás foram mantidas

    O plano para os próximos cinco anos, no entanto, aponta para um significativo aumento da produção total esperada da companhia, chegando a 3.993 mil boed em 2015, dos quais 3.070 mil bpd referentes a óleo e condensados no Brasil (543 mil boed vindos do pré-sal). Ampliando o horizonte para 2020, a expectativa é ainda mais ambiciosa: 6.418 mil boed, contra 5.382 mil da versão anterior, justificada pela entrada em produção de vários projetos no pré-sal, até mesmo na área de concessão onerosa.

    E&P irrigado – As torneiras do caixa da estatal vertem de maneira abundante para a área de exploração e produção (E&P), que ficará com o total de US$ 127,5 bilhões de investimentos até 2015. Desse total, US$ 117,7 bilhões serão aplicados no país, divididos em 65% para desenvolvimento da produção, 18% na exploração e 17% para infraestrutura. A região do pré-sal receberá 45,4% desses investimentos, com a promessa de responder por 40,5% de toda a produção nacional de petróleo em 2020 – atualmente não passa de 2%. “As curvas de produção obtidas nos testes de longa duração indicam que os campos do pré-sal são mais produtivos, oferecendo maior retorno financeiro, motivo pelo qual recebem mais investimentos”, explicou Gabrielli. Como exemplo, ele citou o primeiro poço comercial do pré-sal, no campo de Lula, que já é o mais produtivo da estatal.


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