Petróleo & Energia

14 de agosto de 2002

Petrobrás: Investimentos ajustam refino para usar mais óleo nacional

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Companhia desenvolve plano integrado para aumentar a produção de petróleo e adequar suas refinarias para processar os óleos pesados da bacia de campos, oferecendo derivados coerentes com a demanda

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    s bons resultados na prospecção e exploração de petróleo e gás natural na Bacia de Campos permitem à Petrobrás prever a conversão de importadora para exportadora líquida de óleo cru a partir de 2005. A auto-suficiência nacional na principal matéria-prima energética, meta perseguida com afinco desde o primeiro choque do petróleo, já está próxima de ser alcançada, bastando elevar a produção diária da média atual de 1,8 milhão de barris de óleo equivalente (boe) para o volume de 2,27 milhões esperado para 2005. Para tanto, será preciso investir US$ 18,9 bilhões, apenas na área de exploração e produção.

    Química e Derivados: Petrobrás: Maior refinaria do País, Replan está na lista dos investimentos.

    Maior refinaria do País, Replan está na lista dos investimentos.

    Além disso, o parque refinador nacional, com participação dominante da Petrobrás, responsável por 78% do 1,82 milhão de barris por dia (bpd) de derivados produzidos, demanda investimentos para eliminar gargalos operacionais, aprimorar a qualidade de seus produtos e ampliar a segurança ocupacional e ambiental. A companhia planeja investir em refino US$ 4,9 bilhões, sendo US$ 4,7 bilhões de capital próprio, distribuídos pelas onze refinarias nacionais. A aplicação dessa quantia será feita no intervalo entre 2001 e 2006, com média anual de US$ 800 milhões, quantia próxima à dos anos em que foram feitos os maiores investimentos nesse segmento no País, na década de 70. Além disso, 75% dos bens e 100% dos serviços serão comprados no Brasil, com reflexo significativo no mercado de trabalho, pois indicam a contratação, direta ou indireta, de 56 mil trabalhadores.

    “Estamos promovendo uma segunda corrida do refino no Brasil”, comentou o diretor da área de abastecimento da Petrobrás, Rogério A. Manso da Costa Reis. Esses investimentos serão conduzidos de modo a converter as unidades de processamento para receber os óleos nacionais, mais viscosos e com alta acidez naftênica. Além disso, a empresa pretende obter produtos diferenciados dos da concorrência, incluindo combustíveis adequados para motores de alto desempenho, além de contribuir para a redução da poluição ambiental pela sensível diminuição do teor de óxidos de enxofre. Essa estratégia permitirá ampliar a participação de derivados de maior valor na matriz de refinados, garantindo melhor remuneração para a companhia.

    Química e Derivados: Petrobrás: petro01. Cabe ressaltar que os investimentos não contemplam acréscimo na capacidade instalada de destilação de óleo cru, mas poderá permitir o uso total das instalações. “Algumas refinarias não podem operar à plena carga por não contar com unidades para tratamento de resíduos, como o coque”, explicou o gerente geral de planejamento e gestão da área de abastecimento, Paulo Maurício Cavalcanti Gonçalves. O exemplo típico é a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de Canoas-RS, que só ocupa 61% da capacidade de destilação por falta de instalações para coque e para hidrotratamento de derivados pesados. “Com a conclusão do investimento em curso, será possível aproveitar mais 10 mil m³ de capacidade nominal.” A Refap é operada em parceria entre a Petrobrás e a Repsol/YPF.

    A ampliação da capacidade de destilação de óleo cru da Petrobrás foi impedida pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em face da posição dominante da empresa no mercado de petróleo e derivados no País. “Também a regulamentação da atividade, instituída com a lei 9.478/97, tem por objetivo atrair novos players para o mercado nacional”, considerou Manso. “A Petrobrás pode até entrar como parceira, de modo a facilitar essa atração”. Segundo explicou, para a Petrobrás seria muito interessante contar com a presença de concorrentes locais. Isso permitiria comprovar a eficiência da companhia perante o consumidor nacional, além de ampliar o consumo da matéria-prima. “Afinal, somos fornecedores de petróleo”, disse, ressaltando a importância da concorrência para aprimorar o negócio.

    Química e Derivados: Petrobrás: petro02.Derivados importados – Enquanto os investimentos da Petrobrás e a chegada de outros investidores não se efetivam, a estatal amplia a importação de derivados, estimada em 200 mil bpd (dos quais 15 mil só de nafta petroquímica) para este ano, representando despesa da ordem de US$ 2 bilhões. A empresa prevê crescimento anual médio da demanda doméstica de derivados de 3,5% ao ano entre 2001 e 2010, com pressão evidente na balança comercial. “O Brasil precisa investir imediatamente na construção de duas novas refinarias de cerca de 220 mil bpd cada uma para evitar um ‘apagão de combustíveis’”, disse Maurício Alvarenga, diretor da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), uma organização não-governamental que congrega associações representativas de todos os elos da cadeia de produção de petróleo e gás natural no Brasil, além da própria Petrobrás, órgãos governamentais e agências de fomento, com objetivo de ampliar a competitividade nacional no setor.

    Especialista em petróleo, com vivência de mais de 40 anos na atividade, a maioria dos quais na Petrobrás, na qual aposentou-se depois de ter dirigido vários departamentos, Alvarenga calcula que a conta da importação de derivados vai crescer para US$ 3,5 bilhões a US$ 4 bilhões por ano até 2006. O intervalo de quatro anos é o tempo necessário para a construção das novas refinarias, uma das quais deveria ser instalada em Guararema-SP, por onde passará um oleoduto para 500 mil bpd de óleo da Bacia de Campos. A outra refinaria deve ser alocada no Nordeste, no eixo Pernambuco-Ceará. O investimento total nesses projetos beira os US$ 4 bilhões.


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