Economia

18 de março de 2016

Petrobras: Barreiras externas e internas emperram plano de recuperação

Mais artigos por »
Publicado por: Bia Teixeira
+(reset)-
Compartilhe esta página
    Química e Derivados, Petrobras: Barreiras externas e internas emperram plano de recuperação

    Petrobras: Barreiras externas e internas emperram plano de recuperação

    A paralisação dos petroleiros, iniciada no primeiro dia de novembro, atingiu plataformas, refinarias e terminais, impactando parcialmente as operações da estatal e, consequentemente, a produção de hidrocarbonetos e seus derivados, faz parte de uma queda de braços interna.

    Química e Derivados, Bendine busca formar consenso no conselho de administração

    Bendine busca formar consenso no conselho de administração

    Essa é a resposta dos funcionários das empresas integrantes do chamado sistema Petrobras contra as medidas que vêm sendo adotadas pelo presidente da companhia, Aldemir Bendine. Mais do que isso, é uma demonstração de força do corporativismo petroleiro, que já protagonizou pesadas derrotas a governos anteriores.

    Anunciada há pelo menos dois meses, a greve deflagrada pelos sindicatos dos petroleiros em todo o país é mais uma agravante na maior crise vivida pela Petrobras em seus mais de 60 anos de atividades.

    Os ânimos internos estão acirrados desde o anúncio do plano de negócios para 2015-2019, que reduziu o volume de recursos a serem alocados em projetos, empreendimentos e ações estruturantes da corporação e estabeleceu um plano de desinvestimentos, que compreende também a venda de ativos. São medidas consideradas necessárias pelo mercado e pelos especialistas do setor frente ao endividamento crescente da estatal e da sangria causada pela corrupção, envolvendo executivos da estatal, de empreiteiras e fornecedores de bens e serviços.

    Corte na carne – Além dos impactos em toda a cadeia produtiva, as medidas implementadas por Bendine também reverberam internamente, uma vez que abrangem uma reestruturação corporativa, com diminuição no número de diretorias e gerências executivas (eram mais de 50 e podem ficar em torno de 30), e um programa de redução da jornada de trabalho, com a respectiva redução salarial para os que aderirem ao programa.

    O corte na carne se estende até o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Miguez de Mello (Cenpes), principal executor da política de PDI da empresa, que tem parceria com dezenas de instituições em todo o país. Estão sendo avaliadas as áreas/gerências a serem enxugadas e os projetos que serão suspensos ou mesmo descontinuados na instituição que tem ajudado a Petrobras a se posicionar como líder tecnológica em águas profundas e conquistar vários prêmios.

    Inclusive o que foi entregue no final de outubro a um ex-gerente do Cenpes, Antonio Carlos Capeleiro Pinto, que há quase uma década está em uma gerência relacionada ao pré-sal, na área corporativa. Ele recebeu o OTC Distinguished Achievement Award for Individuals por sua “contribuição para o desenvolvimento técnico e gerenciamento dos campos de petróleo em águas profundas e ultraprofundas”. Prêmio justificado, que alimenta ainda mais o espírito corporativista de “quem faz a empresa são os petroleiros”.

    O corte se estende também aos trabalhadores terceirizados, que hoje representam uma parcela significativa da empresa (e, ameaçados, somam voz aos grevistas). E abrangem a participação em eventos (o que explica a ausência da Petrobras na OTC Brasil 2015, realizada em outubro) e gastos com mídias externas e internas. Essas medidas se aplicam a todas as subsidiárias, incluindo Petrobras Distribuidora e Transpetro.

    Conselho instável – Prevista para ser implementada a partir de 1º de dezembro, essa reestruturação não vem obtendo o consenso no próprio conselho de administração, que vem passando por consecutivas deserções. A começar pelo seu presidente Murilo Ferreira e do vice-presidente Clovis Torres Junior, ambos licenciados desde setembro (até 30 de novembro).

    Menos de 48 horas depois da deflagração da greve e prisão, na Bahia, de um dos conselheiros (Deyvid Bacelar, representante dos empregados), Torres Junior renunciou. Não se sabe ainda se o presidente licenciado, Murilo Ferreira, vai seguir o mesmo caminho.

    Tanto Ferreira como Torres Júnior têm cargos executivos na Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, e seriam nomes ‘cotáveis’ para o comando de uma companhia como a Petrobras. Ferreira teria sido inclusive um dos nomes avaliados quando da escolha de Bendine. Por isso há quem afirme que a ausência dos dois nesse momento seria estratégica, para evitar possíveis desgastes no caso de uma troca de comando na estatal.

    A instabilidade no conselho, conduzido agora pelo professor da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Nelson Guedes de Carvalho, reflete o ambiente interno da companhia presidida por Bendine.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *