Petróleo & Energia

16 de dezembro de 2013

Petrobras 60 anos: Um salto de 2.700 para mais de 2 milhões de bpd

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Vargas assina a Lei 2.004 e cria a Petrobras

    Vargas assina a Lei 2.004 e cria a Petrobras

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    uando o presidente Getúlio Vargas assinou a Lei 2.004, de 3 de outubro de 1953, a produção nacional de petróleo, de 2.700 barris/dia, atendia a apenas 27% do consumo nacional, um total de 137 mil barris diários. Essa lei criou a Petrobras, com a missão de suprir totalmente a demanda nacional de petróleo e derivados.

    A recém-criada estatal iniciou suas operações no ano seguinte, com escritório sediado na av. Rio Branco, na então capital da República, contando com uma refinaria, a Mataripe (depois renomeada para Landulpho Alves – Mataripe, a Rlam, na Bahia), construída em 1950 pelo Conselho Nacional de Petróleo (CNP), que estava erguendo sua segunda unidade de refino, em Cubatão-SP, a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC). Esses ativos passaram a integrar o patrimônio da Petrobras a partir da sua fundação. Mataripe tinha capacidade para processar 2,5 mil bpd de óleo, logo ampliada para 10 mil bpd. A RPBC ficou pronta em 1955, apta a processar 45 mil bpd, quase a metade da demanda nacional de derivados de então.

    A Lei 2.004, de 1953, criou o monopólio parcial da atividade petroleira no Brasil. Apenas em 1963, no governo João Goulart, foi instituído o monopólio total de exploração, produção, refino, importação e exportação de óleo e derivados, cabendo à Petrobras executá-lo. Esse monopólio só foi legalmente extinto pela Emenda Constitucional nº 9, de 1995, permitindo às companhias estrangeiras explorar e produzir petróleo e gás em território nacional. Em 1997, a permissão aos estrangeiros foi ampliada para abranger também a construção e a operação de refinarias.

    Ao longo dos cinquenta anos de suas operações, a Petrobras passou por muitas mudanças. Os 2,5 mil bpd iniciais eram extraídos em terra firme, no Nordeste, com destaque para o campo de Carmópolis, em Sergipe, uma das locações pioneiras e que ainda produz 20 mil bpd de óleo até hoje. Essa produção atual é sustentada pela aplicação de tecnologias avançadas de recuperação de óleo.

    Química e Derivados, Perfuração em Carmópolis: campo se mantém ativo com tecnologia ©QD Foto: Agência Petrobras

    Perfuração em Carmópolis: campo se mantém ativo com tecnologia

    Durante a década de 1960, a companhia conseguiu alcançar a marca de 100 mil bpd produzidos no país, enquanto ampliou significativamente seu parque de refino. A maior parte da demanda – em fase de rápido crescimento, pois a indústria automobilística tinha sido trazida ao Brasil e era fortemente incentivada – era abastecida mediante importações. Em 1961, com a inauguração da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), o país se tornou autossuficiente na produção dos principais derivados de petróleo. Acompanhando a evolução do consumo, até 1968 ficaram prontas a Refinaria Gabriel Passos (Regap), de Betim-MG, e a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de Canoas-RS. E os projetos de expansão de capacidades se esparramaram pelos anos 70, quando foram erguidas a Refinaria do Planalto (Replan), de Paulínia-SP, a Refinaria Presidente Vargas (Repar), de Araucária-PR, e a Henrique Lage (Revap), de São José dos Campos-SP. O parque atual de refino tem capacidade para mais de 2,2 milhões de barris/dia, mas a demanda pede mais. Para supri-la, estão sendo construídas as refinarias Abreu e Lima (RNEST), de Suape-PE, e do Comperj, de Itaguaí-RJ. Há outros dois projetos em avaliação, no Ceará e no Maranhão.

    O plano inicial da companhia previa processar os óleos importados leves, baratos e disponíveis até o início dos anos 1970. Com os choques do petróleo, de 1973 e 1979, a situação foi dramaticamente alterada. Além de caro, o suprimento mundial se tornou muito restrito. Foi preciso intensificar os esforços para aumentar a produção nacional de petróleo e gás.

    Nos primeiros anos da companhia, uma equipe internacional, comandada pelo geólogo Walter Link, avaliou as principais bacias paleozoicas brasileiras e concluiu pela baixa economicidade de sua exploração, aconselhando a promover novos estudos no mar, usando tecnologia na época pouco desenvolvida, e/ou buscar locais de exploração mais viáveis em outros países. O chamado Relatório Link foi muito atacado na época, acusado de representar os interesses das companhias internacionais de petróleo contra o desenvolvimento nacional. Olhando com o distanciamento permitido por quase seis décadas passadas, o relatório do sr. Link acabou se comprovando, mesmo tendo se valido de métodos hoje considerados rudimentares e ultrapassados.


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