Laboratório e Análises

20 de setembro de 2009

Pesquisa – IPT inaugura laboratório de corrosão

Mais artigos por »
Publicado por: Denis Cardoso
+(reset)-
Compartilhe esta página
    Química e Derivados, Zehbour Panossian, chefe do laboratório do IPT

    Zehbour Panossian: estudo pioneiro avalia fadiga de tintas em metais

    C

    om investimentos iniciais de R$ 11,8 milhões da Petrobras, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) inaugurou em julho passado seu novo laboratório de corrosão, o mais moderno da América Latina, localizado na Cidade Universitária, em São Paulo. Trata-se de um centro de pesquisa estratégico para os ambiciosos planos do Brasil voltados aos setores de biocombustíveis e petróleo, dois segmentos em ascensão que demandam novas tecnologias para identificar e controlar processos corrosivos capazes de afetar grandes equipamentos e estruturas metálicas. No entanto, segundo Zehbour Panossian, chefe do laboratório do IPT e uma das maiores autoridades em corrosão no país, os estudos realizados por sua equipe não ficarão restritos ao campo energético, embora reconheça a grande importância da nova instituição para a resolução de parte dos problemas comuns encontrados na área petrolífera e dos combustíveis alternativos.

    “A modernização do laboratório, além de ampliar a capacitação para atender às demandas dos setores de petróleo e biocombustíveis, permite atender a todos os pedidos da indústria nacional no campo da corrosão e proteção”, garante a pesquisadora. “É oportuno esclarecer que, embora hoje o principal parceiro do laboratório seja a Petrobras, estamos totalmente abertos para outros clientes”, enfatiza. Empresas que necessitem de apoio técnico ou queiram desenvolver estudos conjuntamente, podem procurar um dos seus 40 técnicos.

    Zehbour refuta as críticas negativas feitas invariavelmente aos laboratórios de pesquisas nacionais, vistos como lugares de difícil acesso, inatingíveis pelas indústrias em geral. “Não concordo. Muitas vezes as indústrias não têm a ideia de procurar os nossos centros de pesquisa e quando os descobrem ficam espantadas em saber que existem tantos estudos de interesse para lhes oferecer”, diz. “Fazendo uma analogia, é como descobrir tardiamente que a cidade de São Paulo abriga uma quantidade enorme de eventos culturais de todos os gostos e muitos deles gratuitos. Infelizmente, muita gente também não sabe disso.”

    Segundo a pesquisadora, os estudos da corrosão ajudam a evitar o colapso de materiais metálicos em pontes, postes, dutos, tanques, entre outros objetos construídos com o aço. E o aumento do conhecimento sobre esse tema fornece subsídios às empresas para a correta especificação de materiais, sejam eles grandes chapas de tanques de armazenagem, ou pequenos conectores, como os parafusos.

    A pesquisadora cita como exemplo os sistemas de proteção catódica, uma maneira eficiente de proteger contra a corrosão as estruturas enterradas ou imersas. A técnica é amplamente utilizada em dutos para transporte de água, gás e derivados de petróleo e nas grandes estruturas metálicas. “Por meio de retificadores, é aplicada uma corrente elétrica na estrutura metálica a ser protegida, garantindo assim sua integridade”, explica. Na falta de um sistema de proteção catódica, ou no caso do seu mau funcionamento, a estrutura enterrada ou imersa fi ca sujeita à agressividade do meio onde está instalada, podendo sofrer forte processo corrosivo com consequências catastróficas.

    Nos últimos anos, foram desenvolvidos mais de 50 projetos ligados à corrosão e proteção no laboratório do IPT, tendo como principais parceiros empresas dos setores de petróleo, petroquímico e energia. Agora, com os novos investimentos, a tendência é aumentar consideravelmente o número de trabalhos, prevê Zehbour. “Reforçaremos o atendimento para todos os setores e vamos ficar muito fortes em estudos de corrosão por biocombustíveis e na área marítima”, afirmou.

    Os investimentos da Petrobras no laboratório permitiram uma grande reformulação em suas instalações, marcada pela compra de equipamentos de última geração para testes em corrosão interna de dutos de petróleo e gás, corrosão externa, proteção catódica, corrosão em biocombustíveis, corrosão associada a fatores mecânicos, ensaios eletroquímicos, revestimentos, entre outros. Segundo Zehbour, os recursos permitirão a ampliação de estudos sobre tecnologias que fora do Brasil já são aplicadas em grande escala, mas ainda não são comuns por aqui.

    De acordo com Zehbour, estão previstos mais recursos da estatal petrolífera brasileira no laboratório. “Até 2011, os investimentos irão totalizar cerca de R$ 15,4 milhões”, afirma a pesquisadora. Na verdade, todos os recursos disponíveis para o laboratório do IPT são viabilizados pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), o braço de pesquisa da Petrobras, no âmbito da Rede Temática de Materiais e Controle de Corrosão, coordenada pela estatal, e envolvendo cerca de cem instituições de pesquisa no país. Por meio dessa rede, são previstos investimentos anuais de R$ 400 milhões em pesquisa e desenvolvimento.

    Química e Derivados, Com recurso da Petrobras, o laboratório atenderá toda a indústria, Pesquisa

    Com recurso da Petrobras, o laboratório atenderá toda a indústria

    Em relação à cadeia de petróleo e gás, a pesquisadora lembra que o Brasil está bem próximo de se tornar um dos principais produtores de petróleo do mundo, graças às descobertas na faixa do pré-sal, situada em águas ultraprofundas da costa marítima brasileira. “Nessa nova área, vamos focar no trabalho de seleção dos materiais, pois os equipamentos metálicos hoje utilizados para o trabalho de exploração e produção de petróleo não são exatamente os mesmos que serão usados para a região do pré-sal, onde já se sabe que há uma piora nas condições de corrosividade, em função do aumento de pressão”, diz. “Por isso, nosso objetivo é simular as condições do pré-sal em laboratório, com ensaios de seleção de materiais.”

    O setor de tintas, tradicionalmente um dos mais atendidos pelo laboratório do IPT, é outro segmento a ser muito beneficiado com a modernização do laboratório, segundo Zehbour. “Também ficamos muito fortes em tintas, temos muitos ensaios sendo feitos para este setor”, ressalta. Entre os novos estudos ligados a esse segmento, a pesquisadora destaca o de fadiga de tintas, “um tema que ninguém estuda, tanto dentro como fora do país”, salienta.

    Esse estudo, explica Zehbour, consiste na realização de ensaios com equipamentos metálicos pintados que estão sujeitos à movimentação cíclica. “Por exemplo, um tanque de aço que sai da fábrica pintado é obviamente utilizado para uma determinada aplicação que resulta em algum tipo de esforço cíclico no revestimento; ou seja, a tinta acaba sofrendo fadiga. Nossos ensaios, então, podem fazer este tipo de avaliação”, diz. “Esse tipo de estudo só é feito no Brasil, nós já patenteamos essas pesquisas e agora estamos desenvolvendo normas internacionais sobre a fadiga de tintas para eventualmente levar esses projetos para o exterior”, afirma a pesquisadora. “Temos todas as condições para desenvolver ensaios não-convencionais para esse segmento, além de possuir uma infraestrutura completa para a aplicação, caracterização e estudos de falhas no revestimento.”



    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next