Economia

27 de março de 2017

Perspectivas 2017 – Plásticos: Consumidores de transformados projetam aumento gradativo de demanda para os próximos anos

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    A produção de embalagens plásticas foi um dos segmentos que mais sofreram com a retração econômica do setor. As empresas do ramo, no entanto, têm boas perspectivas de recuperação, na opinião da representante da Abre. Para ela, a perspectiva positiva sobressai pelo fato de o plástico ser um material com características capazes de atender diferentes segmentos, demandas e anseios dos consumidores, seja quando pensamos em peças com maior valor agregado e funcionalidade ou quando avaliamos a relação custo-benefício.

    De acordo com dados mais recentes do estudo Abre/FGV, no primeiro semestre de 2016, entre os materiais usados para confeccionar as embalagens, em peso, papel, papelão e cartão ocuparam a liderança do mercado, com 40,5%. O plástico veio em segundo (35%), seguido pelo metal (15,1%), vidro (8%) e madeira (1,4%). A indústria do plástico, por outro lado, liderou o setor em termos de faturamento. A estimativa para 2016, era que ela movimentasse, em valor bruto, R$ 24,3 bilhões (40,17% do total), seguida pelo papelão, com R$ 10,9 bilhões (18,02%), metais com R$ 10,4 bilhões (17,29%) e demais matérias-primas.

    Luciana destaca um tema bastante presente na pauta do setor em 2017 e também para os próximos anos. Trata-se da reciclagem. Ela lembra não se tratar de tema novo, pois o país já possui índices bastante satisfatórios nesse quesito. Mas há espaço para crescimento significativo do índice de recuperação de materiais. “A preocupação está adquirindo tom estratégico e vem sendo encabeçada pelas grandes indústrias de bens de consumo”.

    A diretora aponta um esforço internacional para que a reciclagem se torne um negócio de valor para toda a sociedade. “Estamos falando de novas tecnologias, diferentes formas de reinserir o material reciclado em cadeias de valor, e garantir que o ciclo de vida do material seja contínuo ou, como costumamos dizer, circular”. Para colaborar com esse movimento, a Abre disponibiliza um site na internet que permite aos usuários uma autoavaliação de seus programas de sustentabilidade.

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    Ioschpe: autopeças dependem muito do mercado doméstico

    Indústria automobilística – O setor de autopeças, vital para muitos transformadores de plásticos, espera ao menos que a queda dos últimos anos seja estancada. Dan Ioschpe, presidente Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), avalia que o setor vive nestes últimos anos a pior crise de sua história, com enormes quedas nos volumes de produção. “Temos problemas relacionados à falta de competitividade, na maior parte das vezes devido a fatores fora do controle das empresas, como burocracia, elevado custo financeiro e falta de infraestrutura, entre outros”, apontou.

    Ioschpe também salienta a elevada dependência das empresas do setor do desempenho do mercado doméstico, explicada pela falta de integração do Brasil ao mundo. “Nossa expectativa é que o País enfrente com rapidez a agenda da governança fiscal, fundamental para a retomada do crescimento, e na sequência dê atenção a medidas que aumentem a competitividade do setor, seu adensamento e a sua integração internacional”. Para ele há sinais de melhora. “Ainda não vemos reação dos volumes. Esperamos que em breve essas expectativas se tornem realidade”.

    Para 2017, a expectativa da indústria de autopeças é alcançar faturamento de R$ 64,7 bilhões, com crescimento de 2,7%. O setor estima ter fechado o ano de 2016 com faturamento de R$ 63 bilhões, que representa queda de 4,5% em relação ao ano anterior. As vendas para as montadoras representaram 56,4% do total, seguidas pelas vendas para reposição (22,1%), para exportação (18,6%) e intrassetorial (2,9%). O número de postos de trabalho no ano passado caiu 7,9%, ficando na casa dos 158 mil. O Sindipeças não fornece dados relativos sobre o desempenho das vendas das diferentes matérias-primas.

    Antonio Megale, presidente da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), tem opinião mais otimista. “Nossa previsão de produção é de 2,41 milhões de unidades de veículos, 11,9% acima do registrado em 2016”, revela. Para ele, existem diversas razões para acreditar em crescimento. “A conjuntura macroeconômica indica fatos positivos, como aumento do PIB, inflação convergindo para o centro da meta, reduções contínuas da taxa básica de juros e estabilização do dólar”.

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    Construção civil – Para os lados da construção civil, o otimismo não anda muito em alta. A queda de vendas de imóveis e a paralisação de muitas obras públicas, acompanhada da queda na confiança da população, que causa o adiamento das reformas em suas residências, são fatores que provocam reflexos negativos na indústria fornecedora de materiais. Problema para os transformadores de tubos e conexões, caixas d’água, esquadrias e de outros materiais plásticos usados no ramo.

    A expectativa de retomada não entusiasma. Para Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), apesar de discreta melhora no final do ano de 2016, a vida não está fácil. Para ele, as causas da recessão ainda estão presentes e devem permanecer pelo menos no primeiro semestre de 2017. “Desemprego e o medo da perda do emprego, juros altos, dificuldade de obtenção de crédito e redução nos investimentos públicos e privados continuam inibindo o consumo dos materiais, seja para reformas, seja para novas edificações”, resume. Por essas e por outras, a previsão para o ano de 2017 aponta para crescimento nulo.

    De acordo com a associação, as indústrias de materiais de construção tiveram queda de 11,5% de faturamento em 2016, em comparação com o mesmo período de 2015. O estudo abrange 70% das empresas do setor e não especifica as matérias-primas utilizadas na produção. O nível de emprego no ano também sofreu queda significativa, de 9,3% em relação a 2015.


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