Petróleo & Energia

4 de abril de 2017

Perspectivas 2017 – Petrobras: Estatal quer ficar mais enxuta e eficiente para atingir metas financeiras e operacionais

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Produção avança – Apesar de anunciar a redução de investimentos de US$ 98,4 bilhões (no plano 2015-19) para US$ 74,1 bilhões (plano atual, 2017-21), a estimativa de produção futura não sofreu nenhuma alteração, tendo por meta chegar a 3,34 milhões e barris de óleo equivalente por dia (boed, compreendendo óleo, condensados e gás natural) no Brasil – partindo dos 2,52 milhões de boed atuais.

    Isso é explicado por Parente pelo aumento da eficiência operacional da companhia, pela redução do custo de extração de US$ 14 para US$ 9,6 por barril, e pela maior produtividade dos novos poços. Isso será suficiente para suprir o mercado local de derivados, estimado em 2,4 milhões de bpd em 2021.

    Um problema está na capacidade de refino da estatal que está esgotada. “Atualmente, a demanda nacional supera em aproximadamente 10% a capacidade do parque de refino e essa diferença está sendo suprida mediante importações de derivados, hoje vantajosas em termos financeiros”, comentou. Isso representa um volume entre 200 mil e 300 mil bpd de derivados.

    Embora tenha mercado carente, a companhia não pretende investir na ampliação da capacidade de refino. “Vamos concluir a primeira fase da Rnest (Abreu e Lima), passando de 100 mil para 130 mil bpd, e outros projetos, como o Comperj, só serão continuados se houver a participação de parceiros”, informou. O Comperj, aliás, é o símbolo do desperdício de recursos promovido pelas gestões anteriores. Nele foram investidos US$ 13 bilhões, mas nada está operando ainda. Segundo Parente, a Petrobras deverá concluir apenas a Unidade de Produção de Gás Natural nesse site.

    Voltando aos campos de produção, Parente comemorou a aprovação da nova lei que regulamenta a exploração do pré-sal, tirando da Petrobras a exclusividade de operar todos os projetos. “Isso permitirá a possibilidade de explorar essa riqueza para o maior proveito do país”, considerou. Ele explicou: cada campo do pré-sal exige investimento de US$ 10 bilhões, em média. Desse valor, 44% são recolhidos na forma de tributos estaduais e federais. Outros 16% são gastos em encomendas para fornecedores brasileiros. “Portanto, no mínimo, 60% desses US$ 10 bilhões volta imediatamente para a economia local”, salientou.

    A companhia informou ter alcançado em 2016 a produção recorde média de 2.144256 barris de petróleo por dia, 0,75% acima do verificado em 2015 e dentro da meta planejada no início do período. Em 28 de dezembro de 2016, a produção obtida chegou ao inédito volume de 2,4 milhões de bpd, dos quais quase 1,3 milhão de barris foi retirada do pré-sal. A produção de própria de gás natural chegou a 77 milhões de m³/dia, 1% acima da registrada em 2015.

    Ao mesmo tempo, 2016 foi encerrado com redução de reservas provadas da Petrobras de 13,279 bilhões de boe para 12,514 bilhões de boe (pelo critério da ANP/SPE). Em parte, a venda de participações em campos na Argentina e na Venezuela impactou essa diminuição, bem como a produção anual maior. Mesmo assim, a companhia segue com reservas suficientes para suprir mais de 13 anos do consumo atual.

    Química e Derivados, Perspectivas 2017 - Petrobras: Estatal quer ficar mais enxuta e eficiente para atingir metas financeiras e operacionais

    Indústria sem gás – O avanço na produção não significa imediatamente um alívio para as necessidades industriais de gás natural, tanto como energético quanto na forma de matéria-prima. “Haverá gás para a atividade industrial caso as condições de preço sejam ajustadas, não há restrição de disponibilidade”, afirmou Parente.

    O plano da Petrobras indica um aumento na oferta de gás natural de 600 mil boed até 2021, volume capaz de despertar o apetite de muitos consumidores. Mas a questão do preço permanece em aberto e é influenciada pela matriz tributária e pela existência de intermediários obrigatórios (distribuidores regionais).


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