Petróleo & Energia

4 de abril de 2017

Perspectivas 2017 – Petrobras: Estatal quer ficar mais enxuta e eficiente para atingir metas financeiras e operacionais

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Aliás, Parente enfatiza a condição de vítima da companhia, ressaltando que a Petrobras só obteve prejuízos com a corrupção, chegando a um ponto crítico, a ponto de afetar o moral dos colaboradores. Essa posição é sustentada na Class Action (ação coletiva) contra ela movida por investidores nos Estados Unidos, onde a corte de apelação de Nova York acolheu o recurso apresentado pela estatal. Quase a metade das ações movidas nessa corte contra ela já foram extintas mediante acordo entre as partes. Em relação aos processos movidos por órgãos do governo americano, como o Departamento de Justiça (DOJ) e a SEC (a CVM de lá), a Petrobras declara estar colaborando com as investigações. Ao todo, a companhia aprovisionou mais de US$ 360 milhões para cobrir essas indenizações. Cabe lembrar que investidores e outras origens iniciaram a abertura de processos em outras localidades, a exemplo da Holanda.

    Química e Derivados, Perspectivas 2017 - Petrobras: Estatal quer ficar mais enxuta e eficiente para atingir metas financeiras e operacionais

    A baixa dos preços do óleo e do gás assustou os produtores do Oriente Médio, mas também freou o ímpeto da expansão de novos campos nos Estados Unidos. Segundo Parente, a exploração do óleo e gás de xisto americano é viável a menos de US$ 40/barril, mas só começa a incentivar investimentos de vulto quando ultrapassa os US$ 50/bbl.

    Como houve um excedente de oferta global de petróleo estimado em 2,3 milhões de barris/dia, ao final de 2015, maior que a produção brasileira, os preços seguiram pressionados para baixo em 2016. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) conseguiu firmar um acordo entre seus membros para reduzir em 2 milhões de bbl/dia a sua oferta, de modo a recuperar rentabilidade. As cotações globais começaram a reagir em janeiro, apontando US$ 50/bbl para o tipo Brent. “É preciso verificar qual será a reação dos produtores americanos”, afirmou Parente.

    O quadro de incertezas mundiais e nacionais sobre a atividade econômica em geral e sobre a petroleira em particular segue robusto. Na escala internacional, a reposta do mercado às medidas prometidas pelo recém-empossado presidente Donald Trump ainda oscila muito. O comportamento da economia da China, outro motor global, se mostra errático, com uma tentativa do governo de lá para impulsionar a atividade empresarial mediante a injeção de recursos.

    No campo nacional, as incertezas permanecem, embora tenha havido algum alívio com o recuo do índice inflacionário e da taxa primária de juros. A política ainda permanece em terreno movediço. Tudo isso afeta o humor dos investidores e protela o avanço de projetos.

    A Petrobras pretende obter cerca de US$ 40 bilhões mediante desinvestimentos e formação de parcerias, com as quais aliviaria o consumo de capital. Na área internacional, vendeu em dezembro a Petrobras Chile Distribuición (para o fundo Southern Cross Group, por US$ 470 milhões) e a refinaria japonesa Nansei Sekiyu (para a Tayo Oil Company, por US$ 165 milhões).

    No Brasil, alienou o complexo de poliésteres/PET da Petroquímica Suape e Citepe para subsidiária da mexicana Alpek, por US$ 385 milhões. A subsidiária de biocombustíveis (PBio) vendeu sua participação de 45,97% na produtora de açúcar e etanol Guarani S/A para a Tereos Participations (do grupo francês Tereos), por US$ 202 milhões, que detinha o restante do capital. Antes disso, a PBio já celebrara acordo para incorporar à Usina São Martinho a sua participação de 49% na Nova Fronteira Energia, joint venture mantida por ambas. Com isso, a PBio receberá ações da São Martinho no valor aproximado de US$ 130 milhões, que poderão ser alienadas ao mercado, sem restrições. A companhia tem buscando para desenvolver e explorar campos de petróleo, reduzindo sua necessidade de inversão de capital e futuros endividamentos. Apesar dos esforços, a companhia não atingiu a meta de US$ 15 bilhões de desinvestimentos e parcerias estipulada para 2016, ficando em US$ 13,6 bilhões. Até 2018, as alienações e parcerias devem represent
    ar um aporte de US$ 19,5 bilhões à estatal.

    Apesar das incertezas, a Petrobras obteve êxito na colocação de US$ 4 bilhões em títulos no mercado internacional com vencimentos em cinco e dez anos, com taxas de retorno de 6,125% e 7,345%, respectivamente. A ideia é usar esses recursos para resgatar papéis de emissões anteriores, de modo a alongar o perfil de vencimentos da dívida, além de reduzir o pagamento de juros.

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