Logística Transporte e Embalagens

4 de abril de 2017

Perspectivas 2017 – Infraestrutura: Logística

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Retração disseminada – Se já era ruim, em 2016 a situação da infraestrutura brasileira de transportes e logística provavelmente piorou. Afinal, mostra estudo da consultoria Inter.B, computando-se tanto os recursos estatais quanto aqueles provenientes da iniciativa privada, reduziu-se significativamente o investimento nessa área (segundo o estudo, no ano passado o setor privado respondeu por cerca de 54% desse investimento, e preponderou nas áreas de telecomunicações e nos transportes ferroviário, portuário, aeroportuário e hidroviário, enquanto os recursos públicos foram majoritários em saneamento, transporte rodoviário e urbano, e energia).

    Somando-se os recursos públicos aos privados, informa a Inter.B, houve no ano passado queda nominal de 14,6% nos investimentos na infraestrutura brasileira. Em termos reais, essa redução chegou a 21,6% (considerando-se uma inflação próxima a 7%). Caíram, mostra a Tabela 2, as alocações de recursos em todas as vertentes da infraestrutura, com a maior queda ocorrendo no campo dos transportes – que se expandiu apenas no modal hidroviário –, e a menor no saneamento. E é importante lembrar: a participação do investimento em infraestrutura no PIB nacional diminuiu no ano passado para o baixíssimo patamar de 1,71%, mesmo tendo simultaneamente diminuído o próprio PIB (que segundo estimativas caiu cerca de 3,5%).

    Química e Derivados, Perspectivas 2017 - Infraestrutura: Logística

    Divulgado no final do ano passado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte), outro estudo parece revelar que esse descuido já resulta em agravamento das precárias condições das rodovias brasileiras: comparativamente aos dados auferidos em pesquisa similar realizada um ano antes, informa o estudo, houve em 2016 piora em quesitos como quantidade de pontos críticos existentes nessas rodovias (ver Tabela 3).  E, ainda de acordo com informações da mesma CNT, segue havendo grande descompasso entre o investimento atualmente realizado em infraestrutura e as reais necessidades dessa área (ver Tabela 4).

    Química e Derivados, Perspectivas 2017 - Infraestrutura: Logística

    A situação talvez só não é mais dramática porque, ao mesmo tempo em que reduz o aporte de recursos a ela destinada, a crise econômica diminui também o uso dessa infraestrutura. Tanto que é, de acordo com Pedro Lopes, presidente da ABTC (Associação Brasileira de Logística e Transporte de Carga), existem atualmente no Brasil entre 350 mil a 360 mil caminhões parados. “A crise diminuiu a demanda, e houve muitos financiamentos para a compra de caminhões que agora os transportadores não conseguem pagar”, justifica Lopes. “Perde-se muito com a logística brasileira, e não apenas pela deficiência em si, mas também pelos roubos, em grande parte vinculados às falhas na infraestrutura”, acrescenta Lopes.

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    Ele afirma se sentir algo otimista com a possibilidade de melhorias, em virtude tanto da possibilidade de reaquecimento da economia nacional quanto dos projetos governamentais. Mas ele tempera a análise dessas perspectivas com algumas ressalvas. Uma delas. “No papel, o governo vem mostrando vários bons projetos, mas é preciso definir de onde virão os recursos necessários”, diz.

    Além disso, prossegue o presidente da ABTC, a Medida Provisória publicada no final do ano passado pelo governo federal, com as diretrizes gerais das concessões previstas no PPI (MP 752, de novembro), privilegia a malha ferroviária, em detrimento das rodovias. “Não é que não seja necessário olhar para a malha ferroviária, mas essa área exige muitos recursos e sua implementação é demorada”, argumenta. “Mas é preciso olhar também para as rodovias, pois o caminhão transporta 70% das cargas do país.”

    Cardoso, da CNI, solicita, entre outras coisas, a melhoria das administrações portuárias públicas, para ele extremamente ineficientes. “Não conseguimos nem realizar a dragagem para aumentar o calado dos portos, algo que é normalmente feito em todo o mundo”, salienta.

    Para as rodovias nacionais, complementa Cardoso, a melhor alternativa é a privatização, acompanhada da estruturação de uma agência reguladora forte e independente. “Mas a crise diminuiu o interesse dos investidores pela privatização, mas pode-se então trabalhar com PPPs (Parcerias Público-Privadas), com investidores dedicados a cuidar da manutenção das rodovias, recebendo periodicamente determinada quantia por esse serviço”,  recomenda.


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