Petróleo & Energia

11 de março de 2017

Perspectivas 2017 – Infraestrutura: Energia

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Nos últimos anos, oferta insuficiente e escassez de recursos hídricos colaboraram para alçar o custo da energia fornecida no Brasil a patamares que o inserem incisivamente no rol de fatores que – no campo das deficiências de infraestrutura – prejudicam a competitividade da indústria nacional. E tal problema pode aumentar em 2017, pela necessidade de o governo federal indenizar em quase R$ 65 bilhões as concessionárias responsáveis pela transmissão da energia, valor a ser repassado aos usuários.

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    Essa indenização, diz a legislação, deve ser feita em prazo de oito anos; mas seus efeitos devem ser bem mais imediatos: a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) divulgou estimativas recentes de um aumento médio, ainda este ano, entre 8% e 9% nas tarifas de energia (esses índices ainda não são definitivos, pois o processo do pagamento ainda está sendo elaborado).

    Para a atividade industrial, especificamente, os impactos podem ser ainda mais intensos: “Dependendo de fatores como tensão e carga que consome, uma indústria poderá pagar de 20% a 30% mais pela energia”, avalia Camila Schoti, gerente de energia da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres). “Esse impacto deve ser sentido no máximo até o mês de julho”, ela prevê.

    A Abrace vem conversando com as autoridades responsáveis pelo setor energético na tentativa de evitar aumento tão danoso para o setor industrial, mas não descarta ingressar com ações judiciais caso não seja bem sucedida nessa tarefa. “Em nosso entendimento, o montante a ser pago é questionável e terá impacto expressivo na competitividade da indústria”, alega a representante da entidade.

    A tendência de alta nos preços da energia aparece também nas previsões de variação do PLD – Preço de Liquidação de Diferenças do Mercado de Curto Prazo (MCP), utilizado como referência no Mercado Livre de Energia, no qual as empresas negociam livremente com as geradoras e comercializadoras desse insumo (ver tabelas e gráficos com os números do setor nesta edição). Aliás, no ano passado, uma quantidade recorde de empresas – cerca de 2,3 mil – migrou para o mercado livre, que agora tem mais de 4 mil associados em sua Câmara de Comercialização. Este ano, até agora, já há aproximadamente 1,1 mil empresas inscritas para completar essa migração.

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    Transmissão e microdistribuição – Na área de geração de energia, não devem surgir novos projetos em 2017, afirma Newton Duarte, diretor da área de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica) da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica); nem mesmo no segmento da energia eólica, até há pouco tempo em acelerada expansão. Afinal, lembra Duarte, há três anos cai a demanda nacional por esse insumo, e as concessionárias agora têm excesso de oferta. “Mas, em minha opinião, seria necessário um pouco mais de folga na capacidade de geração, pois há apenas dois anos, temendo que ela faltasse, o governo até se dispunha a comprar qualquer quantidade de energia disponível”, argumenta Duarte.

    Na área de transmissão, além de muitos projetos recém-findos, há outros grandiosos em andamento ou em fase de elaboração, por exemplo: o chamado linhão 1 da Usina de Belo Monte, com cerca de 2,1 mil quilômetros, e o segundo linhão das Usinas de Santo Antonio e Jirau, com aproximadamente 2,4 mil quilômetros, além de várias linhas menores em diversas regiões do país.

    Existe a certeza de novos projetos nessa área. “No ano passado foram leiloados no Brasil quase 12 mil km de linhas de transmissão, e este ano deve ficar entre 14 mil e 17 mil km”, projeta Duarte. Mesmo assim, não parece próximo o ponto de saturação da rede nacional: “O Brasil ainda tem grande deficiência tanto em transmissão quanto em capacidade de transformação: enquanto nos Estados Unidos há uma relação de 6 para 1 entre geração e transformação, ou seja, cada gigawatt gerado se transforma em seis para transmissão, no Brasil, esse índice está em 3,5 “, ele compara.

    No ano passado, conta Duarte, o investimento total em GTD no Brasil reduziu-se cerca 9%. “Mas partir do segundo semestre deste ano espera-se uma leve retomada dos investimentos, fruto de leilões de energia de reserva com foco nas áreas eólica, solar e PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), bem como dos significativos investimentos em transmissão”, ele detalha.


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