Química

6 de abril de 2017

Perspectivas 2017 – Indústria Química: Setor volta a crescer, mas pede reformas amplas para sair da estagnação

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Sustentabilidade e inovação – O acordo do clima, pelo qual o Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões de carbono, representa oportunidade adicional para o setor químico, que pode incorporar fontes de suprimento com origem em materiais naturais e renováveis. É o caso do etanol de cana, dos óleos vegetais e das gorduras animais, mas também dos produtos gerados por processos biotecnológicos mais avançados. “A enorme biodiversidade brasileira é um fator competitivo que alavancará nossa indústria, mas há problemas de infraestrutura, logística e custo de investimento que estão impedindo o avanço desse segmento”, criticou De Marchi.

    A Abiquim sugeriu ao governo criar um Grupo de Trabalho no âmbito do Conselho Nacional de Biotecnologia para estudar e propor soluções e alternativas para apoiar a instalação de biorrefinarias no país.

    Ao mesmo tempo, é preciso rever o Marco Regulatório de Ciência, Tecnologia e Inovação, que sofreu vetos indevidos e está com a regulamentação emperrada. “Também é preciso garantir que a Lei do Bem (11.196/05) não seja descontinuada, ela alivia o custo dos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento feitos pelas empresas”, recomendou.

    Também o Instituto Nacional de Propriedade Industrial requer mais recursos e condições operacionais para desenvolver seus trabalhos, que incluem proteger os esforços de P&D realizados no país.

    De Marchi salienta que o Brasil, em comparação com outros países, apresenta uma baixa emissão total de CO2, em parte por manter uma grande participação de fontes hidráulicas na geração de eletricidade, além de consumir considerável volume de etanol nos motores automotivos. “Nossa indústria acompanha essas metas e podemos alcançá-las sem grande esforço”, afirmou.

    De Marchi enfatizou o papel da química como geradora de respostas para os problemas mundiais. Neste ano, o Brasil receberá o 46º Congresso Mundial de Química e a 49ª Assembleia Anual da Iupac (União Internacional de Química Pura e Aplicada), pela primeira vez realizados na América Latina. Eles coincidirão com o 40º Encontro Anual da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) e com o Congresso de Tecnologia da Abiquim. “Será uma oportunidade única para os profissionais, acadêmicos e estudantes conhecerem melhor as tendências para o futuro da química e também os esforços da indústria”, avaliou. Essa reunião, que terá a presença de vários ganhadores do Prêmio Nobel, está marcada para julho, no centro de eventos do WTC, em São Paulo. Detalhes em www.iupac2017.org.

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    Logística limitada
    – Um dos fatores que mais restringe a evolução da indústria brasileira é a deficiência em estruturas de transporte e armazenamento de produtos. A escassa integração entre os modais rodoviário, portuário e ferroviário dificulta a elaboração de malhas coerentes e econômicas de abastecimento.

    Atenta ao problema, a Abiquim pleiteia mudanças para reforçar essa infraestrutura, mas também para reduzir a burocracia envolvida nas operações. “É preciso informatizar os procedimentos administrativos e dar a eles uma racionalidade maior, especialmente no modal rodoviário”, comentou De Marchi.

    A associação vem fazendo um bom trabalho com o Sassmaq, sistema de certificação voluntária em segurança de transportes de produtos perigosos. A cada ano, novos módulos são adicionados ao programa, ampliando a sua cobertura.

    “O governo precisa reforçar o programa de concessões rodoviárias, exigindo áreas de estacionamento seguro para caminhões com cargas perigosas”, recomendou. Além disso, é fundamental melhorar as vias de acesso ao Porto de Santos-SP, o mais movimentado pelo setor. Esse porto, aliás, carece de mais áreas para movimentação e armazenagem de produtos. A Abiquim pede a implantação de novos berços para granéis químicos em Salvador-BA, Aratu-BA e Santos-SP, para melhor atender à demanda.

    O modal ferroviário é pouco utilizado pelo setor químico, especialmente pela falta de conexões ferroviárias até os polos de produção do setor. “As operadoras ferroviárias não se mostram muito interessadas em transportar cargas químicas”, criticou.

    Os pleitos são muitos, porém necessários. Talvez o momento de crise profunda seja capaz de sensibilizar as autoridades políticas a empreender as reformas e investimentos sem os quais o país não conseguirá acompanhar o ritmo dos concorrentes internacionais.


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