Química

6 de abril de 2017

Perspectivas 2017 – Indústria Química: Setor volta a crescer, mas pede reformas amplas para sair da estagnação

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Perspectivas 2017 - Indústria Química: Setor volta a crescer, mas pede reformas amplas para sair da estagnação
    A indústria química e petroquímica brasileira começa a sentir algum alívio e pode melhorar ligeiramente seus indicadores em 2017, depois de obter um modesto aumento de produção e faturamento em 2016. Embora tímido, esse crescimento foi bem recebido pelo setor que vinha de um ano terrível, registrando queda de faturamento de US$ 146,9 bilhões (2014) para US$ 111,8 bilhões (2015). Mas ainda há um longo caminho a percorrer para se manter a relevância dessa atividade na economia nacional.

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    “A produção química no Brasil está estagnada há dez anos”, lamentou Marcos De Marchi, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e também diretor-presidente da Elekeiroz. Os gráficos da evolução de faturamento líquido (dolarizado) e da produção física setorial, elaborados pela Abiquim, comprovam essa afirmação. Curiosamente, a persistência de um grande déficit comercial de produtos químicos, que chegou a US$ 32 bilhões em 2013, representa uma oportunidade para investimentos, nunca aproveitada. Pelo contrário, o volume de recursos alocado para projetos produtivos no setor teve um pico em 2012, alcançando US$ 4,8 bilhões (resultado do avanço de projetos de ampliação na Braskem e implantação do ácido acrílico pela Basf, entre outros), caindo para U$ 2,1 bilhões, US$ 1,7 bilhão, US$ 700 milhões e US$ 500 milhões nos anos seguintes. A Abiquim estima que a média de investimentos anuais no setor até 2020 fique em US$ 300 milhões, valor insuficiente para atender às necessidades dos segmentos industriais consumidores de insumos químicos. Quando houver a retomada da economia local, o déficit comercial voltará a crescer com força – a recessão explica a redução das importações – caso novos projetos de expansão permaneçam engavetados.

    Há duas boas justificativas para o baixo interesse em ampliar a capacidade de produção química no país. A começar pela baixa rentabilidade do setor, estimada em 8,9% (Ebitda/receita operacional líquida) para 2016. Isso é reflexo do mercado global superofertado e com preços em queda pelo aparecimento de matérias-primas mais econômicas, a exemplo do shale gas. “A rentabilidade mundial não é maravilhosa, mas é melhor que a brasileira e tem muito mais previsibilidade, oferecendo segurança para os investidores”, comentou.

    Outra justificativa reside na baixa disponibilidade de derivados de petróleo e gás natural aproveitáveis pelo setor como matérias-primas. E, quando disponíveis, representam custo mais alto do que o suportado pelos concorrentes internacionais, gerando uma clara desvantagem para a indústria local.

    “Isso não pode continuar, pois a indústria química é um setor de base, ou seja, abastece todo o parque de transformação instalado no país, representando 10,4% do PIB industrial; nenhum país se desenvolveu até hoje sem contar com uma produção química relevante”, apontou De Marchi. Além disso, o setor químico é o que remunera melhor seus colaboradores em todo o setor de transformação e é vetor de desenvolvimento de tecnologia para várias cadeias produtivas, tendo a capacidade de melhorar a sustentabilidade de todas elas.

    A Abiquim comemora o fato de o atual governo federal estar mais disposto que o anterior para trocar ideias com o setor produtivo e se mostra mais receptivo para sugestões. “Nosso setor é particularmente atraente nesse momento de recuperação econômica, pois podemos aumentar imediatamente a produção em 20%, apenas pela ocupação da capacidade ociosa”, afirmou De Marchi. Isso seria benéfico para os produtores nacionais, pois rodar a plena carga ajuda a diluir os custos fixos, melhorando a rentabilidade operacional.

    Aproveitando a disposição oficial ao diálogo, desde julho passado, a Abiquim se esforça para apresentar pleitos de interesse setorial ao governo. Entre as propostas está a recriação de um órgão de planejamento setorial, envolvendo governo, empresários e trabalhadores, nos moldes do antigo Geiquim, que levará o nome de Grupo Executivo para o Desenvolvimento da Indústria Química (Gedic). “Esperamos que deste órgão surja uma política industrial de longo prazo para a retomada do crescimento do setor”, disse De Marchi. A Abiquim também gostaria de reestabelecer o Conselho Nacional de Biotecnologia, dada a importância dessa área do conhecimento para o futuro do setor. Além disso, pleiteia a implementação do Programa Nacional de Gás Natural Matéria-Prima, a cargo do Ministério de Minas e Energia, proposta que conta com o apoio de vários parlamentares.


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