Petróleo & Energia

20 de março de 2017

Perspectivas 2017 – Etanol: Produção e demanda caem, mas usinas investem nos canaviais e esperam preços adequados

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Publicado por: Hamilton Almeida
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    Química e Derivados, Perspectivas 2017 - Etanol: Produção e demanda caem, mas usinas investem nos canaviais e esperam preços adequadosA escalada da produção de etanol, verificada desde 2013, sofrerá uma puxada de freio este ano. “Na safra 2016/17, devemos ter uma produção total de 27,19 bilhões de litros – 10,2% a menos que no exercício anterior –, dos quais 11,62 bilhões de litros de etanol anidro e 15,57 bilhões de litros de etanol hidratado. O consumo combustível, anidro mais hidratado, é estimado pela Datagro em 26,45 bilhões de litros”, prevê Plínio Nastari, presidente da consultoria especializada no setor sucroalcooleiro.

    O consumo para alcoolquímica e todos os usos industriais e domiciliares deve ficar em 1,68 bilhão de litros. As exportações caem para 1,15 bilhão de litros, e a importação deve atingir 1,23 bilhão de litros. Nastari comenta que a queda da atividade econômica é a grande razão por trás da redução do consumo para alcoolquímica e usos industriais: “A queda na venda de automóveis e o encolhimento da construção civil são elementos importantes que justificam a queda observada no uso de etanol como insumo para a indústria”.

    Esses dados coincidem com as projeções da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que indicam que a atual safra deverá totalizar 27 bilhões de litros de etanol, sendo 43% de etanol anidro, aditivo misturado na gasolina; e os 57% restantes de etanol carburante. As exportações e importações devem responder por algo em torno de 5% cada. Pelas contas de Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico, 10% da oferta interna de álcool é destinada às exportações e ao consumo não carburante (bebida, limpeza, etc).

    “Esperávamos uma oferta de cana de 640 milhões de toneladas para processar, na região Centro-Sul, e mais 50 milhões no Nordeste. E, provavelmente, a moagem vai ficar em 605 milhões de t, uma quebra de 12,3%”, declara Rodrigues. O Brasil deverá produzir 655 milhões de t este ano. No ano passado chegou a 670 milhões de t. A safra atual de cana-de-açúcar começou em abril de 2016 e termina em março deste ano.

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    Segundo Rodrigues, a diminuição da produção se deveu, “basicamente, por causa dos canaviais envelhecidos, que perdem produtividade. Além disso, 40% da região Sul foi afetada por geadas e a colheita teve que ser antecipada. Essa cana de 4 a 5 meses, muito jovem, reduziu a qualidade da matéria-prima. E ainda aconteceram outros fenômenos climáticos, como o veranico de final de maio e o de agosto-setembro, e a escassez de chuvas em abril e agosto”. A combinação desses fatores afetou a oferta de cana.

    Nastari lembra que, na safra 2015/16, encerrada em 31 de março de 2016, na região Centro-Sul, e em 31 de agosto de 2016, na região Norte-Nordeste, foi atingido o recorde de produção de etanol no Brasil, com 30,42 bilhões de litros, sendo 11,67 bilhões de litros de etanol anidro, e 18,74 bilhões de litros de etanol hidratado.

    O consumo de etanol combustível absorveu 28,69 bilhões de litros de anidro e hidratado. O consumo para alcoolquímica e todos os usos industriais e domiciliares sugou 2,15 bilhões de litros; a exportação representou 1,94 bilhão de litros; e a importação, 0,77 bilhão de litros.

    Para a próxima safra, 2017/18, que será iniciada em 1º de abril, a Datagro estima uma produção de etanol de 26,91 bilhões de litros; o consumo combustível total de 25 bilhões de litros; consumo para alcoolquímica e todos os usos industriais e domiciliares de 1,5 bilhão de litro; exportação de 1,1 bilhão de litros; e importação de 1 bilhão de litros.

    Equilíbrio – Atualmente, Rodrigues diz que há um equilíbrio entre a oferta e a demanda de álcool. Ele assinala que houve uma redução na oferta de cana e de etanol: “Há quatro anos, com a baixa nos preços do açúcar no mercado internacional, os usineiros brasileiros direcionaram muito mais cana para a produção de etanol. Agora, com a melhora nos preços do açúcar, foi reduzida a oferta de etanol hidratado carburante, mas não a do anidro”.

    Essa redução levou, de acordo com o diretor da Unica, à diminuição das exportações. Com isso, há equilíbrio esse ano entre as exportações e as importações de etanol. A tendência, de abril de 2016 a março de 2017, é de uma estabilidade em torno de 1,4 bilhão de litros. 


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